Saia da sua zona de conforto

O que impulsiona as pessoas a viajar? O que nos leva a sair de nossas zonas de conforto e dar o primeiro passo rumo ao desconhecido?

Big Ben e Little Ben.

Acredito que para cada pessoa a resposta será diferente, mas o sentido o mesmo: se reencontrar. Muitas talvez nem saibam disso quando saem em busca “de algo”, mas em algum momento essa sensação de renascimento surgirá. E é aí que a verdadeira VIAGEM começa. Aquela que se faz de dentro pra fora.

A partir daí, mudam-se perspectivas, prioridades e pré conceitos. A forma com quem você começa a compreender o Mundo ao seu redor envolve mais consciência e compaixão, desapego e realização.

Aquilo que você pensava precisar lá atrás, já não importa mais. Você incrivelmente tende a se tornar mais prático, menos detalhista e mais whatever – sem se importar tanto com o que os outros vão pensar ou falar sobre suas atitudes.

Benício aguardando o jato de água quente e vapor do Géiser em Haukadalur, na Islândia.

E esse, para mim, é o real significado de liberdade: libertar-se da chatice de tanto se importar. É deixar suas ideias transitarem livremente pelo seu cérebro, independente delas serem ideias tolas ou geniais. Permitir-se ser quem você é, não quem as pessoas acham que você deveria ser.

A bagagem duplicou quando partimos dos EUA, pois já estávamos a caminho da Suíça (Q.G.)

É tomar decisões e ter atitude, mas ao mesmo tempo, ter total responsabilidade pelo caminho que optar. E, se houver falha no trajeto, ter a humildade de refletir sobre e recomeçar.

Uma viagem pode nos transformar!!!

Novas experiências, novas sinapses

No Skydeck da Willis Tower, em Chicago. Experiência de alto nível – literalmente!

Uma das coisas que considero extremamente positiva numa viagem é a oportunidade de observar, aprender e vivenciar coisas novas a todo momento. Do ponto de vista puramente turístico, sem a necessidade ou a consciência de transformar a viagem em uma jornada de autoconhecimento, essas novas vivências por si só já são altamente benéficas (quem nunca falou ou ouviu alguém dizer que respirar novos ares revigora o espírito?). Só em estar em um ambiente diferente, vendo outras pessoas, experimentando novos sabores e fazendo coisas que normalmente não fazemos, cria uma atmosfera de positividade, dá aquela sensação gostosa de liberdade. Quando nos permitimos viver esses momentos com consciência e nos abrimos para criar novas sinapses, as experiências se tornam ainda mais intensas.

Mas o que são sinapses?

Nós percebemos a nossa realidade através de valores e crenças que absorvemos ao longo da vida. Temos cerca de 60 a 70 mil pensamentos por dia, mas o nosso cérebro se acomoda aos padrões já aprendidos, uma mente pré-condicionada a pensar e a se comportar de determinada maneira. Em meio a tantos pensamentos, acabamos nos prendendo às mesmas concepções e aos mesmos comportamentos de sempre por puro comodismo do cérebro. Ilustrando de forma simples, é como se os nossos neurônios fossem trabalhadores que executam a mesma tarefa todo santo dia, uma coisa que de tão repetitiva se torna automática. Quando mudamos o nosso padrão de pensamento ou vivenciamos novas experiências, os neurônios despertam e dizem “opa, isso aí é novidade!”, e criam novas conexões com outros neurônios. É esse vínculo que chamamos de sinapses – ou conexões sinápticas.

Quando aprendemos algo novo ou vivenciamos coisas diferentes, estamos realizando novas sinapses, e cada conexão ajuda a ampliar nosso campo de visão e dar novos estímulos ao cérebro. É essencial, no entanto, que a gente continue a exercitar esses estímulos para expandir os pensamentos, que nos levam a novas escolhas, novas experiências e mudanças no comportamento.

Novas sinapses na viagem

Não é preciso viajar para criar novas sinapses, mas só o fato de estarmos em um lugar diferente, absorvendo informações inéditas ao nosso cérebro, já é um grande estímulo. As experiências que o universo nos oferece são ilimitadas, e eu e o Benício temos buscado aproveitá-las ao máximo durante essa jornada.

Um dos novos conhecimentos para os quais o Ben se abriu foi o de manusear uma máquina de costura durante a nossa estadia em Newton (em Massachusetts, nos EUA, pertinho de Boston). De início ele ficou um pouco receoso, dentro daquela crença limitante de que costurar é “coisa de menina”, mas depois a empolgação tomou conta e ele produziu sua própria Póke Ball e uma almofada com a inicial do nome. A experiência foi tão positiva que no mesmo dia, antes de dormir, ele perguntou se poderíamos ter uma máquina de costura em casa para o caso de alguma roupa ou almofada rasgar.

Ainda temos bastante chão pela frente durante essa viagem, e essa perspectiva de novos aprendizados é um dos combustíveis que nos move e nos ajuda a seguir adiante.

Balanço da viagem: 1 mês

Se fosse preciso colocar uma vela para cada emoção vivenciada no nosso primeiro mês de viagem, talvez nem desse para ver direito o bolo. Hoje eu e o Ben comemoramos o primeiro “animesário” – há exatamente um mês deixávamos nossa boa vida, família, amigos, trabalho e rotina no Brasil para iniciar uma jornada de volta ao centro das nossas vidas, um resgate à minha essência adormecida.

Acho que nem eu tinha noção do que me esperava nesse período sabático. Alguma coisa me chamava para isso, mesmo sem eu saber o propósito real dessa experiência. Eu não tinha exatamente um ‘sonho’ de viajar, mas quando estava grávida eu imaginei que em algum momento da minha vida faria essa viagem quando o Benício estivesse maior.

Acredito que tudo o que acontece na vida são respostas que o universo dá aos nossos questionamentos. Sempre estive aberta a receber essas respostas, mas só agora consigo enxergá-las com mais clareza por estar conseguindo fazer as perguntas certas. E o que isso tem a ver com o propósito da viagem? Acho que essa foi a forma do universo me mostrar que eu precisava me redescobrir como mãe.

Apesar de estar quase sempre com o Benício, sinto que falhei na educação dele por deixá-lo um pouco solto. Venho de uma base muito estruturada, meus pais sempre batalharam muito para proporcionar uma boa vida à nossa família. Talvez pela facilidade que eu tive – e abro um adendo para dizer que não culpo os meus pais e, tampouco, estou reclamando – acho que acabei passando esse estilo de vida mais ‘folgado’ para o Ben (do tipo, se ele bagunçava o quarto, tinha uma funcionária em casa para arrumar). Nessa viagem eu percebo como a educação dele deveria ter sido diferente.

O Benício é uma criança boa e inteligente, mas vejo que alguns aspectos da educação dele foram negligenciados por mim. Eu costumava passar o dia no trabalho, enquanto, pela manhã, ele ficava em casa e à tarde ia para a escola. No fim do dia ambos já estávamos tão cansados para brincar e conversar, que aquela interação entre mãe filho era praticamente inexistente. Agora, que não temos outras pessoas da família ao redor e nem funcionários para fazer as coisas por nós, só podemos contar um com o outro. “Precisamos ser melhores amigos, parceiros de verdade”, foi o que falei para ele logo no início dessa jornada. São muitas mudanças e ele está tendo que se virar como gente grande.

De boa em NYC. Celebrando o primeiro mês de viagem na Big Apple.

Dizem que até os sete anos é o momento para educar, formar os valores de uma criança, então acredito que essa jornada tenha vindo em um momento importante para nós – o meu crescimento como mãe e o senso de responsabilidade dele. Estamos juntos 24 horas por dia, e eu imaginei que fosse ser complicado e cansativo, mas eu agora percebo que tudo o que ele quer e precisa é de compreensão em relação aos sentimentos dele. Não são apenas novos lugares que estamos conhecendo, são pessoas, climas, sabores, costumes, perrengues… Tudo isso gera um mix tão grande de emoções, que eu agora me dou conta de que essa viagem é mais uma grande oportunidade de reflexão do que de turismo. 

Me redescobrir como mãe, fazer o Ben entender as responsabilidades e consequências das atitudes dele, estreitar os vínculos entre mãe e filho, compartilhar a vida real para mostrar que nem tudo são flores nessa jornada – talvez o propósito da nossa viagem seja cada uma dessas coisas. O que posso dizer, com absoluta certeza, é que cada passo dado é um novo aprendizado, e todo o amor que sinto pelo meu filho só aumenta a cada dia. Que venham os próximos meses das Viagens do Ben!

Perrengues em Cancún #perrenguesdeviagem

Todo mundo que viaja espera que tudo saia perfeito. Comigo e com o Benício não é diferente. Sempre viajamos com o pensamento de que tudo vai dar certo e tentamos manter a vibração em alta, mas nem sempre as coisas saem conforme o planejado. Nessas horas, é preciso ter um pouco de jogo de cintura para enfrentar os contratempos e lembrar que não é o universo se voltando contra nós, é apenas uma forma de dizer que por trás daquela situação temos algo de importante para aprender.

Como a ideia do blog é compartilhar experiências, nada mais justo do que dividir as boas e as não tão boas assim. A intenção não é desanimar ninguém, e sim alertar as pessoas sobre possíveis adversidades que possam surgir no meio do caminho, como aconteceu conosco no México, bem no início da nossa aventura.

Parecia um prenúncio. Apesar do voo tranquilo de Bogotá para Cancún, passamos por umas nuvens bem carregadas que causaram uma turbulência que nos deixou assustados. Já cansados das mudanças de avião e de aeroportos, e desejando cair em cima de uma cama, passamos um tempão esperando as bagagens – e nada de liberarem! Nos deparamos com carros de polícia e cães farejadores procurando por algo alucinadamente nas malas, sem nada encontrarem. Malas enfim liberadas, hora de pegar um Uber para ir à casa que alugamos por uma noite.

Eu não havia pensando na possibilidade de não poder pegar um Uber (mais tarde eu viria a saber que a guerra entre taxistas e motoristas de Uber é bem complicada em Cancún). Naquele momento, tudo o que a gente queria era sair do aeroporto e ir para casa, então, depois de muita negociação, acabamos fechando com um táxi. Veio um cara muito estranho nos levar, e não era a mesma pessoa com quem havíamos conversado. Ele não fazia ideia de onde era o local indicado e eu pedi que ele colocasse no GPS ou Waze para chegar lá. Ele disse que odiava GPS e não tinha, me mandou usar o meu. O cara dava medo! Acabei habilitando a minha internet do Brasil (foram os R$ 25,00 mais bem pagos!) e fomos.

A tranquilidade de estar no hotel depois de uma noite de perrengues.

O local era sombrio, assustador. Eu e o Ben só rezávamos! Mas pior mesmo foi chegar na casa que alugamos pelo Booking.com, que era super bem avaliada por famílias no site. Como era perto do aeroporto e chegaríamos às 20h, eu tinha pensado em um lugar só pra dormir. Quando olhei para aquele lugar, a única palavra que passou pela minha mente foi “ferrou!”. Era o pior lugar em que já estivemos. Era, na verdade, um flat sujo e inacabado no meio de uma construção e mato. Falei pro Benício “Vamos subir e dar um jeito de chamar um Uber para ir embora”. Avisei ao dono do flat que ia levar as malas porque ia jantar com uns amigos (fictícios) que tinham um quarto livre, e se quiséssemos prolongar a noite ficaríamos por lá mesmo. Orientei o Ben para que ele confirmasse tudo o que eu falasse, porque sabe Deus o que poderia passar na cabeça daquele cidadão!

Foi uma busca insana para ver se o Uber ia naquele fim de mundo. Depois de muita apreensão – e tentando manter a calma para não passar pro Benício a dimensão da preocupação que eu estava sentindo – o Uber chegou! Eram 22h, e a motorista era uma mulher, que nos confidenciou que achou que não fosse sair viva daquele local. Graças às forças que regem o universo, chegamos no hotel sãos e salvos.

Usando o seguro de viagem

Ninguém está livre de acidentes e incidentes, especialmente em uma viagem, quando os lugares e as situações são completamente desconhecidos. Justamente por isso, pouco tempo atrás falamos da importância de contratar um seguro de viagem internacional. Por mais que todas as medidas de segurança sejam tomadas, por mais que que a gente tente evitar certos lugares, alimentos e circunstâncias de risco, uma hora pode acontecer algum contratempo. E aconteceu comigo!

Não sei se foi a comida do México que não desceu muito bem, se foi cansaço físico por estarmos em tantos lugares em tão pouco tempo, ou se foi o emocional que gritou através do meu corpo por todas as sensações vividas em um espaço de tempo tão curto, só sei que meu corpo pediu trégua.

O percalço do mal-estar aconteceu nos nossos últimos dias no México. Tanto eu com o Benício chegamos um pouco debilitados aos Estados Unidos, o segundo país da nossa viagem, e resolvemos tirar alguns dias para descansar.  Felizmente, o Ben melhorou logo, mas os enjoos e dores no corpo ainda tomavam conta de mim.

Acionando o seguro

Na própria apólice do World Nomads que eu trouxe impressa consta o telefone da empresa para ligar em casos de emergência ou necessidade de atendimento. O processo não é tão rápido, em vez de encaminhar o segurado para qualquer hospital, o seguro faz uma pequena ‘entrevista’ para saber o que a pessoa está sentindo, quais são os sintomas, a localização (para identificar o hospital mais próximo), dentre outros detalhes. É importante salientar que a conversa é toda feita em português, o que ajuda bastante para quem está debilitado e não deseja quebrar a cabeça explicando algo em outra língua (ou para quem não sabe falar outro idioma), mas demora um pouco. Acho que passei pelo menos uns 20 minutos ao telefone.

O seguro também perguntou se eu conseguia esperar de uma a duas horas para que eles pudessem consultar as clínicas e hospitais parceiros e me dirigir a um desses locais indicados ou se eu preferia ir na urgência e pagar do meu bolso para, posteriormente, passar a nota fiscal para eles solicitando reembolso. Como a situação não estava tão crítica, achei melhor esperar. Depois de um tempo de espera eles me retornaram indicando o hospital que eu deveria ir e como seria o processo de pagamento.

No hospital dos EUA

Fui para a emergência do Dr. P. Phillips Hospital, onde fui super bem atendida. A triagem, por exemplo, não demorou nem 3 minutos! Das vezes que precisei me locomover lá dentro, sempre tinha algum enfermeiro para me levar em cadeira de rodas. E quando expliquei que era turista na cidade e não tinha com quem deixar o meu filho, eles permitiram que o Benício ficasse comigo o tempo todo, até o colocaram numa salinha com os desenhos favoritos dele, além de o deixarem ficar comigo na maca (com direito a um cobertor bem quentinho). A parte chata foi que precisei preencher toda a papelada para fins burocráticos do seguro – fiquei até meio perdida, mas deu tudo certo.

A World Nomads trabalha com a Zurich Seguros. Mais tarde, no mesmo dia em que fui atendida, a Zurich me ligou para saber se eu já tinha ido, se precisava de alguma ajuda, perguntou como havia sido o atendimento e se o médico havia pedido para retornar ao hospital (porque, nesse caso, eles já agilizariam as questões burocráticas para a minha volta). Agora que utilizei o serviço, posso dizer que o seguro está aprovado! Todos com quem falei foram muito atenciosos e solícitos, e, embora não seja muito conveniente, a papelada preenchida no hospital e o relatório que o seguro pede para o paciente fazer fazem parte do processo de utilização do serviço. Espero não precisar usar novamente, mas já me sinto mais segura por saber que funciona bem.

Meu super companheiro de viagem atá nas situações mais inconvenientes!

Passaporte de menor com autorização

O Benício me acompanha nas viagens – nacionais e internacionais – desde que era bebê. Nas nossas andanças pelo mundo sempre levávamos o passaporte normal, sem a autorização já impressa nele. Para cada viagem era preciso solicitar a permissão do pai do Ben reconhecida em cartório, e todo esse processo às vezes era bem inconveniente, mas não havia outro jeito.

Quando decidi fazer essa viagem, pesquisei na internet se não existiam formas de ter a autorização no próprio passaporte, e descobri que desde 2014 os passaportes das crianças já podem ser emitidos com a autorização dos genitores especificada no próprio documento. Apesar de não ser uma mudança tão nova assim, muita gente ainda desconhece essa possibilidade. Por duas vezes, inclusive, ao apresentar a nossa documentação nos aeroportos, os próprios funcionários ficaram surpresos com a viabilidade de viajar sem precisar de um documento de autorização avulso.

Nessa pesquisa, vi que existem duas modalidades de autorização no próprio passaporte:

    • Autorização de viagem internacional com um dos genitores com autorização na página de identificação do passaporte. Essa modalidade autoriza que o menor viaje com apenas um dos genitores. Nesse caso, não há necessidade de apresentar a autorização no controle migratório na saída do país, caso a criança esteja com um dos pais.
  • Autorização de viagem internacional com um dos genitores ou desacompanhado com autorização na página de identificação do passaporte. Essa modalidade, assim como a anterior, permite que o menor viaje na companhia de apenas um dos pais, mas também autoriza a criança a viajar desacompanhada. Essa opção eu nem cheguei a cogitar porque, mesmo sendo uma pessoa super positiva, pensei na possibilidade de sequestro. Imagina o meu filho já ter a autorização para viajar com um estranho? Não, obrigada.

Além desses dois tipos de autorização, que já vêm impressos no passaporte, também é possível fazer o procedimento antigo e viajar com a autorização avulsa, caso a criança tenha um documento vigente emitido antes da liberação desse procedimento.

O processo é relativamente simples. Antes de emitir o passaporte, o responsável deve preencher o formulário disponibilizado no próprio site da Polícia Federal – Documentação para Menores de 18 Anos – e dar sequência ao processo normal de emissão do documento. É importante lembrar que o modelo deve ser autorizado pelos dois genitores (em casos de ausência ou de óbito de um dos pais, existem outros documentos que devem ser apresentados).

Talvez para algumas pessoas o mais complicado seja convencer um dos genitores a acompanhar a criança até a Polícia Federal para passar pelo procedimento de autorização. Para as mães que viajam sozinhas com crianças, esse procedimento é uma mão na roda e poupa bastante tempo e estresse desnecessário – afirmo isso por experiência própria!

Como escolher o seguro de viagem internacional

O seguro de viagem é o tipo de coisa que a gente reza para nunca precisar usar, mas viajar sem ele seria, no mínimo, uma atitude irresponsável, principalmente em uma viagem tão longa e na companhia de uma criança.

Nos grupos de viagens que participo, de vez em quando vejo algumas pessoas reclamando do alto custo desse tipo de serviço e dos riscos que elas preferem tomar viajando sem cobertura. Ninguém melhor do que a própria pessoa para saber quanto pode gastar e de quais luxos pode despender. Acima do meu ponto de vista como mãe, meu conselho como viajante para qualquer pessoa é: não viaje sem seguro! Não é luxo, é uma necessidade. Além do mais, alguns países não permitem a entrada de visitantes estrangeiros sem um seguro contratado. (Os países que fazem parte do Tratado de Schengen, por exemplo, estabelecem a obrigatoriedade de contratação de seguro com valor mínimo de 30.000 euros).

A gente passa tanto tempo programando o roteiro, planejando o orçamento, escolhendo passeios, selecionando hotéis, acompanhando de perto cada detalhe. Imagina tudo isso ir por água abaixo por causa de um imprevisto! Pode acontecer uma coisa boba, como uma dor de cabeça chata devido ao jet lag (e que pode ser facilmente resolvida com algum remédio da farmacinha). Mas já pensou se acontece algo mais sério, como uma crise de vesícula ou um tornozelo quebrado? É melhor estar preparado para os imprevistos e contratar um seguro do que depender da sorte e gastar uma pequena fortuna com o tratamento.

Desde que tomei a decisão de fazer essa viagem e comecei a pesquisar os destinos, coloquei o seguro na planilha de despesas e fiz várias cotações com operadoras de turismo, com o Bradesco Seguros, com os sites que oferecem o serviço pela internet e analisei o seguro do cartão de crédito. Depois de muito analisar, escolhemos o World Nomads, que saiu mais barato do que os demais e ainda pudemos selecionar todos os países por onde vamos passar. Além do mais, fora os países que estavam na nossa programação, o seguro do World Nomads também oferece cobertura para os cruzeiros marítimos.

Viajar com seguro garante a tranquilidade para os imprevistos.

Uma das coisas que eu buscava, pelo menos para essa viagem específica, era que a gente não precisasse ligar para agendar um atendimento. Com o serviço do World Nomads que escolhemos, basta se dirigir ao local para receber a assistência e depois enviar a nota para ressarcimento. Como essa é a primeira vez usando o seguro e ainda não foi necessário acioná-lo (e espero nunca precisar!), não tenho como avaliar. Ainda de acordo com as opiniões de outros viajantes, o contratempo que a maioria dos que precisaram acionar o seguro teve foi para receber o reembolso das despesas.

Independentemente da seguradora, é importante avaliar de antemão as regras para entrada em cada país que você vai visitar e escolher a partir daí. Mesmo nos países que não exigem seguro de viagem, é melhor incluir essa despesa no orçamento do que ter uma grande dor de cabeça depois. 

Malas prontas!

Já arrumei mala para um fim de semana, já organizei a bagagem para ficar fora algumas semanas, já fiz viagens um pouco mais longas de mochila nas costas. Mas encarar uma jornada de nove meses, passando por vários países, na companhia de uma criança é a primeira vez. E aí, o que levar na mala?

A primeira coisa a ter em mente é que não podemos levar “a nossa casa nas costas”, e a maior parte das nossas roupas, acessórios, brinquedos e pertences pessoais vai ter que ficar guardadinha esperando o nosso retorno. Por outro lado, também temos que levar em consideração que é muito tempo fora e que, nesse período, vamos passar por todas as estações e condições climáticas. No México, por exemplo, que é a nossa primeira parada, um calor de 27°C em média nos aguarda. Menos de um mês depois, nos Estados Unidos, estamos nos preparando para mínimas de 0°C. Sem falar nas oscilações de temperatura que também enfrentaremos na Europa posteriormente. Tantas variações se traduzem para dentro de nossa mala como “de tudo um pouco”, desde roupas de banho para o verão às peças mais pesadas para o inverno.

Estamos levando uma mochila híbrida de 60 litros da Osprey – modelo Sojourn pesando 22kg, uma mochila de combate para carregar no dia a dia e uma mochila de brinquedos (essa é para o Benício “ajudar a carregar” a bagagem). Os brinquedos, além de distração, vão ajudá-lo a matar a saudade de casa com objetos significativos para ele. Confesso que essa seleção de brinquedos está sendo uma tarefa bem difícil! E o que também está pesando na mala são os quatro livros escolares para estudos do Ben durante a nossa jornada. Nesse período, o sistema de estudo dele será através do homeschooling (falarei sobre o assunto futuramente), por isso esse peso na bagagem é inevitável. Ah, e não podemos esquecer da farmacinha e dos equipamentos eletrônicos, que também ocupam bastante espaço, mas são essenciais.

Malas à parte, todo esse processo de organização está sendo muito positivo para nós dois. Apesar de arrumar e desarrumar a mala várias vezes, conseguimos praticar o desapego e separamos mais de 80% das nossas roupas para doação. Isso nos fez confirmar que precisamos de muito pouco para sermos felizes!

Agora que a bagagem está quase pronta (só faltam algumas coisinhas que vamos deixar para guardar no dia da viagem), o friozinho na barriga aumenta à medida em que a contagem regressiva vai se aproximando do fim. Falta pouco!

Farmacinha de viagem

Viajar sozinha ainda pode ser um tabu para muita gente, talvez algo impensável para as mulheres que ainda se prendem às crenças limitantes de que não são capazes de se virar sem uma companhia ou que vibram na crença de que algo de ruim pode acontecer. Se para viajar sozinhas colocam tantos empecilhos, como poderiam cogitar a possibilidade de viajar apenas na companhia de um filho pequeno? A primeira mudança é acreditar que você pode, sim!

Eu nunca vibrei nessa energia de não poder fazer algo por ser mulher, por estar grávida ou por ser mãe solo. Pelo contrário, sempre criei expectativas de poder fazer tudo o que fazia antes de ser mãe, só que agora na companhia do meu Ben. Além de viajar quando estava grávida, fiz a primeira viagem com o meu pequeno para outro país quando ele tinha apenas 1 ano e 3 meses.

Na ocasião, o Benício já havia tomado as principais vacinas, mas eu ainda era super neurótica com as coisas dele e levei uma mala gigante, com várias comidinhas e todos os remédios possíveis e imagináveis. Quando a gente vai evoluindo, percebe que as coisas são bem mais fáceis e simples, mas como mãe zelosa, nunca deixo de levar uma farmacinha.

Estamos levando os poucos itens que julgamos essenciais para esse período. Felizmente, o Ben raramente adoece – acredito que por eu ter amamentado por tanto tempo – e o máximo que ele tem no frio é uma bronquiolite. Por precaução, sempre levo o Aerolin (junto com o espaçador), o Alivium (para febre e dores em decorrência da gripe), e alguns outros que vão mais como uma medida cautelosa do que por real necessidade.

Recebemos de alguns viajantes outras dicas de medicamentos a levar, como antialérgico e antibiótico (embora o Benício nunca tenha precisado), além da dica de imunizar o corpo tomando bastante vitamina C algumas semanas antes da viagem.

Vale salientar que não é recomendado comprar remédios aleatoriamente. Os medicamentos que estamos levando e que citamos aqui no post sãos os que costumamos usar sempre e/ou que foram recomendados pelo nosso médico. Como passaremos muito tempo fora, não será possível comprar alguns desses em outros países, portanto achamos prudente levá-los.

Escolhendo os destinos da viagem

Para onde ir? Por qual rota começar a nossa jornada? Quanto tempo passar em cada lugar? Será que o Ben vai se adaptar numa boa? Dúvidas, dúvidas e mais dúvidas! Se até os viajantes mais frequentes enfrentam algumas incertezas de vez em quando, imagina para uma mãe que está viajando sozinha com uma criança. Podemos (e devemos!) pensar na parte boa da viagem, mas é preciso também levar em consideração a nossa segurança e o bem-estar do pequeno, daí a necessidade de comprometimento e responsabilidade ao eleger pelo menos os primeiros destinos.

Foram meses de planejamento, ideias de roteiros, avaliações de clima para levar roupas leves em uma mochila de 60 litros para duas pessoas. Só de pesquisa já deu para fazer algumas viagens de volta ao mundo. Estudamos juntos cada destino para saber como é o clima, a cultura local e se o lugar tem atrações interessantes para a idade do Ben (principalmente parques de diversões, que ele adora!), mas chega um momento em que a gente precisa seguir a nossa intuição e parar de procurar por novas alternativas. É quando entra a atitude!

A nossa ideia inicial era conhecer todos os continentes nessa trajetória. Eu e o Benício nos entusiasmamos e começamos a pesquisar alguns países na Ásia e na Oceania – eu queria incluir a Tailândia no roteiro, o Ben queria conhecer a Austrália e a Nova Zelândia. O problema é que essa “parte do mundo” ficaria para o final da viagem, então imagina o cansaço, depois de meses viajando e com o corpo já debilitado pelas mudanças de clima e fuso, ainda ter que encarar um voo de 30 horas para chegar em casa! Não, obrigada. Optamos por deixar essa rota para o futuro.

Avaliando todos os itens descritos, decidimos por onde iniciaríamos esse período sabático: um lugar mais perto e com mais opções de voos, optamos pelos Estados Unidos. Pesquisamos as passagens para Miami com a intenção de esticar a nossa rota dentro das terras do Tio Sam para outros estados. E aí, numa daquelas reviravoltas de planejamento, descobrimos que entrar pelo México ficaria mais barato ainda. Dá para imaginar a nossa felicidade diante do “sacrifício” de ter que curtir Cancun, Playa del Carmen e redondezas antes de adentrar em solo norte-americano? Passagens compradas e início do roteiro definido: México, aí vamos nós. Arriba!

Depois de viajar pelos EUA, também estamos planejando ir ao Canadá, mas essa parte ainda está em aberto. Tudo vai depender da questão da liberação da entrada no país pelos portadores do visto americano, que parece iniciar em 1º de maio de 2017. Serão dois meses e meio de viagem, de verão a inverno no caminho, quando finalmente entraremos na Europa pela Islândia – outro destino que partiu do interesse do Benício (e que só muito tempo depois eu descobri que ele queria dizer Irlanda), –  faremos uma parada estratégica em Londres antes de dar uma pausa para descansar na Suíça, onde o meu marido mora e que servirá de base para mochilas mais leves e viagens mais curtas pelos países vizinhos.

Mas a Suíça não é o nosso destino final. Ainda tem muito chão – terra, mar e céu – pela frente. Acompanhem nossas aventuras!