A adaptação com filho em outro país

Uma das questões mais recorrentes que surgem no bate papo do dia a dia é sobre como está sendo a adaptação de vida em outro país, da minha parte, e da parte do Benício. Muitas mães que me acompanham, casadas ou solteiras, querem saber um pouco mais de como temos lidado com as diferenças culturais e todo o pacote que vem junto com uma nova vida.

Um dos belos lugares por onde passamos: Lago de Genebra, na Suíça.

Fico bem feliz em poder compartilhar as peripécias dessa mudança, mas quero lembrar que essa é apenas a minha versão e realidade sobre a adaptação. Para cada outro indivíduo diferente de mim, e até a mim mesma em uma outra época, tudo será e seria diferente.

Então meu propósito aqui é de conversar com vocês de forma sincera e aberta, e com toda a vibração positiva para que essas reflexões inspirem quem está a poucos ou longos passos de tomar uma atitude de recomeçar a vida em outra cidade, estado ou país.

Esse momento, lugar e sorriso, jamais se repetirão! Escreva sua própria história e realidade!

Eu e o Benício já visitamos a Suíça inúmeras vezes antes de iniciarmos uma nova vida aqui, e isso certamente nos deu oportunidade de vir para cá já tendo amigos e conhecidos, o que de cara já eliminou o maior “ponto negativo” da mudança de país, principalmente se tratando da Suíça, que o maior caso de infelicidade ou insatisfação para expatriados é a dificuldade de criar laços, fazer amizades e se sentir aceito (comprovado por pesquisas no país).

Os amigos do meu marido (suíço) são pessoas muito boas, altamente receptivas e que sempre nos trataram com muito carinho, do jeito deles. E já faz 12 anos que eu e meu marido nos conhecemos, portanto sempre que vínhamos para a Suíça passear, eu acabava fazendo algo com as esposas – aqui elas saem muito em meninas – e depois com filhos, combinávamos alguma forma de nos encontrarmos também.

Para facilitar ainda mais, meu marido tem sobrinhos com idade próxima a do Benício, ou seja, ele mata um pouco da saudade das primas do Brasil quando encontra os primos daqui. Resumindo: o que não faltam são pessoas queridas que tem bons sentimento por nós, e estão aqui “para o que der e vier”, quando necessário. Sem contar nos avós e tios postiços suíços que torcem e se oferecem a apoiar no que for preciso.

Desbravando cidades com o primo Gordon.

Os suíços que eu e o Ben conhecemos até então são sinceros e solícitos, mas muito na deles também. Possivelmente jamais pedirão sua ajuda. É cultural. E se pedirem, é porque confiam mesmo em você. E aqui, confiança é o coração de uma boa amizade. Aliás, em qualquer lugar, não é mesmo? O que ninguém faz aqui é invadir o espaço do outro. O respeito é como o sangue que pulsa nas veias.

Quando você faz uma amizade verdadeira, é para valer. Assim como no Brasil. Eu particularmente sempre fui de poucos, mas bons amigos. Adorava o fato de estar cercada apenas de pessoas especiais e com quem eu queria mesmo compartilhar minha vida, até porque eu falo demais sobre o que sinto e penso.

Viu como falo demais?

Escolha a sua vida!

Voltando ao tema “adaptação”.

Estamos efetivamente vivendo na Suíça desde final de Julho deste ano (2017), mas saímos de casa (Brasil) no início de março. Desapegamos de muita coisa que não fazia mais sentido pra gente, e até muitas outras que perceberíamos mais tarde que eram desnecessárias também. Éramos eu, Benício e uma baita mochila/mala de rodinhas contendo tudo que precisávamos (ou eu achava que precisaríamos) para alguns meses viajando rumo ao desconhecido, e uma mochila de costas. Digo desconhecido pois, apenas de rotas programadas, não sabíamos como seriam essas descobertas e aventuras, e deixamos brecha para novas possibilidades.

Tomando conta dos nossos pertences!

E com isso, tivemos que nos adaptar a muitas coisas: a estarmos 24 horas por dia juntos, a sermos melhores amigos, a controlar a saudade, a ter paciência (ô coisa difícil), a degustar novos alimentos, a confiar em nossa intuição, a não deixar se abater pelos problemas no caminho, a ter atitude para tomar novas e importantes decisões, a encarar más escolhas, a chorar quando preciso, a pedir ajuda, a sorrir sem motivos, e muito mais. Parece que só listei aqui a parte ruim né? Mas de uma coisa hoje eu tenho certeza: foi através das nossas experiências maquiadas como as piores, que tivemos os mais incríveis e reais aprendizados, e consequentemente, nosso amadurecimento. Os desafios nos abriram os olhos e caminhos, e por isso sou grata por tudo que o Universo nos faz enfrentar.

Nossas sombras estão por todos os lados, e refletem nossos mais obscuros anseios e condicionamentos.

Então, após inúmeras vivências confusas, felizes, assustadoras, inesperadas e desejadas, decidimos radicalizar e moldamos os planos, para ao invés de voltar ao Brasil após o período sabático, mudarmos para a Suíça.

Tudo parecia fazer sentido. Estaríamos novamente com a família unida (eu, filhote e marido), em convívio diário e com todas as suas diferenças culturais. Sim, seria um baita desafio, mas essa palavra tem sido instigante para mim.

Curtindo o carinho dos avó em uma das visitas aqui na Suíça, em Berna.

Convencemos (entre aspas) minha família no Brasil de que o plano daria certo. O pai biológico do Benício permitiu essa nova jornada e tivemos assim, apoio de quem mais precisávamos para seguir nossos caminhos. Com suporte de quem se ama, tudo flui magicamente melhor.

Sabe aquele ditado que diz que “a gente só dá valor quando perde”? Isso é bem relativo e ao mesmo tempo super importante. Com a distância física de algumas pessoas da família, nós também perdemos a mente robótica de julgamentos, estresse, imparcialidade e saímos do piloto automático. Estar com em contato com a família através de vídeos pelo celular, ligações ou alguns poucas visitas, elevou absurdamente o nível de amor e afeto compartilhado, e transformou significativamente as nossas relações pessoais. Há muito menos discórdias e discussões. Há mais desejos de passar o tempo que se tem, da melhor maneira possível. Aprendemos muito mais sobre compaixão e cumplicidade. A distância uniu cada um de nós num mesmo propósito de prosperidade, confiança e esperança. A zona de conforto deu vez para o conforto dos abraços quando estamos juntos com quem amamos e sentimos saudades.

A distância física ensina o que é o amor verdadeiro, sem pressão, posse ou obrigação. Ama-se com leveza e consentimento . Com sentimento!

Chegamos com toda estrutura já montada, afinal, meu marido já estava vivendo na Suíça enquanto eu e o Benício havíamos ficado no Brasil. Então no início não foi uma loucura de corrida atrás de apartamento, mobiliário e afins. Apenas tivemos que eleger um novo apartamento com denominação familiar como uma das exigências do pedido de visto ao consulado Suíço. Alguns detalhes apenas foram sendo avaliados e decididos juntamente em família. E tudo acontecia tão perfeitamente que dava medo. Me lembro quando planejamos há 1 ano e meio atrás a vinda para a Suíça, e eu me apeguei a uma região no mapa e disse a mim mesma e a todos: “Me vejo morando nessa quadra, e o Benício estudando nessa escola”. E você acha que isso aconteceu? Claro! Minha intenção e energia foram tão intensas e sinceras que o Universo conspirou a favor. Já estava escrito em algum lugar e minha intuição, sexto sentido ou feeling, já denunciavam.

Nosso meio de transporte mais emocionante.

O período em que chegamos na Suíça para viver, era de férias de verão (fim de Julho). Prontamente já havíamos matriculado o Benício para estudar assim que o ano letivo – que inicia em agosto aqui – iniciasse. Como trocaríamos de apartamento e de cidade, optamos por uma escola mais longe da residência inicial, porém há apenas 5 minutos da futura moradia. Seriam apenas 35 dias de transição e correria para chegar a escola. Mas tudo era tranquilo e estávamos com muita energia para esse recomeço.

Durante todo o processo de pedido de visto, visita a central de integração de imigrantes, idas ao mercado sem falar uma palavra em alemão (estamos no cantão de Zurique, que é a parte alemã do país), compra de ticket de ônibus e trem, abertura de conta bancária, e até os simples horários de meios de transportes cronometricamente estipulados, já dá pra perceber um dos grandes diferenciais culturais daqui: que as coisas funcionam. E sem muitas delongas. Você consegue fazer tudo sozinho, sem ter que falar a língua materna. Mas, claro, que isso graças a língua inglesa ser curricular no ensino do país e pré-requisito na maioria dos empregos, principalmente nos diretamente ligados ao turismo.

O caminhão que levou nossa mudança.

Ao mesmo tempo em que tudo funciona de forma organizada e controlada, quando algo sai da normalidade, é motivo de dor de cabeça na certa. Os suíços não foram educados para “apagar incêndio” como no Brasil. A pensar em planos B, C ou D. Ali é plano A ou nó na cabeça! Mas nada que a nossa insistência não auxilie. Eu prefiro também não ter que enlouquecer para fazer coisas simples do dia a dia.

Aliás, a parte mais difícil por enquanto na adaptação está sendo ter que agendar compromissos com amigos com um mês, semanas ou longos dias de antecedência. Eu sempre tive a mania de decidir em cima da hora se ia ou não a algum apontamento. Brincadeiras à parte, essa parte é fogo! (risos)

Ser e Estar presente é o melhor presente!

A cordialidade e respeito das pessoas que nem se conhecem é linda. Moramos em cidades pequenas de interior e todos na rua, quando se cruzam, educadamente se cumprimentam. Principalmente crianças e idosos. É lindo!

O início da escola foi o melhor que poderíamos imaginar. A escola acolheu o Benício com muito amor e respeito, com planos e desejos de que ele se sentisse integrado desde o início. Não teve privilégios, mas a atenção que eles dão a tudo e a todos. Em pouco mais de um mês frequentando a escola, já tem noção de alemão, arranha o espanhol  (para conversar com o amigo da sala que é filho de italiana com espanhol) e ja entende mais o inglês, que é a língua que a mamãe fala por ainda não falar a língua alemã, e que falamos por meses durante nosso sabático. Onde ele aprenderia assim rápido tantas línguas diferentes? Levariam meses ou anos em um curso de idiomas no Brasil.

Pura alegria no primeiro dia de aula na Suíça.

Sobre a escola, que até mesmo inseriu na grade de educadores uma professora filha de mãe brasileira e que fala português, por exemplo hoje, para complementar essa minha afeição pela forma com que tratam meu filho, tivemos em casa a visita de sua professora. Após 4 dias faltando a escola por causa de febre, me ofereci a ir a escola pegar as tarefas. O que recebi depois foi um ato de amor: “querida, não se preocupe! Eu levo as atividades dele esta tarde”. E ela veio! Tocou a campainha, subiu 3 lances de escada até chegar em nossa casa, conversou com o Benício apenas em alemão, ele entendeu praticamente tudo, conheceu seu quarto, sentou junto a ele na mesa de estudos e fez um breve resumo de tudo que ensinou aos colegas de classe, entregando posteriormente as atividades para a próxima semana.

Fazendo as atividades após a visita da Professora.

Tudo tem sido intenso e especial. Claro que, como falei no início, essa é a minha realidade. Me sinto privilegiada em ter minha família apoiando de todas as formas e torcendo de longe, termos amigos queridos ao redor, um lar tranquilo, e acima de tudo, um filho que tem curiosidade em aprender, não se entrega tão fácil pela barreira da língua, vibra a cada nova amizade, se entrega e tem autoconfiança. Obviamente tem seus momentos de incertezas, saudosismo e vários outros sentimentos. Pensa que nunca vai falar a língua, que era mais feliz no Brasil, mas são pensamentos sadios e normais que o fazem, em determinado ponto, deixar o vitimismo de lado e se tornar, aos poucos, protagonista da própria história.

Um menino de ouro, sendo lapidado como todas as crianças por aqui e por aí. A gente, adulto, que às vezes estraga, por estarmos cheios de crenças e condicionamentos.

Eu ainda não estou trabalhando e não comecei com firmeza meu curso de alemão. Nesses 3 meses que estamos aqui, já recebemos visita de parte da família do Brasil por  duas vezes, fomos ao Brasil uma vez, nos mudamos de casa outra vez. Falta parar esse vai e vem, dar um chega pra lá na procrastinação e começar a me integrar aqui. Ah, e o inverno pesado ainda não chegou… talvez eu reescreva esse texto em alguns meses (ou seriam semanas?)

Ficamos em casa de amigos durante a transição de apartamento: entrega de chaves do antigo e recebimento do novo.

Tenho projetos de empreender aqui, com mil e uma ideias mirabolantes. Estou em fase de tempestade de ideias e planejamento delas. Também estou em processo de correção de um livro com histórias baseadas em fatos reais e cheias de surpresas e aventuras, que em breve devo decidir o que fazer com esse meu carinhoso livro, que surgiu de um resgate de mim mesma quando dei um profundo mergulho nas minhas histórias e experiências, rumo ao autoconhecimento. Sinto-me orgulhosa e grata por cada uma das trajetórias que me guiaram até o momento presente. Será um prazer compartilhar com vocês!!!

Abra-se para as oportunidades da vida.

Você só vai saber como será a SUA ADAPTAÇÃO em qualquer situação na vida, quando vive-la! Que as suas buscas por pessoas que decidiram resignificar e realinhar sua história a uma nova terra, sejam de pura inspiração, e jamais de mutilação de sonhos!

Seja co-criador do caminho que genuinamente almeja. Já se imagine vivendo a vida que deseja! Me conte nos comentários qual a vida que gostaria de estar apreciando nesse momento, mas o medo e a insegurança te paralisam de realizar? Segura na minha mão e vem que a gente se ajuda.

Aliás, tem muita referência bacaníssima na internet e que servirá como um empurrãozinho pra você, mas lembre-se que muito mais do que seguir alguém ou o que falam (tipo eu), é se deixar guiar pelo coração! O resto vem com a sintonia do brilho dos olhos e batimentos cardíacos em ritmo de festa. Falei muito sobre isso no post anterior. Menos expectativa, mais ação. E de tudo que eu poderia falar para vocês sobre recomeçar em outro país ou viajar com filhos, sugiro que leiam essas reflexões pessoais.

Um brinde às infinitas possibilidades!

Forte abraço,

Mamãe do Ben

Saia da sua zona de conforto

O que impulsiona as pessoas a viajar? O que nos leva a sair de nossas zonas de conforto e dar o primeiro passo rumo ao desconhecido?

Big Ben e Little Ben.

Acredito que para cada pessoa a resposta será diferente, mas o sentido o mesmo: se reencontrar. Muitas talvez nem saibam disso quando saem em busca “de algo”, mas em algum momento essa sensação de renascimento surgirá. E é aí que a verdadeira VIAGEM começa. Aquela que se faz de dentro pra fora.

A partir daí, mudam-se perspectivas, prioridades e pré conceitos. A forma com quem você começa a compreender o Mundo ao seu redor envolve mais consciência e compaixão, desapego e realização.

Aquilo que você pensava precisar lá atrás, já não importa mais. Você incrivelmente tende a se tornar mais prático, menos detalhista e mais whatever – sem se importar tanto com o que os outros vão pensar ou falar sobre suas atitudes.

Benício aguardando o jato de água quente e vapor do Géiser em Haukadalur, na Islândia.

E esse, para mim, é o real significado de liberdade: libertar-se da chatice de tanto se importar. É deixar suas ideias transitarem livremente pelo seu cérebro, independente delas serem ideias tolas ou geniais. Permitir-se ser quem você é, não quem as pessoas acham que você deveria ser.

A bagagem duplicou quando partimos dos EUA, pois já estávamos a caminho da Suíça (Q.G.)

É tomar decisões e ter atitude, mas ao mesmo tempo, ter total responsabilidade pelo caminho que optar. E, se houver falha no trajeto, ter a humildade de refletir sobre e recomeçar.

Uma viagem pode nos transformar!!!

Menos expectativa, mais ação

A parte mais difícil dos meus últimos dias tem sido deitar a cabeça no travesseiro e dormir. Não consigo me desligar, mas sei que não é insônia.

Minha mente parece um carrossel maluco cheio de pensamentos e ideias, mas fico estagnada sem saber por onde começar. Essa noite decidi pegar um caderno e caneta para escrever sobre o que estava matutando. Foi quando lembrei do início dos meus planos em viajar com meu filho pelo Mundo.

Benício e mamãe em uma parceria cheia de esperanças

Eu tinha uma expectativa absurda com esse período sabático. Me planejei de forma “administrativa” e acabei deixando a intuição de lado. E foi a partir dessa “falha” que o caminho muitas vezes foi tortuoso. Sim, eu fechei os olhos para meu sexto sentido e muitas vezes deixei o medo ser meu guia. Até mesmo à intuição do meu filho, meu fiel parceiro de viagem nessa aventura, eu não dei ouvidos: “Ele é só uma criança “, eu pensava, e hoje percebo que o Universo me mostrou muitos caminhos através dele, e eu esperei respostas da vida por outras maneiras. E as tive, não tão carinhosas como as que vieram do BEN.

Compreendi ali o quanto nos tornamos responsáveis pela expectativa que cultivamos.

Descobrindo um Mundo de aprendizados com ele

Em diversos momentos eu investi minhas decisões pautada em vivências de outros viajantes pelo Mundo, sem me dar conta de que só eu poderia escrever a história que eu e meu filho estávamos vivendo, que ninguém nunca esteve naquele dia, hora e local, além de nós, sendo nós!

E foi a partir daí que eu comecei a temer a ideia de escrever minhas experiências em um blog ou alguma rede social. Eu travei! Não queria ser o exemplo de acerto ou erro de alguém.

O primeiro comentário do meu blog (que tiveram apenas dois, até hoje) foi de uma seguidora que se sentiu decepcionada por eu ter prometido falar sobre meu planejamento e vivências durante um período viajando o Mundo sozinha com meu filho e, percebeu que eu tive muitas dificuldades e estava me questionava sobre o por quê de eu ter iniciado essa jornada. Me disse que decidiu, em razão da MINHA EXPERIÊNCIA, que o sonho dela deveria ficar adormecido, pois “não era fácil “. (Quem disse que seria, não é mesmo?)

Você é co-responsável pela sua vida. Cocrie a realidade que deseja!

Ao mesmo tempo em que aquilo me fez desmoronar e me trazer a tona um sentimento de culpa, larguei o vitimismo e me tornei mais forte com aquela situação. Eu não desisti. E persisti com muita consciência de que tudo faria sentido um dia. E fez! O que parecia uma fuga ou busca frenética pelo desconhecido, transformou nossas vidas para sempre! Se eu queria me sentir mais livre, não deveria estar me auto pressionando para dar respostas ou mostrar uma falsa realidade nas redes sociais para alimentar com hipocrisia uma  imagem distorcida do que estávamos vivendo. As máscaras já não me caiam mais bem. Eu as havia deixado no Brasil, quando partimos, em 4 de março de 2017.

Uma coisa eu posso dizer com toda a certeza do mundo: o Universo vai sempre conspirar a seu favor se você se abrir para a vida. Quando você se liberta de você mesmo, das suas próprias amarras, “pré-conceitos”, falsas limitações e medo, tudo flui.

Não, não será tudo rosas. Mas rosas têm espinhos e isso não as deixa menos belas ou mais fracas. Os espinhos tem função essencial em sua existência, assim como um caminho com lombadas, curvas e buracos, também fará na nossa, na sua.

Equilíbrio entre corpo e mente: o amadurecimento na jornada é notável!

A vida segue em frente. Sim, ENFRENTE!!!
Enfrente seus medos e dúvidas. Aliás, a dúvida é saudável até certo ponto. Que bom ter opções, mas lembre de se deixar guiar pelo coração! A razão é traiçoeira, mas é ao mesmo tempo necessária para equilibrar a vida.

Recorde -se de onde veio, quem você é, ou quem você deixou de ser quando cresceu. Cuidado com o que fará com o que fizeram com você. Perdoe. A si mesmo e ao que a vida lhe proporcionou. Um dia, como eu disse, tudo fará sentido.

Sonhe, idealize e principalmente, realize. Quantas vezes quiser e do tamanho que desejar! Queira o horizonte, mesmo que alguém já tinha ido lá – ou não. Se vai dar certo ou não, é outro assunto. E se não der, recomece novamente.

Erros e acertos são degraus de crescimento para cada história de vida e moldam quem você é.

Todos nós precisamos de espaço e um momento a sós.

Não se entregue ao comodismo, saia já dá sua zona de conforto e assuma as rédeas da sua própria realidade.

O mundo não precisa acreditar em você. Você se basta! Use isso para fazer o bem, a você e ao seu redor. Se é para inspirar alguém, que seja através da sua garra, atitude e força. Ou até da sua fraqueza. Não se esconda a partir de uma decepção, tristeza ou medo, e lembre-se que você pode chorar, e então aproveite para que essas lágrimas reguem suas raízes, para que assim você floresça ainda mais vigorosa (o)!

Mantenha o comando da sua vida, mas deixa ela te surpreender. O tempo está aí batendo a sua porta e tudo que você precisa fazer é convidá -lo para entrar e recebê -lo com coragem e amor.

Não são só as portas que se abrem… esteja atento aos sinais!!!

Grande abraço com todo o meu carinho e gratidão!!!

Novas experiências, novas sinapses

No Skydeck da Willis Tower, em Chicago. Experiência de alto nível – literalmente!

Uma das coisas que considero extremamente positiva numa viagem é a oportunidade de observar, aprender e vivenciar coisas novas a todo momento. Do ponto de vista puramente turístico, sem a necessidade ou a consciência de transformar a viagem em uma jornada de autoconhecimento, essas novas vivências por si só já são altamente benéficas (quem nunca falou ou ouviu alguém dizer que respirar novos ares revigora o espírito?). Só em estar em um ambiente diferente, vendo outras pessoas, experimentando novos sabores e fazendo coisas que normalmente não fazemos, cria uma atmosfera de positividade, dá aquela sensação gostosa de liberdade. Quando nos permitimos viver esses momentos com consciência e nos abrimos para criar novas sinapses, as experiências se tornam ainda mais intensas.

Mas o que são sinapses?

Nós percebemos a nossa realidade através de valores e crenças que absorvemos ao longo da vida. Temos cerca de 60 a 70 mil pensamentos por dia, mas o nosso cérebro se acomoda aos padrões já aprendidos, uma mente pré-condicionada a pensar e a se comportar de determinada maneira. Em meio a tantos pensamentos, acabamos nos prendendo às mesmas concepções e aos mesmos comportamentos de sempre por puro comodismo do cérebro. Ilustrando de forma simples, é como se os nossos neurônios fossem trabalhadores que executam a mesma tarefa todo santo dia, uma coisa que de tão repetitiva se torna automática. Quando mudamos o nosso padrão de pensamento ou vivenciamos novas experiências, os neurônios despertam e dizem “opa, isso aí é novidade!”, e criam novas conexões com outros neurônios. É esse vínculo que chamamos de sinapses – ou conexões sinápticas.

Quando aprendemos algo novo ou vivenciamos coisas diferentes, estamos realizando novas sinapses, e cada conexão ajuda a ampliar nosso campo de visão e dar novos estímulos ao cérebro. É essencial, no entanto, que a gente continue a exercitar esses estímulos para expandir os pensamentos, que nos levam a novas escolhas, novas experiências e mudanças no comportamento.

Novas sinapses na viagem

Não é preciso viajar para criar novas sinapses, mas só o fato de estarmos em um lugar diferente, absorvendo informações inéditas ao nosso cérebro, já é um grande estímulo. As experiências que o universo nos oferece são ilimitadas, e eu e o Benício temos buscado aproveitá-las ao máximo durante essa jornada.

Um dos novos conhecimentos para os quais o Ben se abriu foi o de manusear uma máquina de costura durante a nossa estadia em Newton (em Massachusetts, nos EUA, pertinho de Boston). De início ele ficou um pouco receoso, dentro daquela crença limitante de que costurar é “coisa de menina”, mas depois a empolgação tomou conta e ele produziu sua própria Póke Ball e uma almofada com a inicial do nome. A experiência foi tão positiva que no mesmo dia, antes de dormir, ele perguntou se poderíamos ter uma máquina de costura em casa para o caso de alguma roupa ou almofada rasgar.

Ainda temos bastante chão pela frente durante essa viagem, e essa perspectiva de novos aprendizados é um dos combustíveis que nos move e nos ajuda a seguir adiante.

Balanço da viagem: 1 mês

Se fosse preciso colocar uma vela para cada emoção vivenciada no nosso primeiro mês de viagem, talvez nem desse para ver direito o bolo. Hoje eu e o Ben comemoramos o primeiro “animesário” – há exatamente um mês deixávamos nossa boa vida, família, amigos, trabalho e rotina no Brasil para iniciar uma jornada de volta ao centro das nossas vidas, um resgate à minha essência adormecida.

Acho que nem eu tinha noção do que me esperava nesse período sabático. Alguma coisa me chamava para isso, mesmo sem eu saber o propósito real dessa experiência. Eu não tinha exatamente um ‘sonho’ de viajar, mas quando estava grávida eu imaginei que em algum momento da minha vida faria essa viagem quando o Benício estivesse maior.

Acredito que tudo o que acontece na vida são respostas que o universo dá aos nossos questionamentos. Sempre estive aberta a receber essas respostas, mas só agora consigo enxergá-las com mais clareza por estar conseguindo fazer as perguntas certas. E o que isso tem a ver com o propósito da viagem? Acho que essa foi a forma do universo me mostrar que eu precisava me redescobrir como mãe.

Apesar de estar quase sempre com o Benício, sinto que falhei na educação dele por deixá-lo um pouco solto. Venho de uma base muito estruturada, meus pais sempre batalharam muito para proporcionar uma boa vida à nossa família. Talvez pela facilidade que eu tive – e abro um adendo para dizer que não culpo os meus pais e, tampouco, estou reclamando – acho que acabei passando esse estilo de vida mais ‘folgado’ para o Ben (do tipo, se ele bagunçava o quarto, tinha uma funcionária em casa para arrumar). Nessa viagem eu percebo como a educação dele deveria ter sido diferente.

O Benício é uma criança boa e inteligente, mas vejo que alguns aspectos da educação dele foram negligenciados por mim. Eu costumava passar o dia no trabalho, enquanto, pela manhã, ele ficava em casa e à tarde ia para a escola. No fim do dia ambos já estávamos tão cansados para brincar e conversar, que aquela interação entre mãe filho era praticamente inexistente. Agora, que não temos outras pessoas da família ao redor e nem funcionários para fazer as coisas por nós, só podemos contar um com o outro. “Precisamos ser melhores amigos, parceiros de verdade”, foi o que falei para ele logo no início dessa jornada. São muitas mudanças e ele está tendo que se virar como gente grande.

De boa em NYC. Celebrando o primeiro mês de viagem na Big Apple.

Dizem que até os sete anos é o momento para educar, formar os valores de uma criança, então acredito que essa jornada tenha vindo em um momento importante para nós – o meu crescimento como mãe e o senso de responsabilidade dele. Estamos juntos 24 horas por dia, e eu imaginei que fosse ser complicado e cansativo, mas eu agora percebo que tudo o que ele quer e precisa é de compreensão em relação aos sentimentos dele. Não são apenas novos lugares que estamos conhecendo, são pessoas, climas, sabores, costumes, perrengues… Tudo isso gera um mix tão grande de emoções, que eu agora me dou conta de que essa viagem é mais uma grande oportunidade de reflexão do que de turismo. 

Me redescobrir como mãe, fazer o Ben entender as responsabilidades e consequências das atitudes dele, estreitar os vínculos entre mãe e filho, compartilhar a vida real para mostrar que nem tudo são flores nessa jornada – talvez o propósito da nossa viagem seja cada uma dessas coisas. O que posso dizer, com absoluta certeza, é que cada passo dado é um novo aprendizado, e todo o amor que sinto pelo meu filho só aumenta a cada dia. Que venham os próximos meses das Viagens do Ben!

Perrengues em Cancún #perrenguesdeviagem

Todo mundo que viaja espera que tudo saia perfeito. Comigo e com o Benício não é diferente. Sempre viajamos com o pensamento de que tudo vai dar certo e tentamos manter a vibração em alta, mas nem sempre as coisas saem conforme o planejado. Nessas horas, é preciso ter um pouco de jogo de cintura para enfrentar os contratempos e lembrar que não é o universo se voltando contra nós, é apenas uma forma de dizer que por trás daquela situação temos algo de importante para aprender.

Como a ideia do blog é compartilhar experiências, nada mais justo do que dividir as boas e as não tão boas assim. A intenção não é desanimar ninguém, e sim alertar as pessoas sobre possíveis adversidades que possam surgir no meio do caminho, como aconteceu conosco no México, bem no início da nossa aventura.

Parecia um prenúncio. Apesar do voo tranquilo de Bogotá para Cancún, passamos por umas nuvens bem carregadas que causaram uma turbulência que nos deixou assustados. Já cansados das mudanças de avião e de aeroportos, e desejando cair em cima de uma cama, passamos um tempão esperando as bagagens – e nada de liberarem! Nos deparamos com carros de polícia e cães farejadores procurando por algo alucinadamente nas malas, sem nada encontrarem. Malas enfim liberadas, hora de pegar um Uber para ir à casa que alugamos por uma noite.

Eu não havia pensando na possibilidade de não poder pegar um Uber (mais tarde eu viria a saber que a guerra entre taxistas e motoristas de Uber é bem complicada em Cancún). Naquele momento, tudo o que a gente queria era sair do aeroporto e ir para casa, então, depois de muita negociação, acabamos fechando com um táxi. Veio um cara muito estranho nos levar, e não era a mesma pessoa com quem havíamos conversado. Ele não fazia ideia de onde era o local indicado e eu pedi que ele colocasse no GPS ou Waze para chegar lá. Ele disse que odiava GPS e não tinha, me mandou usar o meu. O cara dava medo! Acabei habilitando a minha internet do Brasil (foram os R$ 25,00 mais bem pagos!) e fomos.

A tranquilidade de estar no hotel depois de uma noite de perrengues.

O local era sombrio, assustador. Eu e o Ben só rezávamos! Mas pior mesmo foi chegar na casa que alugamos pelo Booking.com, que era super bem avaliada por famílias no site. Como era perto do aeroporto e chegaríamos às 20h, eu tinha pensado em um lugar só pra dormir. Quando olhei para aquele lugar, a única palavra que passou pela minha mente foi “ferrou!”. Era o pior lugar em que já estivemos. Era, na verdade, um flat sujo e inacabado no meio de uma construção e mato. Falei pro Benício “Vamos subir e dar um jeito de chamar um Uber para ir embora”. Avisei ao dono do flat que ia levar as malas porque ia jantar com uns amigos (fictícios) que tinham um quarto livre, e se quiséssemos prolongar a noite ficaríamos por lá mesmo. Orientei o Ben para que ele confirmasse tudo o que eu falasse, porque sabe Deus o que poderia passar na cabeça daquele cidadão!

Foi uma busca insana para ver se o Uber ia naquele fim de mundo. Depois de muita apreensão – e tentando manter a calma para não passar pro Benício a dimensão da preocupação que eu estava sentindo – o Uber chegou! Eram 22h, e a motorista era uma mulher, que nos confidenciou que achou que não fosse sair viva daquele local. Graças às forças que regem o universo, chegamos no hotel sãos e salvos.

Aplicativos essenciais para a viagem

Dizem que as mulheres carregam a vida dentro de uma bolsa, mas a verdade, atualmente, é que todo mundo – mulheres e homens de todas as idades – carrega a vida é dentro de um smartphone. E nem quem viaja consegue se desligar totalmente desses aparelhos, porque, afinal de contas, a vida não para – e nem as contas deixam de chegar!

No post Equipamentos eletrônicos: o que levar?, comentei que estamos com dois aparelhos: um iPhone, que fica mais com o Ben (basicamente para jogos, fotos e distrações), e o Samsung Galaxy S7, o encarregado de levar todos os aplicativos e informações úteis.

Para falar sobre alguns desses aplicativos, dividi em categorias para compartilhar informações sobre os que mais uso e recomendo:

Finanças

Não tem como escapar! O período longe de casa é longo, mas, mesmo à distância, é preciso ter controle das contas. Além das transações convencionais, através dos aplicativos de Internet Banking é possível solicitar cartões de crédito e fazer transações de câmbio. Os dois bancos que utilizo são Itaú e Santander.

Utilitários

Dropbox – Se você não conhece o Dropbox, deveria, porque esse aplicativo é uma mão na roda! Ele é uma espécie de nuvem, e os arquivos que você coloca nele ficam disponíveis para serem acessados de qualquer dispositivo através do seu e-mail e senha. Dá para criar pastas compartilhadas também, o que significa que sempre que outro usuário alterar um arquivo existente ou adicionar um novo, você, de onde estiver, vai conseguir visualizar.

Microsoft Office – Nossos bons e velhos conhecidos Word, Excel, Outlook… O Word, por exemplo, me ajuda bastante na hora de escrever as informações a serem usadas nos posts aqui do blog.

CamScanner – Não é sempre que preciso usar, mas achei bem interessante. O CamScanner transforma qualquer documento em um arquivo em PDF, como se tivesse sido escaneado, e pesa bem menos do que fotografar cada página ou lado do documento. Além do mais, em vez de ter várias fotos, fica tudo condensado em um só arquivo.

Fotos e vídeos

Quik – Esse aplicativo foi uma feliz descoberta. Ele é o editor de vídeo da GoPro, mas não funciona apenas com as fotos e vídeos feitos por ela. O que achei bem interessante é que dá para selecionar as fotos e o próprio app cria vídeos com layouts diferentes e músicas. Já postei alguns no Facebook e no Instagram (aproveita e nos segue por lá também!).

Snapseed – Um editor de fotos bem legal que permite escrever nas fotos escolhendo fontes e cores, e colocar uns layouts diferenciados. Bem bacana para quem curte incrementar as imagens.

Viagens e Turismo

Maps.Me – É uma espécie de Google Maps com o diferencial de oferecer o recurso de usar offline. Porque não é sempre que tem WiFi disponível, né?

BlaBlaCar – Ainda não usamos, mas o BlaBlaCar é um aplicativo para pedir carona – prática bem comum no mundo inteiro (embora no Brasil a carona ainda seja vista como algo perigoso). Nesse app você tem a opção de detalhar para onde deseja ir e o sistema busca condutores fazendo o mesmo itinerário. Com os dados cruzados, os membros se conectam para combinar os detalhes e rachar os custos da viagem.

Couch Surfing – Ao pé da letra Couch Surfing significa “surf no sofá”. Pessoas no mundo inteiro oferecem um sofá (um colchão no chão, uma rede, uma cama bem confortável ou que tiver disponível em casa) para receber hóspedes. Embora seja bastante utilizado como uma forma de economizar na hospedagem, o bom mesmo do CS é poder vivenciar novas culturas e costumes estando diretamente inserido na casa de um morador local e ver de perto o estilo de vida da pessoa.

Ainda nessa categoria de viagens, uso o Booking.com para fazer reservas em hotéis ou alugar apartamentos por temporada. O Uber não se encaixa na categoria de viagens especificamente, mas deixei para falar dele aqui para chamar atenção para o post Perrengues em Cancún e deixar o alerta para que sempre – sempre! – pesquisem antes para buscar mais informações sobre o serviço no destino e evitar roubadas.

Além dos aplicativos citados, tenho o My Disney Experience, que é bastante útil para quem visita a Disney e deseja marcar fast pass e buscar outras informações sobre os parques, mas descartável para quem já foi e não tem apego ao app que remete à terra da magia.

Por último, mas não menos importante, Facebook, Instagram e WhatsApp são aqueles aplicativos que a gente não abre mão de jeito nenhum. São eles que nos conectam diariamente à família e amigos no Brasil, ajudando a matar um pouquinho a saudade de todo mundo que está longe.

E pensar que não muito tempo atrás, com meios de comunicação bem mais restritos, viajantes e familiares precisavam marcar hora para se falarem (porque em determinados horários a ligação era mais barata) e tudo precisava ser resolvido antes ou depois da viagem. Abençoada seja a tecnologia que facilita a nossa vida!

Usando o seguro de viagem

Ninguém está livre de acidentes e incidentes, especialmente em uma viagem, quando os lugares e as situações são completamente desconhecidos. Justamente por isso, pouco tempo atrás falamos da importância de contratar um seguro de viagem internacional. Por mais que todas as medidas de segurança sejam tomadas, por mais que que a gente tente evitar certos lugares, alimentos e circunstâncias de risco, uma hora pode acontecer algum contratempo. E aconteceu comigo!

Não sei se foi a comida do México que não desceu muito bem, se foi cansaço físico por estarmos em tantos lugares em tão pouco tempo, ou se foi o emocional que gritou através do meu corpo por todas as sensações vividas em um espaço de tempo tão curto, só sei que meu corpo pediu trégua.

O percalço do mal-estar aconteceu nos nossos últimos dias no México. Tanto eu com o Benício chegamos um pouco debilitados aos Estados Unidos, o segundo país da nossa viagem, e resolvemos tirar alguns dias para descansar.  Felizmente, o Ben melhorou logo, mas os enjoos e dores no corpo ainda tomavam conta de mim.

Acionando o seguro

Na própria apólice do World Nomads que eu trouxe impressa consta o telefone da empresa para ligar em casos de emergência ou necessidade de atendimento. O processo não é tão rápido, em vez de encaminhar o segurado para qualquer hospital, o seguro faz uma pequena ‘entrevista’ para saber o que a pessoa está sentindo, quais são os sintomas, a localização (para identificar o hospital mais próximo), dentre outros detalhes. É importante salientar que a conversa é toda feita em português, o que ajuda bastante para quem está debilitado e não deseja quebrar a cabeça explicando algo em outra língua (ou para quem não sabe falar outro idioma), mas demora um pouco. Acho que passei pelo menos uns 20 minutos ao telefone.

O seguro também perguntou se eu conseguia esperar de uma a duas horas para que eles pudessem consultar as clínicas e hospitais parceiros e me dirigir a um desses locais indicados ou se eu preferia ir na urgência e pagar do meu bolso para, posteriormente, passar a nota fiscal para eles solicitando reembolso. Como a situação não estava tão crítica, achei melhor esperar. Depois de um tempo de espera eles me retornaram indicando o hospital que eu deveria ir e como seria o processo de pagamento.

No hospital dos EUA

Fui para a emergência do Dr. P. Phillips Hospital, onde fui super bem atendida. A triagem, por exemplo, não demorou nem 3 minutos! Das vezes que precisei me locomover lá dentro, sempre tinha algum enfermeiro para me levar em cadeira de rodas. E quando expliquei que era turista na cidade e não tinha com quem deixar o meu filho, eles permitiram que o Benício ficasse comigo o tempo todo, até o colocaram numa salinha com os desenhos favoritos dele, além de o deixarem ficar comigo na maca (com direito a um cobertor bem quentinho). A parte chata foi que precisei preencher toda a papelada para fins burocráticos do seguro – fiquei até meio perdida, mas deu tudo certo.

A World Nomads trabalha com a Zurich Seguros. Mais tarde, no mesmo dia em que fui atendida, a Zurich me ligou para saber se eu já tinha ido, se precisava de alguma ajuda, perguntou como havia sido o atendimento e se o médico havia pedido para retornar ao hospital (porque, nesse caso, eles já agilizariam as questões burocráticas para a minha volta). Agora que utilizei o serviço, posso dizer que o seguro está aprovado! Todos com quem falei foram muito atenciosos e solícitos, e, embora não seja muito conveniente, a papelada preenchida no hospital e o relatório que o seguro pede para o paciente fazer fazem parte do processo de utilização do serviço. Espero não precisar usar novamente, mas já me sinto mais segura por saber que funciona bem.

Meu super companheiro de viagem atá nas situações mais inconvenientes!

Passaporte de menor com autorização

O Benício me acompanha nas viagens – nacionais e internacionais – desde que era bebê. Nas nossas andanças pelo mundo sempre levávamos o passaporte normal, sem a autorização já impressa nele. Para cada viagem era preciso solicitar a permissão do pai do Ben reconhecida em cartório, e todo esse processo às vezes era bem inconveniente, mas não havia outro jeito.

Quando decidi fazer essa viagem, pesquisei na internet se não existiam formas de ter a autorização no próprio passaporte, e descobri que desde 2014 os passaportes das crianças já podem ser emitidos com a autorização dos genitores especificada no próprio documento. Apesar de não ser uma mudança tão nova assim, muita gente ainda desconhece essa possibilidade. Por duas vezes, inclusive, ao apresentar a nossa documentação nos aeroportos, os próprios funcionários ficaram surpresos com a viabilidade de viajar sem precisar de um documento de autorização avulso.

Nessa pesquisa, vi que existem duas modalidades de autorização no próprio passaporte:

    • Autorização de viagem internacional com um dos genitores com autorização na página de identificação do passaporte. Essa modalidade autoriza que o menor viaje com apenas um dos genitores. Nesse caso, não há necessidade de apresentar a autorização no controle migratório na saída do país, caso a criança esteja com um dos pais.
  • Autorização de viagem internacional com um dos genitores ou desacompanhado com autorização na página de identificação do passaporte. Essa modalidade, assim como a anterior, permite que o menor viaje na companhia de apenas um dos pais, mas também autoriza a criança a viajar desacompanhada. Essa opção eu nem cheguei a cogitar porque, mesmo sendo uma pessoa super positiva, pensei na possibilidade de sequestro. Imagina o meu filho já ter a autorização para viajar com um estranho? Não, obrigada.

Além desses dois tipos de autorização, que já vêm impressos no passaporte, também é possível fazer o procedimento antigo e viajar com a autorização avulsa, caso a criança tenha um documento vigente emitido antes da liberação desse procedimento.

O processo é relativamente simples. Antes de emitir o passaporte, o responsável deve preencher o formulário disponibilizado no próprio site da Polícia Federal – Documentação para Menores de 18 Anos – e dar sequência ao processo normal de emissão do documento. É importante lembrar que o modelo deve ser autorizado pelos dois genitores (em casos de ausência ou de óbito de um dos pais, existem outros documentos que devem ser apresentados).

Talvez para algumas pessoas o mais complicado seja convencer um dos genitores a acompanhar a criança até a Polícia Federal para passar pelo procedimento de autorização. Para as mães que viajam sozinhas com crianças, esse procedimento é uma mão na roda e poupa bastante tempo e estresse desnecessário – afirmo isso por experiência própria!

Equipamentos eletrônicos: o que levar?

Em tempos de massificação das redes sociais, onde cada passo dado vira uma postagem, é impossível viajar sem nenhum aparato tecnológico para registrar os momentos mais incríveis dos lugares por onde passamos. Apesar de concordar que essa exposição faz parte, principalmente para quem se propõe a dar dicas de viagens em um blog, o uso de equipamentos eletrônicos vai muito além da pompa – é real necessidade.

Na tentativa de levar o mínimo de coisas supérfluas possível, na hora de escolher os equipamentos é preciso ser racional e ver o que é realmente importante e indispensável. Nesse breve momento de reflexão e faxina, resolvi deixar o laptop em casa e coloquei no celular os aplicativos que eu mais uso no computador, como Word, Excel, Dropbox, aplicativos de bancos, dentre outros. Me livrei de um peso extra, agora resta saber se o laptop vai me fazer falta (em último caso, quando alguém da família for nos encontrar durante a viagem, peço para levar meu equipamento).

Optamos por levar dois celulares, um para mim e outro para o Benício, e uma câmera GoPro. O meu celular – um Galaxy S7 da Samsung – é praticamente um datacenter! É nele que estão todos os meus aplicativos, as contas de e-mails, os arquivos de roteiro e planejamento da viagem, além de várias fotos.

A viagem ainda está na fase inicial, e até agora os telefones têm sido mais que suficientes para registrar imagens e vídeos. A GoPro utilizamos tão pouco que estou pensando seriamente em enviá-la de volta para o Brasil quando alguém da família vier nos visitar. Em viagens tão longas como a nossa, o ditado que diz “menos é mais” nunca fez tanto sentido.