O presente da Vida

A noite de ontem (04.12.2017) tinha tudo para ser memorável e especial.

O Benício fez seu primeiro jantar sozinho – macarrão com manteiga e peito de peru, aprendeu a lidar com o fogão, como não se queimar, e as medidas que se usa para preparar o alimento, além de exercitar a paciência na espera da água ferver, para daí colocar o macarrão para cozinhar. Éramos alegria pura, cada um ajudando um pouco e ensinando passo a passo, desde pegar os ingredientes, organizar o entorno do fogão, colocar a mesa, guardar o que não vai mais usar.

Após se deliciar com sua comida favorita, eis que ele vem correndo me dizer: “mamãe, você comprou alguma coisa na loja “X”?”. Eu não entendi o motivo da pergunta, até porque eu havia comprado, para dar de Natal. E eu disse: “Como assim, por que você está perguntando isso?” E ele respondeu: “Eu encontrei uma embalagem no lixo, com um selo transparente da marca”. Que mancada a minha! Eu havia tirado do pacotinho, que eu não tinha percebido selo algum, pois era metálico transparente, e colocado a camiseta (que era o presente, que ele tanto queria) para lavar e secar – ainda estava na secadora, para após isso embrulhar e guardar para a noite de Natal.

Nem aproximando a foto eu vejo o selo, que estava nesse saquinho de 20x30cm, em cima de uma caixa que eu ia levar pro lixo, no chão.

Ele estava eufórico, e como eu não vejo sentido em esperar datas comemorativas para fazer algo que eu gosto muito, que é dar meu amor mesmo que em forma de presentes – muita gente fala mal do ato de presentear com coisas, mas eu acho que não há grandes problemas quando você não ensina o valor das coisas, e sim do ato em si, quando você faz algo por amor e não por obrigação – eu falei: senta aí que eu vou dar hoje seu presente! Então ele pediu: “você pode embrulhar e esconder pra mim?”. Ele sempre amou a sensação de surpresa, de ter que procurar algo, mesmo que a gente tenha brincado de que não era Páscoa. E então ele complementou: “Eu vou esconder também o presente de Natal de vocês, da mamãe e do papai!”. E a gente nem sabia que ele tinha um presente para nós! Naquele momento, quem ficou surpreso, fomos nós! E ele pediu que nós procurássemos primeiro, e foi dando dicas de “está quente, está frio”, enquanto andávamos em busca de algo.

Quando encontrei, sendo que fui a primeira designada a procurar, foi uma grande emoção: ele havia confeccionado seu próprio papel de embrulho, totalmente personalizado para mim. Aquilo ali já encheu meu coração de alegria e gratidão. Ao abrir a embalagem, com todo cuidado do Mundo para não rasgar (e ele disse que não colou muito para que eu pudesse guarda-la), eis que aparece um outro cartão, lindo, escrito a mão, com desenho do Papai Noel puxando o trenó no envelope e, dentro, com o desenho do dia do nascimento dele, onde ele disse que representa eu deitada na maca, e o médico retirando o bebê (ele) de dentro de mim. Que coisa mais incrível! Tem presente melhor do que esse?

E como se não bastasse, havia ali uma caneta, que segundo ele, era para eu usar para escrever minhas histórias e estudos de alemão. Que percepção a dele! E para completar, alguns chocolates que ele ama, pra ver se eu começo a gostar. Enchi ele de beijos e abraços, e fiquei tentada a saber onde quando ele comprou tudo aquilo, e ele disse: “Lembra aquele dia que fomos ao mercado e eu pedi pra sair um pouco sozinho? Eu peguei meu dinheiro do cofrinho e fui comprar pra vocês esses presentes. Eu fiz sozinho. Gostou mamãe?”. Eu havia amado, muito mais do que gostado!!!

Surpreendentemente fofo e tocante!

E assim seguiu a noite. O presente do meu marido e a embalagem também deram vontade de chorar de alegria. Ele teve muita sensibilidade em montar esses presentes, e estava há semanas guardando em uma gaveta que me proibiu de chegar perto! Ele, que é super ansioso, e não consegue esperar nem um minuto por algo que queira, havia conseguido esperar quase 1 mês, e esperaria mais, se não fosse pelo episódio do meu descuido.

Chegara a sua vez. Ele tinha que procurar então, o que eu gostaria de dar a ele. E para disfarçar, coloquei em uma sacola de mercado, pois não havia tido tempo de providenciar um papel de presente – poderia ter feito como ele, não é mesmo?

Ele procurou e procurou, e quando encontrou, ficou elétrico de felicidade. Era simplesmente uma camiseta, mas de um personagem de jogo que ele é apaixonado – o mesmo que tira nosso sono aqui, porque ele quer jogar a todo instante. Mas eu pensei que seria algo que ele ficaria feliz em vestir. E por isso quis entregar já lavada, pronta para vestir, pois ele o fez imediatamente.

A noite seguia animada, mas ele estava ligado no 220V. Estendemos demais a brincadeira e estava na hora de se arrumar para dormir. E aí começou a saga: “Benício, vai escovar os dentes e vestir o pijama”. E multiplica isso por 15 vezes!!! Sim, ele não estava escutando o que eu falava, e o horário limite para dormir (para acordar cedo e disposto no dia seguinte). Eu fui ao quarto de visitas para estudar, e meu marido estava na sala fazendo o mesmo, enquanto aguardávamos ele fazer o básico de todas as noites, para então dormir.

Foi quando o meu marido disse: “Você está sentindo um cheiro de queimado?”. E eu estava tão concentrada nos estudos que nem percebi, mas quando ele disse, senti o cheiro também. Aí falei: levanta e vai ver o que é. Quando fomos ver em todas as tomadas e cozinha, o Benício grita: “O cheiro está aqui no meu quarto”. Achamos estranho e fomos lá ver. O cheiro vinha da luminária de chão dele, de papel, mas não entendia o motivo. Já havia fumaça e doía o pulmão para respirar. Então ele disse: “Eu joguei minha camiseta lá atrás do abajur porque estava bravo com você”. E então entendemos o que acontecera, mandei ele sair imediatamente de lá, abrimos todas as portas e janelas num frio de -1 grau, desliguei o abajur da tomada e vimos, dentro dele, a camiseta que eu tinha acabado de dar o Benício, em chamas!  Meu marido colocou tudo para fora (bendita varanda) e conseguiu apagar, ficando os danos apenas emocionais e nesses dois itens.

A lâmpada da parte inferior totalmente queimada!!!

Se a gente for pensar, em coisa de poucos minutos (ou segundos), poderíamos ter vivido um terror ou uma tragédia ali mesmo, pois o abajur era de papel e o teto logo acima de onde a luminária estava encostada, era de madeira, e sendo um prédio antigo, não haveria muita chance de apagar o fogo, sem extintor ou mangueira. Estávamos assustados, perplexos por uma atitude impensada que poderia facilmente ter nos custado a vida.

Na hora arrumei a cama dele na sala, onde o cheiro de fumaça era mais fraco, e mandei-o dormir. Não dei atenção, fiquei sem reação, e com medo de uma ação impensada, preferi assim. Fui ao quarto voltar a estudar, e não consegui. Eu só conseguia pensar que Deus havia nos permitido viver e rever o que estava havendo nesse lar. O quanto a gente precisa aprender a controlar nossa raiva e angústias, pois não sabemos onde o fogo vai queimar: dentro de nós ou no mundo externo. Sabia que aquilo era o reflexo, uma mensagem do Universo, de alguma coisa que não estava indo bem. Peguei minha coberta e travesseiro, e fui deitar com meu filho.

Chorei baixinho, e o vi engolir o choro. Ele não estava entendendo nada, para ele aquilo tudo era uma brincadeira, porque ele não viu as cinzas da fumaça, segundo ele. A noite foi tensa e intensa. Agradeci muito a Deus e pedi a ele forças para me tornar melhor e conseguir educa-lo da forma que for mais amorosa e necessária. Mas ainda agora, isso tudo não sai da minha cabeça, e eu precisava escrever isso tudo como forma de desabafo. Faço isso aqui, com lágrimas nos olhos, mas consciente da minha responsabilidade nisso também.

Um abraço forte, e que fique na memória, apenas o aprendizado e a beleza dos presentes que ele (e Ele) nos deu!

PS: Hoje cedo, ele pediu para ir a escola com a camiseta. Eu falei que não seria possível, pois ela estava no lixo, toda queimada. Ele riu e não acreditou, e foi procurar pelos lixeiros da casa. Não encontrou, pois havíamos deixado também na varanda, para não ter o cheiro impregnado novamente no apartamento. E ele viu o estrago. Não podia acreditar!
Foi até seu cofrinho, perguntou quanto eu havia gastado para comprá-la, e que iria me pagar. Eu falei que o valor monetário não fazia diferença alguma, e que a vida vai dar sempre um jeitinho de nos mostrar quando precisamos parar e rever nossas atitudes e caminhar. Que levemos disso tudo, o aprendizado maior: de semear a paz em família e por onde andarmos, pois a raiva e o ódio alimentam o pior dentro de nós, e podemos ter que reaprender de novo e de novo, de forma mais ou menos dolorida.

O estado da camiseta!
Imagina, dentro de nós, como não fica quando a gente se incendeia de sentimentos ruins e destrutivos!!!

E por ironia do destino, hoje eis que me surge uma mensagem:

“E eu te desejo paz e serenidade para aceitar o dia de hoje como o cenário onde as bençãos que você precisa experimentar se desenrolem. Que você encontre a tranquilidade necessária para permitir que a vida seja, independentemente das expectativas que você tenha construído para o agora. Existe uma sabedoria superior em cada folha que cai de árvore, em cada botão de flor que desabrocha – eu te desejo aceitação. Brigar com o que é não faz seu agora ser melhor, apenas revela a fragilidade oculta por detrás de seu Ego. Relaxe e confie. Existe muito amor para você neste Universo.”

Medo de falar em público

Era domingo à noite. Enquanto eu preparava o jantar do Benício e ele assistia vídeos de curiosidades no YouTube, eu ouvia de longe mas aproveitava para dar uma geral na geladeira. Eu sou a senhora potinhos. Tenho costume de guardar o que resta de comida das refeições, mesmo que nem sempre elas sejam reaproveitadas. E nesse momento arrumação, ouvi um dos conteúdos que o Benício assistia, que falava sobre o bulllying. E a parte específica era sobre, em sala de aula, quando um colega estivesse lendo um texto na frente da classe, que não rissem ou debochassem, pois isso poderia ser prejudicial para o desempenho e desenvolvimento da criança, sendo que nem todas se sentem confortáveis em ir a frente e ler ou falar sobre algum assunto.

E isso me fez lembrar tanto a minha infância! Lembrei-me do total desespero que eu sentia a cada situação onde a professora escolheria aleatoriamente alguém para uma leitura ou para compartilhar algum assunto. Eram momentos de aflição, terror, angústia.

Se eu tivesse que escolher, preferiria ser devorada por um dinossauro a ter que falar em sala de aula.

Juntava uma série de sabotagens sobre mim mesma: não existia autoconfiança e a minha autoestima era a mais decadente possível. Eu, por muitos anos, até poucos dias atrás, me achava incapaz, desinteressante e feia. E para mim esse conjunto de julgamentos pessoais, me colocavam no lugar mais abaixo da lista de pessoas legais e inteligentes, e tudo que eu não queria era mostrar minha ignorância em público, mesmo que entre amigos.

E por toda a minha existência, até os tempos quase atuais, esses sentimentos vão e vem, e eu criei uma barreira forte contra o contato olho a olho e me apeguei a escrita. Desde bilhetinhos, às conversas através de páginas de conversas e chats pelo computador, e-mails, redes sociais, cartas, mensagens via celular. Tudo que fosse possível para evitar o meu gaguejar ao vivo.

Era mais ou menos assim, com educação e chamando pro tete a tete virtual.

Não que eu fosse gaga, mas a minha ansiedade sempre foi tanta, que eu mal conseguia pronunciar as palavras corretamente. Eu comia sílabas o tempo inteiro, e em muitos momentos tampouco eu me compreendia. Falava a jato. Correndo, pronta para desaparecer de onde eu estivesse.

Lembro ainda de alguns episódios marcantes da minha trajetória, que foram a graduação na Universidade e a formatura do primeiro grau na escola. Isso sem contar nas inúmeras apresentações teatrais escolares que me tiravam o sono. Voltando às formaturas, em ambas situações, havia a necessidade de realizar um estudo sobre determinado assunto, e apresentar minhas considerações e o próprio trabalho em frente a uma banca “julgadora” e alguns alunos curiosos. Isso valeria nota e nortearia uma possível aprovação ou reprovação, daquela etapa da vida escolar. E comparando com hoje, nem mesmo no parto normal que fiz do Benício, eu senti tanta ansiedade, medo, pavor e todos os sentimentos mais desagradáveis, do que nessas ocasiões.

As duas foram praticamente iguais: eu estava lá, nada linda e plena no palco, totalmente nervosa, inquieta, e em poucos minutos, aos prantos. Tudo que eu queria falar, desaparecia da minha mente. Então eu sempre precisei ler, e lia como um trem bala. Voando! Em nenhuma das minhas duas grandes apresentações, eu consegui concluir meus pensamentos com maestria ou conforto emocional. Eu me entregava ao vitimismo e a rede de desespero que eu mesma criava. Mas isso só acontecia quando tinha a ver com estudos, me dedicar, aprender e ler. E no final eu ainda falava a mim mesma: “Viu, eu sabia que você iria falhar, como sempre! Você é horrível, você não sabe nada”. Se tinha alguém que fazia bullying, era única e exclusivamente eu comigo mesma. Eu era medalha de ouro em me colocar pra baixo. Felizmente, hoje eu consigo compreender tudo que eu mesma me proporcionei.

Essa postura eu assumia por diversas vezes, quando me sentia inútil e desprezível.

Enquanto fugia da conversa pessoal, que também foi um dos motivos pelos quais em sempre me gabava em ter poucos e bons amigos, era porque eu tinha era medo de falar, e com o medo, eu falava besteira. E por isso, não fazia amigos.

Falando em relacionamento amoroso, tenho histórias hilárias para contar. Sempre que eu gostava de um garoto, a minha reação imediata era: vou convidar ele, através de um bilhete, a entrar no chat de conversa “x” ou “y” pra gente se encontrar lá. Teve uma situação, que eu nunca esqueço também e dou risada até hoje. Eu tinha 13 anos, e era bem precoce no assunto gostar de alguém. Eu sempre via aquele menino (ou homem), aparentemente mais velho, passar na frente da escola na saída da aula. E eu apenas sorria. Jamais ousei em dar oi ou puxar assunto. E esse sorriso continuou por semanas ou meses, até que um dia eu decidi tomar uma atitude: o carro dele estava sujo, e eu deixei um bilhete no para brisas e uma flecha apontando para o bilhete, escrita com o dedo naquela sujeira. O bilhete dizia algo assim: “Oi, sou a menina que sempre sorri para você na saída da escola. Queria conhecer você. Me liga”. E deixei o telefone de casa, na maior cara de pau. Não preciso nem dizer que ele não me ligou, até porque eu era muito novinha e ele sabia pela cara de pirralha. Hoje em dia algumas meninas da idade que eu tinha, até se passam por mais velhas, mas não era o meu caso. Até que um dia, alguns após o bilhete, ele me parou para conversar. Eu queria me esconder, desaparecer, mas não foi possível. Tive que abrir a boca e falar. E ele foi super simpático, disse que tinha achado legal o meu bilhete e que poderíamos ser amigos. E ficou por isso. Eu morria de vergonha a cada vez que cruzava com ele, mas pelo menos, eu já sabia seu nome, e poderia escrever com vários coraçõezinhos no meu diário na época. (risos)

Tudo o que eu queria era poder, magicamente, desaparecer e apagar aquilo tudo da memória dele. E da minha!

E em vários episódios da minha vida, o contato não tão pessoal, foi o que marcou o início das minhas relações. O meu primeiro namorado, por exemplo, eu conheci num chat que na época se chamava mIRC. Eu gostava de um garoto que não estava nem aí pra mim, e ele era melhor amigo desse garoto. Eu pedia mil e uma dicas de como conquistar o menino, queria saber porque ele não dava bola pra mim, me lamentava e ele era aquele ombro amigo, até que ele combinou de nos encontrarmos pessoalmente pra “desvirtualizar” e nos apaixonamos. Ficamos alguns anos juntos, e tudo se deu pelo contato virtual inicialmente. Não que eu seja a favor, mas o meu pavor de falar frente a frente, me impedia de dar o primeiro passo sem as máscaras que a internet te proporciona. Lá você pode ser quem quiser, e nem sempre quem você é.

Com o meu marido, não foi tão diferente. Tá certo que eu o conheci durante o meu intercâmbio, enquanto ele estudava na mesma sala de aula que eu, mas a gente só veio a se conhecer melhor quando eu, já doida pra saber mais da vida dele, além das perguntas básicas e superficiais, entreguei um bilhete na sua mão na hora do intervalo, convidando-o para me adicionar no Messenger – outra plataforma virtual de conversação da época de 2005, conhecida como MSN – para continuar a conversa. Mas nesse mesmo bilhete eu dei um passo a frente: também o chamei para ir comigo, à festa de confraternização da escola. Esse para mim era um verdadeiro avanço na relação interpessoal. Eu o fiz com toda a minha vergonha do mundo, mas a atitude e a vontade de ter mais tempo com ele, falaram muito mais alto. E, hoje, agradeço muito a essa coragem de escrever. Eu não teria vivido uma história tão incrível, próspera e de muito amadurecimento com ele, se não fosse esse passo importante.

Bendita a internet quando usada como forma de agregar a vida, e não apagar a vida.

Quando penso nisso tudo, consigo enxergar que o problema sempre fui eu. Não era daquelas pessoas que queria me destacar, ser a melhor em algo, dar o meu máximo. Para mim, ser mais ou menos ou meia boca era suficiente, porque eu mesma não acreditava muito em mim. Hoje eu vejo pelo meu marido. O quanto ele vai até o seu limite do aprendizado, ele quer provar a ele mesmo que ele pode fazer melhor, ele não se cansa de estudar e conhecer infinitas possibilidades, conceitos, projetos, se cercar de conhecimento. Ele é daquelas pessoas que, quando compra algo, começa por ler o manual de instruções. No meu caso, a primeira coisa que eu jogava fora ou deixava de lado, era justamente o manual de instruções. Eu era (e ainda sou às vezes) daquelas que gostava que as coisas viessem prontas na minha mão. Se tivesse ainda, que aprender como usar, já perdia créditos comigo e provavelmente iria parar numa gaveta ou armário. Isso tudo por total desinteresse em aprender. E é difícil me dar conta disso, sabe! Aquele momento ontem, do Benício simplesmente assistir a um vídeo e eu receber aquela mensagem, foi um baita sinal para eu rever a estação – ou vibração – que vou conectar na minha consciência. Eu tenho certeza que foi um recado do Universo para mim, e que já passou da hora de mudar.

Teriam inúmeras outras situações que eu poderia comentar, mas o resumo da ópera, para a minha constatação é: você pode ser quem quiser ser, e pode se diminuir o quanto você mesma o fizer. E o auto empoderamento, é exatamente possível da mesma maneira, depende absolutamente do seu pensamento, do que acredita e do gás que dá para se conquistar o que deseja. Mais uma vez eu sei que nós somos eternamente responsáveis pelas carências, expectativas, medos e “mimimis” que cultivamos. Mas dá para olhar pra trás e transformar-se em uma nova potência, com uma nova realidade.

Presentes da vida real!

E você, qual sentimento tem vindo a tona essa semana? O que você percebe como sabotador na sua vida que têm excluído do fluxo do seu pensamento? Fala aqui, vou amar te “ouvir”.

Ah! E eu estou aprendendo a desvirtualizar. Tenho tentado, aos poucos, conhecer pessoas que só falo no mundo virtual. Aliás, eu agradeço imensamente ao mundo online que me possibilidade além de conhecer pessoas fantásticas, de encurtar distâncias quando a gente vive longe de quem ama. Um salve para a internet, quando usada de forma inteligente!

Li ontem em alguma página na internet: “Não saber o seu valor pode custar caro”.

Grande abraço da Rafa!

PS: Se tiver erros de digitação ou concordância, me perdoem. Eu prefiri não reler esse texto para não me arrepender de mostrar esse meu lado a vocês. Está cru e totalmente fiel ao meu sentimento!

A adaptação com filho em outro país

Uma das questões mais recorrentes que surgem no bate papo do dia a dia é sobre como está sendo a adaptação de vida em outro país, da minha parte, e da parte do Benício. Muitas mães que me acompanham, casadas ou solteiras, querem saber um pouco mais de como temos lidado com as diferenças culturais e todo o pacote que vem junto com uma nova vida.

Um dos belos lugares por onde passamos: Lago de Genebra, na Suíça.

Fico bem feliz em poder compartilhar as peripécias dessa mudança, mas quero lembrar que essa é apenas a minha versão e realidade sobre a adaptação. Para cada outro indivíduo diferente de mim, e até a mim mesma em uma outra época, tudo será e seria diferente.

Então meu propósito aqui é de conversar com vocês de forma sincera e aberta, e com toda a vibração positiva para que essas reflexões inspirem quem está a poucos ou longos passos de tomar uma atitude de recomeçar a vida em outra cidade, estado ou país.

Esse momento, lugar e sorriso, jamais se repetirão! Escreva sua própria história e realidade!

Eu e o Benício já visitamos a Suíça inúmeras vezes antes de iniciarmos uma nova vida aqui, e isso certamente nos deu oportunidade de vir para cá já tendo amigos e conhecidos, o que de cara já eliminou o maior “ponto negativo” da mudança de país, principalmente se tratando da Suíça, que o maior caso de infelicidade ou insatisfação para expatriados é a dificuldade de criar laços, fazer amizades e se sentir aceito (comprovado por pesquisas no país).

Os amigos do meu marido (suíço) são pessoas muito boas, altamente receptivas e que sempre nos trataram com muito carinho, do jeito deles. E já faz 12 anos que eu e meu marido nos conhecemos, portanto sempre que vínhamos para a Suíça passear, eu acabava fazendo algo com as esposas – aqui elas saem muito em meninas – e depois com filhos, combinávamos alguma forma de nos encontrarmos também.

Para facilitar ainda mais, meu marido tem sobrinhos com idade próxima a do Benício, ou seja, ele mata um pouco da saudade das primas do Brasil quando encontra os primos daqui. Resumindo: o que não faltam são pessoas queridas que tem bons sentimento por nós, e estão aqui “para o que der e vier”, quando necessário. Sem contar nos avós e tios postiços suíços que torcem e se oferecem a apoiar no que for preciso.

Desbravando cidades com o primo Gordon.

Os suíços que eu e o Ben conhecemos até então são sinceros e solícitos, mas muito na deles também. Possivelmente jamais pedirão sua ajuda. É cultural. E se pedirem, é porque confiam mesmo em você. E aqui, confiança é o coração de uma boa amizade. Aliás, em qualquer lugar, não é mesmo? O que ninguém faz aqui é invadir o espaço do outro. O respeito é como o sangue que pulsa nas veias.

Quando você faz uma amizade verdadeira, é para valer. Assim como no Brasil. Eu particularmente sempre fui de poucos, mas bons amigos. Adorava o fato de estar cercada apenas de pessoas especiais e com quem eu queria mesmo compartilhar minha vida, até porque eu falo demais sobre o que sinto e penso.

Viu como falo demais?

Escolha a sua vida!

Voltando ao tema “adaptação”.

Estamos efetivamente vivendo na Suíça desde final de Julho deste ano (2017), mas saímos de casa (Brasil) no início de março. Desapegamos de muita coisa que não fazia mais sentido pra gente, e até muitas outras que perceberíamos mais tarde que eram desnecessárias também. Éramos eu, Benício e uma baita mochila/mala de rodinhas contendo tudo que precisávamos (ou eu achava que precisaríamos) para alguns meses viajando rumo ao desconhecido, e uma mochila de costas. Digo desconhecido pois, apenas de rotas programadas, não sabíamos como seriam essas descobertas e aventuras, e deixamos brecha para novas possibilidades.

Tomando conta dos nossos pertences!

E com isso, tivemos que nos adaptar a muitas coisas: a estarmos 24 horas por dia juntos, a sermos melhores amigos, a controlar a saudade, a ter paciência (ô coisa difícil), a degustar novos alimentos, a confiar em nossa intuição, a não deixar se abater pelos problemas no caminho, a ter atitude para tomar novas e importantes decisões, a encarar más escolhas, a chorar quando preciso, a pedir ajuda, a sorrir sem motivos, e muito mais. Parece que só listei aqui a parte ruim né? Mas de uma coisa hoje eu tenho certeza: foi através das nossas experiências maquiadas como as piores, que tivemos os mais incríveis e reais aprendizados, e consequentemente, nosso amadurecimento. Os desafios nos abriram os olhos e caminhos, e por isso sou grata por tudo que o Universo nos faz enfrentar.

Nossas sombras estão por todos os lados, e refletem nossos mais obscuros anseios e condicionamentos.

Então, após inúmeras vivências confusas, felizes, assustadoras, inesperadas e desejadas, decidimos radicalizar e moldamos os planos, para ao invés de voltar ao Brasil após o período sabático, mudarmos para a Suíça.

Tudo parecia fazer sentido. Estaríamos novamente com a família unida (eu, filhote e marido), em convívio diário e com todas as suas diferenças culturais. Sim, seria um baita desafio, mas essa palavra tem sido instigante para mim.

Curtindo o carinho dos avó em uma das visitas aqui na Suíça, em Berna.

Convencemos (entre aspas) minha família no Brasil de que o plano daria certo. O pai biológico do Benício permitiu essa nova jornada e tivemos assim, apoio de quem mais precisávamos para seguir nossos caminhos. Com suporte de quem se ama, tudo flui magicamente melhor.

Sabe aquele ditado que diz que “a gente só dá valor quando perde”? Isso é bem relativo e ao mesmo tempo super importante. Com a distância física de algumas pessoas da família, nós também perdemos a mente robótica de julgamentos, estresse, imparcialidade e saímos do piloto automático. Estar com em contato com a família através de vídeos pelo celular, ligações ou alguns poucas visitas, elevou absurdamente o nível de amor e afeto compartilhado, e transformou significativamente as nossas relações pessoais. Há muito menos discórdias e discussões. Há mais desejos de passar o tempo que se tem, da melhor maneira possível. Aprendemos muito mais sobre compaixão e cumplicidade. A distância uniu cada um de nós num mesmo propósito de prosperidade, confiança e esperança. A zona de conforto deu vez para o conforto dos abraços quando estamos juntos com quem amamos e sentimos saudades.

A distância física ensina o que é o amor verdadeiro, sem pressão, posse ou obrigação. Ama-se com leveza e consentimento . Com sentimento!

Chegamos com toda estrutura já montada, afinal, meu marido já estava vivendo na Suíça enquanto eu e o Benício havíamos ficado no Brasil. Então no início não foi uma loucura de corrida atrás de apartamento, mobiliário e afins. Apenas tivemos que eleger um novo apartamento com denominação familiar como uma das exigências do pedido de visto ao consulado Suíço. Alguns detalhes apenas foram sendo avaliados e decididos juntamente em família. E tudo acontecia tão perfeitamente que dava medo. Me lembro quando planejamos há 1 ano e meio atrás a vinda para a Suíça, e eu me apeguei a uma região no mapa e disse a mim mesma e a todos: “Me vejo morando nessa quadra, e o Benício estudando nessa escola”. E você acha que isso aconteceu? Claro! Minha intenção e energia foram tão intensas e sinceras que o Universo conspirou a favor. Já estava escrito em algum lugar e minha intuição, sexto sentido ou feeling, já denunciavam.

Nosso meio de transporte mais emocionante.

O período em que chegamos na Suíça para viver, era de férias de verão (fim de Julho). Prontamente já havíamos matriculado o Benício para estudar assim que o ano letivo – que inicia em agosto aqui – iniciasse. Como trocaríamos de apartamento e de cidade, optamos por uma escola mais longe da residência inicial, porém há apenas 5 minutos da futura moradia. Seriam apenas 35 dias de transição e correria para chegar a escola. Mas tudo era tranquilo e estávamos com muita energia para esse recomeço.

Durante todo o processo de pedido de visto, visita a central de integração de imigrantes, idas ao mercado sem falar uma palavra em alemão (estamos no cantão de Zurique, que é a parte alemã do país), compra de ticket de ônibus e trem, abertura de conta bancária, e até os simples horários de meios de transportes cronometricamente estipulados, já dá pra perceber um dos grandes diferenciais culturais daqui: que as coisas funcionam. E sem muitas delongas. Você consegue fazer tudo sozinho, sem ter que falar a língua materna. Mas, claro, que isso graças a língua inglesa ser curricular no ensino do país e pré-requisito na maioria dos empregos, principalmente nos diretamente ligados ao turismo.

O caminhão que levou nossa mudança.

Ao mesmo tempo em que tudo funciona de forma organizada e controlada, quando algo sai da normalidade, é motivo de dor de cabeça na certa. Os suíços não foram educados para “apagar incêndio” como no Brasil. A pensar em planos B, C ou D. Ali é plano A ou nó na cabeça! Mas nada que a nossa insistência não auxilie. Eu prefiro também não ter que enlouquecer para fazer coisas simples do dia a dia.

Aliás, a parte mais difícil por enquanto na adaptação está sendo ter que agendar compromissos com amigos com um mês, semanas ou longos dias de antecedência. Eu sempre tive a mania de decidir em cima da hora se ia ou não a algum apontamento. Brincadeiras à parte, essa parte é fogo! (risos)

Ser e Estar presente é o melhor presente!

A cordialidade e respeito das pessoas que nem se conhecem é linda. Moramos em cidades pequenas de interior e todos na rua, quando se cruzam, educadamente se cumprimentam. Principalmente crianças e idosos. É lindo!

O início da escola foi o melhor que poderíamos imaginar. A escola acolheu o Benício com muito amor e respeito, com planos e desejos de que ele se sentisse integrado desde o início. Não teve privilégios, mas a atenção que eles dão a tudo e a todos. Em pouco mais de um mês frequentando a escola, já tem noção de alemão, arranha o espanhol  (para conversar com o amigo da sala que é filho de italiana com espanhol) e ja entende mais o inglês, que é a língua que a mamãe fala por ainda não falar a língua alemã, e que falamos por meses durante nosso sabático. Onde ele aprenderia assim rápido tantas línguas diferentes? Levariam meses ou anos em um curso de idiomas no Brasil.

Pura alegria no primeiro dia de aula na Suíça.

Sobre a escola, que até mesmo inseriu na grade de educadores uma professora filha de mãe brasileira e que fala português, por exemplo hoje, para complementar essa minha afeição pela forma com que tratam meu filho, tivemos em casa a visita de sua professora. Após 4 dias faltando a escola por causa de febre, me ofereci a ir a escola pegar as tarefas. O que recebi depois foi um ato de amor: “querida, não se preocupe! Eu levo as atividades dele esta tarde”. E ela veio! Tocou a campainha, subiu 3 lances de escada até chegar em nossa casa, conversou com o Benício apenas em alemão, ele entendeu praticamente tudo, conheceu seu quarto, sentou junto a ele na mesa de estudos e fez um breve resumo de tudo que ensinou aos colegas de classe, entregando posteriormente as atividades para a próxima semana.

Fazendo as atividades após a visita da Professora.

Tudo tem sido intenso e especial. Claro que, como falei no início, essa é a minha realidade. Me sinto privilegiada em ter minha família apoiando de todas as formas e torcendo de longe, termos amigos queridos ao redor, um lar tranquilo, e acima de tudo, um filho que tem curiosidade em aprender, não se entrega tão fácil pela barreira da língua, vibra a cada nova amizade, se entrega e tem autoconfiança. Obviamente tem seus momentos de incertezas, saudosismo e vários outros sentimentos. Pensa que nunca vai falar a língua, que era mais feliz no Brasil, mas são pensamentos sadios e normais que o fazem, em determinado ponto, deixar o vitimismo de lado e se tornar, aos poucos, protagonista da própria história.

Um menino de ouro, sendo lapidado como todas as crianças por aqui e por aí. A gente, adulto, que às vezes estraga, por estarmos cheios de crenças e condicionamentos.

Eu ainda não estou trabalhando e não comecei com firmeza meu curso de alemão. Nesses 3 meses que estamos aqui, já recebemos visita de parte da família do Brasil por  duas vezes, fomos ao Brasil uma vez, nos mudamos de casa outra vez. Falta parar esse vai e vem, dar um chega pra lá na procrastinação e começar a me integrar aqui. Ah, e o inverno pesado ainda não chegou… talvez eu reescreva esse texto em alguns meses (ou seriam semanas?)

Ficamos em casa de amigos durante a transição de apartamento: entrega de chaves do antigo e recebimento do novo.

Tenho projetos de empreender aqui, com mil e uma ideias mirabolantes. Estou em fase de tempestade de ideias e planejamento delas. Também estou em processo de correção de um livro com histórias baseadas em fatos reais e cheias de surpresas e aventuras, que em breve devo decidir o que fazer com esse meu carinhoso livro, que surgiu de um resgate de mim mesma quando dei um profundo mergulho nas minhas histórias e experiências, rumo ao autoconhecimento. Sinto-me orgulhosa e grata por cada uma das trajetórias que me guiaram até o momento presente. Será um prazer compartilhar com vocês!!!

Abra-se para as oportunidades da vida.

Você só vai saber como será a SUA ADAPTAÇÃO em qualquer situação na vida, quando vive-la! Que as suas buscas por pessoas que decidiram resignificar e realinhar sua história a uma nova terra, sejam de pura inspiração, e jamais de mutilação de sonhos!

Seja co-criador do caminho que genuinamente almeja. Já se imagine vivendo a vida que deseja! Me conte nos comentários qual a vida que gostaria de estar apreciando nesse momento, mas o medo e a insegurança te paralisam de realizar? Segura na minha mão e vem que a gente se ajuda.

Aliás, tem muita referência bacaníssima na internet e que servirá como um empurrãozinho pra você, mas lembre-se que muito mais do que seguir alguém ou o que falam (tipo eu), é se deixar guiar pelo coração! O resto vem com a sintonia do brilho dos olhos e batimentos cardíacos em ritmo de festa. Falei muito sobre isso no post anterior. Menos expectativa, mais ação. E de tudo que eu poderia falar para vocês sobre recomeçar em outro país ou viajar com filhos, sugiro que leiam essas reflexões pessoais.

Um brinde às infinitas possibilidades!

Forte abraço,

Mamãe do Ben

Saia da sua zona de conforto

O que impulsiona as pessoas a viajar? O que nos leva a sair de nossas zonas de conforto e dar o primeiro passo rumo ao desconhecido?

Big Ben e Little Ben.

Acredito que para cada pessoa a resposta será diferente, mas o sentido o mesmo: se reencontrar. Muitas talvez nem saibam disso quando saem em busca “de algo”, mas em algum momento essa sensação de renascimento surgirá. E é aí que a verdadeira VIAGEM começa. Aquela que se faz de dentro pra fora.

A partir daí, mudam-se perspectivas, prioridades e pré conceitos. A forma com quem você começa a compreender o Mundo ao seu redor envolve mais consciência e compaixão, desapego e realização.

Aquilo que você pensava precisar lá atrás, já não importa mais. Você incrivelmente tende a se tornar mais prático, menos detalhista e mais whatever – sem se importar tanto com o que os outros vão pensar ou falar sobre suas atitudes.

Benício aguardando o jato de água quente e vapor do Géiser em Haukadalur, na Islândia.

E esse, para mim, é o real significado de liberdade: libertar-se da chatice de tanto se importar. É deixar suas ideias transitarem livremente pelo seu cérebro, independente delas serem ideias tolas ou geniais. Permitir-se ser quem você é, não quem as pessoas acham que você deveria ser.

A bagagem duplicou quando partimos dos EUA, pois já estávamos a caminho da Suíça (Q.G.)

É tomar decisões e ter atitude, mas ao mesmo tempo, ter total responsabilidade pelo caminho que optar. E, se houver falha no trajeto, ter a humildade de refletir sobre e recomeçar.

Uma viagem pode nos transformar!!!

Menos expectativa, mais ação

A parte mais difícil dos meus últimos dias tem sido deitar a cabeça no travesseiro e dormir. Não consigo me desligar, mas sei que não é insônia.

Minha mente parece um carrossel maluco cheio de pensamentos e ideias, mas fico estagnada sem saber por onde começar. Essa noite decidi pegar um caderno e caneta para escrever sobre o que estava matutando. Foi quando lembrei do início dos meus planos em viajar com meu filho pelo Mundo.

Benício e mamãe em uma parceria cheia de esperanças

Eu tinha uma expectativa absurda com esse período sabático. Me planejei de forma “administrativa” e acabei deixando a intuição de lado. E foi a partir dessa “falha” que o caminho muitas vezes foi tortuoso. Sim, eu fechei os olhos para meu sexto sentido e muitas vezes deixei o medo ser meu guia. Até mesmo à intuição do meu filho, meu fiel parceiro de viagem nessa aventura, eu não dei ouvidos: “Ele é só uma criança “, eu pensava, e hoje percebo que o Universo me mostrou muitos caminhos através dele, e eu esperei respostas da vida por outras maneiras. E as tive, não tão carinhosas como as que vieram do BEN.

Compreendi ali o quanto nos tornamos responsáveis pela expectativa que cultivamos.

Descobrindo um Mundo de aprendizados com ele

Em diversos momentos eu investi minhas decisões pautada em vivências de outros viajantes pelo Mundo, sem me dar conta de que só eu poderia escrever a história que eu e meu filho estávamos vivendo, que ninguém nunca esteve naquele dia, hora e local, além de nós, sendo nós!

E foi a partir daí que eu comecei a temer a ideia de escrever minhas experiências em um blog ou alguma rede social. Eu travei! Não queria ser o exemplo de acerto ou erro de alguém.

O primeiro comentário do meu blog (que tiveram apenas dois, até hoje) foi de uma seguidora que se sentiu decepcionada por eu ter prometido falar sobre meu planejamento e vivências durante um período viajando o Mundo sozinha com meu filho e, percebeu que eu tive muitas dificuldades e estava me questionava sobre o por quê de eu ter iniciado essa jornada. Me disse que decidiu, em razão da MINHA EXPERIÊNCIA, que o sonho dela deveria ficar adormecido, pois “não era fácil “. (Quem disse que seria, não é mesmo?)

Você é co-responsável pela sua vida. Cocrie a realidade que deseja!

Ao mesmo tempo em que aquilo me fez desmoronar e me trazer a tona um sentimento de culpa, larguei o vitimismo e me tornei mais forte com aquela situação. Eu não desisti. E persisti com muita consciência de que tudo faria sentido um dia. E fez! O que parecia uma fuga ou busca frenética pelo desconhecido, transformou nossas vidas para sempre! Se eu queria me sentir mais livre, não deveria estar me auto pressionando para dar respostas ou mostrar uma falsa realidade nas redes sociais para alimentar com hipocrisia uma  imagem distorcida do que estávamos vivendo. As máscaras já não me caiam mais bem. Eu as havia deixado no Brasil, quando partimos, em 4 de março de 2017.

Uma coisa eu posso dizer com toda a certeza do mundo: o Universo vai sempre conspirar a seu favor se você se abrir para a vida. Quando você se liberta de você mesmo, das suas próprias amarras, “pré-conceitos”, falsas limitações e medo, tudo flui.

Não, não será tudo rosas. Mas rosas têm espinhos e isso não as deixa menos belas ou mais fracas. Os espinhos tem função essencial em sua existência, assim como um caminho com lombadas, curvas e buracos, também fará na nossa, na sua.

Equilíbrio entre corpo e mente: o amadurecimento na jornada é notável!

A vida segue em frente. Sim, ENFRENTE!!!
Enfrente seus medos e dúvidas. Aliás, a dúvida é saudável até certo ponto. Que bom ter opções, mas lembre de se deixar guiar pelo coração! A razão é traiçoeira, mas é ao mesmo tempo necessária para equilibrar a vida.

Recorde -se de onde veio, quem você é, ou quem você deixou de ser quando cresceu. Cuidado com o que fará com o que fizeram com você. Perdoe. A si mesmo e ao que a vida lhe proporcionou. Um dia, como eu disse, tudo fará sentido.

Sonhe, idealize e principalmente, realize. Quantas vezes quiser e do tamanho que desejar! Queira o horizonte, mesmo que alguém já tinha ido lá – ou não. Se vai dar certo ou não, é outro assunto. E se não der, recomece novamente.

Erros e acertos são degraus de crescimento para cada história de vida e moldam quem você é.

Todos nós precisamos de espaço e um momento a sós.

Não se entregue ao comodismo, saia já dá sua zona de conforto e assuma as rédeas da sua própria realidade.

O mundo não precisa acreditar em você. Você se basta! Use isso para fazer o bem, a você e ao seu redor. Se é para inspirar alguém, que seja através da sua garra, atitude e força. Ou até da sua fraqueza. Não se esconda a partir de uma decepção, tristeza ou medo, e lembre-se que você pode chorar, e então aproveite para que essas lágrimas reguem suas raízes, para que assim você floresça ainda mais vigorosa (o)!

Mantenha o comando da sua vida, mas deixa ela te surpreender. O tempo está aí batendo a sua porta e tudo que você precisa fazer é convidá -lo para entrar e recebê -lo com coragem e amor.

Não são só as portas que se abrem… esteja atento aos sinais!!!

Grande abraço com todo o meu carinho e gratidão!!!

Balanço da viagem: 1 mês

Se fosse preciso colocar uma vela para cada emoção vivenciada no nosso primeiro mês de viagem, talvez nem desse para ver direito o bolo. Hoje eu e o Ben comemoramos o primeiro “animesário” – há exatamente um mês deixávamos nossa boa vida, família, amigos, trabalho e rotina no Brasil para iniciar uma jornada de volta ao centro das nossas vidas, um resgate à minha essência adormecida.

Acho que nem eu tinha noção do que me esperava nesse período sabático. Alguma coisa me chamava para isso, mesmo sem eu saber o propósito real dessa experiência. Eu não tinha exatamente um ‘sonho’ de viajar, mas quando estava grávida eu imaginei que em algum momento da minha vida faria essa viagem quando o Benício estivesse maior.

Acredito que tudo o que acontece na vida são respostas que o universo dá aos nossos questionamentos. Sempre estive aberta a receber essas respostas, mas só agora consigo enxergá-las com mais clareza por estar conseguindo fazer as perguntas certas. E o que isso tem a ver com o propósito da viagem? Acho que essa foi a forma do universo me mostrar que eu precisava me redescobrir como mãe.

Apesar de estar quase sempre com o Benício, sinto que falhei na educação dele por deixá-lo um pouco solto. Venho de uma base muito estruturada, meus pais sempre batalharam muito para proporcionar uma boa vida à nossa família. Talvez pela facilidade que eu tive – e abro um adendo para dizer que não culpo os meus pais e, tampouco, estou reclamando – acho que acabei passando esse estilo de vida mais ‘folgado’ para o Ben (do tipo, se ele bagunçava o quarto, tinha uma funcionária em casa para arrumar). Nessa viagem eu percebo como a educação dele deveria ter sido diferente.

O Benício é uma criança boa e inteligente, mas vejo que alguns aspectos da educação dele foram negligenciados por mim. Eu costumava passar o dia no trabalho, enquanto, pela manhã, ele ficava em casa e à tarde ia para a escola. No fim do dia ambos já estávamos tão cansados para brincar e conversar, que aquela interação entre mãe filho era praticamente inexistente. Agora, que não temos outras pessoas da família ao redor e nem funcionários para fazer as coisas por nós, só podemos contar um com o outro. “Precisamos ser melhores amigos, parceiros de verdade”, foi o que falei para ele logo no início dessa jornada. São muitas mudanças e ele está tendo que se virar como gente grande.

De boa em NYC. Celebrando o primeiro mês de viagem na Big Apple.

Dizem que até os sete anos é o momento para educar, formar os valores de uma criança, então acredito que essa jornada tenha vindo em um momento importante para nós – o meu crescimento como mãe e o senso de responsabilidade dele. Estamos juntos 24 horas por dia, e eu imaginei que fosse ser complicado e cansativo, mas eu agora percebo que tudo o que ele quer e precisa é de compreensão em relação aos sentimentos dele. Não são apenas novos lugares que estamos conhecendo, são pessoas, climas, sabores, costumes, perrengues… Tudo isso gera um mix tão grande de emoções, que eu agora me dou conta de que essa viagem é mais uma grande oportunidade de reflexão do que de turismo. 

Me redescobrir como mãe, fazer o Ben entender as responsabilidades e consequências das atitudes dele, estreitar os vínculos entre mãe e filho, compartilhar a vida real para mostrar que nem tudo são flores nessa jornada – talvez o propósito da nossa viagem seja cada uma dessas coisas. O que posso dizer, com absoluta certeza, é que cada passo dado é um novo aprendizado, e todo o amor que sinto pelo meu filho só aumenta a cada dia. Que venham os próximos meses das Viagens do Ben!

Perguntas que não precisam de respostas

Tem sido difícil compreender que algumas perguntas não necessariamente precisam de uma resposta, e que muitas vezes, você pede um sinal do Universo, a Deus, a qualquer força superior que você acredita e ama, e novas perguntas surgem aos seus olhos. Pode ser que à primeira vista elas pareçam casuais, mas se você estiver atento de que os sinais estão em qualquer situação, irá perceber que elas têm muito a te dizer.

Tem sido difícil compreender que algumas perguntas não necessariamente precisam de uma resposta, e que muitas vezes, você pede um sinal do Universo, a Deus, a qualquer força superior que você acredita e ama, e novas perguntas surgem aos seus olhos. Pode ser que à primeira vista elas pareçam casuais, mas se você estiver atento de que os sinais estão em qualquer situação, irá perceber que elas têm muito a te dizer.

Seguindo as últimas 2 postagens sobre questionamentos que te possibilitam refletir, introduzo aqui mais dez perguntas que vão mexer com seus pensamentos e sentimentos:

  1. Você prefere ser um gênio preocupado ou uma pessoa simples e alegre?
  2. Por que você está onde está?
  3. Você é o tipo de amigo que quer como amigo?
  4. O que é pior, quando um bom amigo se afasta, ou perder o contato com um bom amigo que mora bem perto de você?
  5. Qual a coisa pela qual você é mais agradecido na vida?
  6. Você prefere perder todas suas velhas memórias ou nunca ser capaz de fazer novas amizades?
  7. Será que é possível saber a verdade sem desafiá-la primeiro?
  8. Alguma vez o seu maior medo se tornou realidade?
  9. Você se lembra daquela vez cinco anos atrás, quando você estava extremamente chateado? Será que aquilo realmente importa agora?
  10. Qual é a sua memória mais feliz infância? O que a torna tão especial?

Pense nisso. Responda se quiser. Chore se precisar. Mas permita-se digerir essas frases “inocentes” que podem dizer muito sobre você.

Compartilhe com seus amigos. Pode ser que você traga a tão desejada resposta para alguma situação ou momento dessa pessoa.