A adaptação com filho em outro país

Uma das questões mais recorrentes que surgem no bate papo do dia a dia é sobre como está sendo a adaptação de vida em outro país, da minha parte, e da parte do Benício. Muitas mães que me acompanham, casadas ou solteiras, querem saber um pouco mais de como temos lidado com as diferenças culturais e todo o pacote que vem junto com uma nova vida.

Um dos belos lugares por onde passamos: Lago de Genebra, na Suíça.

Fico bem feliz em poder compartilhar as peripécias dessa mudança, mas quero lembrar que essa é apenas a minha versão e realidade sobre a adaptação. Para cada outro indivíduo diferente de mim, e até a mim mesma em uma outra época, tudo será e seria diferente.

Então meu propósito aqui é de conversar com vocês de forma sincera e aberta, e com toda a vibração positiva para que essas reflexões inspirem quem está a poucos ou longos passos de tomar uma atitude de recomeçar a vida em outra cidade, estado ou país.

Esse momento, lugar e sorriso, jamais se repetirão! Escreva sua própria história e realidade!

Eu e o Benício já visitamos a Suíça inúmeras vezes antes de iniciarmos uma nova vida aqui, e isso certamente nos deu oportunidade de vir para cá já tendo amigos e conhecidos, o que de cara já eliminou o maior “ponto negativo” da mudança de país, principalmente se tratando da Suíça, que o maior caso de infelicidade ou insatisfação para expatriados é a dificuldade de criar laços, fazer amizades e se sentir aceito (comprovado por pesquisas no país).

Os amigos do meu marido (suíço) são pessoas muito boas, altamente receptivas e que sempre nos trataram com muito carinho, do jeito deles. E já faz 12 anos que eu e meu marido nos conhecemos, portanto sempre que vínhamos para a Suíça passear, eu acabava fazendo algo com as esposas – aqui elas saem muito em meninas – e depois com filhos, combinávamos alguma forma de nos encontrarmos também.

Para facilitar ainda mais, meu marido tem sobrinhos com idade próxima a do Benício, ou seja, ele mata um pouco da saudade das primas do Brasil quando encontra os primos daqui. Resumindo: o que não faltam são pessoas queridas que tem bons sentimento por nós, e estão aqui “para o que der e vier”, quando necessário. Sem contar nos avós e tios postiços suíços que torcem e se oferecem a apoiar no que for preciso.

Desbravando cidades com o primo Gordon.

Os suíços que eu e o Ben conhecemos até então são sinceros e solícitos, mas muito na deles também. Possivelmente jamais pedirão sua ajuda. É cultural. E se pedirem, é porque confiam mesmo em você. E aqui, confiança é o coração de uma boa amizade. Aliás, em qualquer lugar, não é mesmo? O que ninguém faz aqui é invadir o espaço do outro. O respeito é como o sangue que pulsa nas veias.

Quando você faz uma amizade verdadeira, é para valer. Assim como no Brasil. Eu particularmente sempre fui de poucos, mas bons amigos. Adorava o fato de estar cercada apenas de pessoas especiais e com quem eu queria mesmo compartilhar minha vida, até porque eu falo demais sobre o que sinto e penso.

Viu como falo demais?

Escolha a sua vida!

Voltando ao tema “adaptação”.

Estamos efetivamente vivendo na Suíça desde final de Julho deste ano (2017), mas saímos de casa (Brasil) no início de março. Desapegamos de muita coisa que não fazia mais sentido pra gente, e até muitas outras que perceberíamos mais tarde que eram desnecessárias também. Éramos eu, Benício e uma baita mochila/mala de rodinhas contendo tudo que precisávamos (ou eu achava que precisaríamos) para alguns meses viajando rumo ao desconhecido, e uma mochila de costas. Digo desconhecido pois, apenas de rotas programadas, não sabíamos como seriam essas descobertas e aventuras, e deixamos brecha para novas possibilidades.

Tomando conta dos nossos pertences!

E com isso, tivemos que nos adaptar a muitas coisas: a estarmos 24 horas por dia juntos, a sermos melhores amigos, a controlar a saudade, a ter paciência (ô coisa difícil), a degustar novos alimentos, a confiar em nossa intuição, a não deixar se abater pelos problemas no caminho, a ter atitude para tomar novas e importantes decisões, a encarar más escolhas, a chorar quando preciso, a pedir ajuda, a sorrir sem motivos, e muito mais. Parece que só listei aqui a parte ruim né? Mas de uma coisa hoje eu tenho certeza: foi através das nossas experiências maquiadas como as piores, que tivemos os mais incríveis e reais aprendizados, e consequentemente, nosso amadurecimento. Os desafios nos abriram os olhos e caminhos, e por isso sou grata por tudo que o Universo nos faz enfrentar.

Nossas sombras estão por todos os lados, e refletem nossos mais obscuros anseios e condicionamentos.

Então, após inúmeras vivências confusas, felizes, assustadoras, inesperadas e desejadas, decidimos radicalizar e moldamos os planos, para ao invés de voltar ao Brasil após o período sabático, mudarmos para a Suíça.

Tudo parecia fazer sentido. Estaríamos novamente com a família unida (eu, filhote e marido), em convívio diário e com todas as suas diferenças culturais. Sim, seria um baita desafio, mas essa palavra tem sido instigante para mim.

Curtindo o carinho dos avó em uma das visitas aqui na Suíça, em Berna.

Convencemos (entre aspas) minha família no Brasil de que o plano daria certo. O pai biológico do Benício permitiu essa nova jornada e tivemos assim, apoio de quem mais precisávamos para seguir nossos caminhos. Com suporte de quem se ama, tudo flui magicamente melhor.

Sabe aquele ditado que diz que “a gente só dá valor quando perde”? Isso é bem relativo e ao mesmo tempo super importante. Com a distância física de algumas pessoas da família, nós também perdemos a mente robótica de julgamentos, estresse, imparcialidade e saímos do piloto automático. Estar com em contato com a família através de vídeos pelo celular, ligações ou alguns poucas visitas, elevou absurdamente o nível de amor e afeto compartilhado, e transformou significativamente as nossas relações pessoais. Há muito menos discórdias e discussões. Há mais desejos de passar o tempo que se tem, da melhor maneira possível. Aprendemos muito mais sobre compaixão e cumplicidade. A distância uniu cada um de nós num mesmo propósito de prosperidade, confiança e esperança. A zona de conforto deu vez para o conforto dos abraços quando estamos juntos com quem amamos e sentimos saudades.

A distância física ensina o que é o amor verdadeiro, sem pressão, posse ou obrigação. Ama-se com leveza e consentimento . Com sentimento!

Chegamos com toda estrutura já montada, afinal, meu marido já estava vivendo na Suíça enquanto eu e o Benício havíamos ficado no Brasil. Então no início não foi uma loucura de corrida atrás de apartamento, mobiliário e afins. Apenas tivemos que eleger um novo apartamento com denominação familiar como uma das exigências do pedido de visto ao consulado Suíço. Alguns detalhes apenas foram sendo avaliados e decididos juntamente em família. E tudo acontecia tão perfeitamente que dava medo. Me lembro quando planejamos há 1 ano e meio atrás a vinda para a Suíça, e eu me apeguei a uma região no mapa e disse a mim mesma e a todos: “Me vejo morando nessa quadra, e o Benício estudando nessa escola”. E você acha que isso aconteceu? Claro! Minha intenção e energia foram tão intensas e sinceras que o Universo conspirou a favor. Já estava escrito em algum lugar e minha intuição, sexto sentido ou feeling, já denunciavam.

Nosso meio de transporte mais emocionante.

O período em que chegamos na Suíça para viver, era de férias de verão (fim de Julho). Prontamente já havíamos matriculado o Benício para estudar assim que o ano letivo – que inicia em agosto aqui – iniciasse. Como trocaríamos de apartamento e de cidade, optamos por uma escola mais longe da residência inicial, porém há apenas 5 minutos da futura moradia. Seriam apenas 35 dias de transição e correria para chegar a escola. Mas tudo era tranquilo e estávamos com muita energia para esse recomeço.

Durante todo o processo de pedido de visto, visita a central de integração de imigrantes, idas ao mercado sem falar uma palavra em alemão (estamos no cantão de Zurique, que é a parte alemã do país), compra de ticket de ônibus e trem, abertura de conta bancária, e até os simples horários de meios de transportes cronometricamente estipulados, já dá pra perceber um dos grandes diferenciais culturais daqui: que as coisas funcionam. E sem muitas delongas. Você consegue fazer tudo sozinho, sem ter que falar a língua materna. Mas, claro, que isso graças a língua inglesa ser curricular no ensino do país e pré-requisito na maioria dos empregos, principalmente nos diretamente ligados ao turismo.

O caminhão que levou nossa mudança.

Ao mesmo tempo em que tudo funciona de forma organizada e controlada, quando algo sai da normalidade, é motivo de dor de cabeça na certa. Os suíços não foram educados para “apagar incêndio” como no Brasil. A pensar em planos B, C ou D. Ali é plano A ou nó na cabeça! Mas nada que a nossa insistência não auxilie. Eu prefiro também não ter que enlouquecer para fazer coisas simples do dia a dia.

Aliás, a parte mais difícil por enquanto na adaptação está sendo ter que agendar compromissos com amigos com um mês, semanas ou longos dias de antecedência. Eu sempre tive a mania de decidir em cima da hora se ia ou não a algum apontamento. Brincadeiras à parte, essa parte é fogo! (risos)

Ser e Estar presente é o melhor presente!

A cordialidade e respeito das pessoas que nem se conhecem é linda. Moramos em cidades pequenas de interior e todos na rua, quando se cruzam, educadamente se cumprimentam. Principalmente crianças e idosos. É lindo!

O início da escola foi o melhor que poderíamos imaginar. A escola acolheu o Benício com muito amor e respeito, com planos e desejos de que ele se sentisse integrado desde o início. Não teve privilégios, mas a atenção que eles dão a tudo e a todos. Em pouco mais de um mês frequentando a escola, já tem noção de alemão, arranha o espanhol  (para conversar com o amigo da sala que é filho de italiana com espanhol) e ja entende mais o inglês, que é a língua que a mamãe fala por ainda não falar a língua alemã, e que falamos por meses durante nosso sabático. Onde ele aprenderia assim rápido tantas línguas diferentes? Levariam meses ou anos em um curso de idiomas no Brasil.

Pura alegria no primeiro dia de aula na Suíça.

Sobre a escola, que até mesmo inseriu na grade de educadores uma professora filha de mãe brasileira e que fala português, por exemplo hoje, para complementar essa minha afeição pela forma com que tratam meu filho, tivemos em casa a visita de sua professora. Após 4 dias faltando a escola por causa de febre, me ofereci a ir a escola pegar as tarefas. O que recebi depois foi um ato de amor: “querida, não se preocupe! Eu levo as atividades dele esta tarde”. E ela veio! Tocou a campainha, subiu 3 lances de escada até chegar em nossa casa, conversou com o Benício apenas em alemão, ele entendeu praticamente tudo, conheceu seu quarto, sentou junto a ele na mesa de estudos e fez um breve resumo de tudo que ensinou aos colegas de classe, entregando posteriormente as atividades para a próxima semana.

Fazendo as atividades após a visita da Professora.

Tudo tem sido intenso e especial. Claro que, como falei no início, essa é a minha realidade. Me sinto privilegiada em ter minha família apoiando de todas as formas e torcendo de longe, termos amigos queridos ao redor, um lar tranquilo, e acima de tudo, um filho que tem curiosidade em aprender, não se entrega tão fácil pela barreira da língua, vibra a cada nova amizade, se entrega e tem autoconfiança. Obviamente tem seus momentos de incertezas, saudosismo e vários outros sentimentos. Pensa que nunca vai falar a língua, que era mais feliz no Brasil, mas são pensamentos sadios e normais que o fazem, em determinado ponto, deixar o vitimismo de lado e se tornar, aos poucos, protagonista da própria história.

Um menino de ouro, sendo lapidado como todas as crianças por aqui e por aí. A gente, adulto, que às vezes estraga, por estarmos cheios de crenças e condicionamentos.

Eu ainda não estou trabalhando e não comecei com firmeza meu curso de alemão. Nesses 3 meses que estamos aqui, já recebemos visita de parte da família do Brasil por  duas vezes, fomos ao Brasil uma vez, nos mudamos de casa outra vez. Falta parar esse vai e vem, dar um chega pra lá na procrastinação e começar a me integrar aqui. Ah, e o inverno pesado ainda não chegou… talvez eu reescreva esse texto em alguns meses (ou seriam semanas?)

Ficamos em casa de amigos durante a transição de apartamento: entrega de chaves do antigo e recebimento do novo.

Tenho projetos de empreender aqui, com mil e uma ideias mirabolantes. Estou em fase de tempestade de ideias e planejamento delas. Também estou em processo de correção de um livro com histórias baseadas em fatos reais e cheias de surpresas e aventuras, que em breve devo decidir o que fazer com esse meu carinhoso livro, que surgiu de um resgate de mim mesma quando dei um profundo mergulho nas minhas histórias e experiências, rumo ao autoconhecimento. Sinto-me orgulhosa e grata por cada uma das trajetórias que me guiaram até o momento presente. Será um prazer compartilhar com vocês!!!

Abra-se para as oportunidades da vida.

Você só vai saber como será a SUA ADAPTAÇÃO em qualquer situação na vida, quando vive-la! Que as suas buscas por pessoas que decidiram resignificar e realinhar sua história a uma nova terra, sejam de pura inspiração, e jamais de mutilação de sonhos!

Seja co-criador do caminho que genuinamente almeja. Já se imagine vivendo a vida que deseja! Me conte nos comentários qual a vida que gostaria de estar apreciando nesse momento, mas o medo e a insegurança te paralisam de realizar? Segura na minha mão e vem que a gente se ajuda.

Aliás, tem muita referência bacaníssima na internet e que servirá como um empurrãozinho pra você, mas lembre-se que muito mais do que seguir alguém ou o que falam (tipo eu), é se deixar guiar pelo coração! O resto vem com a sintonia do brilho dos olhos e batimentos cardíacos em ritmo de festa. Falei muito sobre isso no post anterior. Menos expectativa, mais ação. E de tudo que eu poderia falar para vocês sobre recomeçar em outro país ou viajar com filhos, sugiro que leiam essas reflexões pessoais.

Um brinde às infinitas possibilidades!

Forte abraço,

Mamãe do Ben

Perrengues em Cancún #perrenguesdeviagem

Todo mundo que viaja espera que tudo saia perfeito. Comigo e com o Benício não é diferente. Sempre viajamos com o pensamento de que tudo vai dar certo e tentamos manter a vibração em alta, mas nem sempre as coisas saem conforme o planejado. Nessas horas, é preciso ter um pouco de jogo de cintura para enfrentar os contratempos e lembrar que não é o universo se voltando contra nós, é apenas uma forma de dizer que por trás daquela situação temos algo de importante para aprender.

Como a ideia do blog é compartilhar experiências, nada mais justo do que dividir as boas e as não tão boas assim. A intenção não é desanimar ninguém, e sim alertar as pessoas sobre possíveis adversidades que possam surgir no meio do caminho, como aconteceu conosco no México, bem no início da nossa aventura.

Parecia um prenúncio. Apesar do voo tranquilo de Bogotá para Cancún, passamos por umas nuvens bem carregadas que causaram uma turbulência que nos deixou assustados. Já cansados das mudanças de avião e de aeroportos, e desejando cair em cima de uma cama, passamos um tempão esperando as bagagens – e nada de liberarem! Nos deparamos com carros de polícia e cães farejadores procurando por algo alucinadamente nas malas, sem nada encontrarem. Malas enfim liberadas, hora de pegar um Uber para ir à casa que alugamos por uma noite.

Eu não havia pensando na possibilidade de não poder pegar um Uber (mais tarde eu viria a saber que a guerra entre taxistas e motoristas de Uber é bem complicada em Cancún). Naquele momento, tudo o que a gente queria era sair do aeroporto e ir para casa, então, depois de muita negociação, acabamos fechando com um táxi. Veio um cara muito estranho nos levar, e não era a mesma pessoa com quem havíamos conversado. Ele não fazia ideia de onde era o local indicado e eu pedi que ele colocasse no GPS ou Waze para chegar lá. Ele disse que odiava GPS e não tinha, me mandou usar o meu. O cara dava medo! Acabei habilitando a minha internet do Brasil (foram os R$ 25,00 mais bem pagos!) e fomos.

A tranquilidade de estar no hotel depois de uma noite de perrengues.

O local era sombrio, assustador. Eu e o Ben só rezávamos! Mas pior mesmo foi chegar na casa que alugamos pelo Booking.com, que era super bem avaliada por famílias no site. Como era perto do aeroporto e chegaríamos às 20h, eu tinha pensado em um lugar só pra dormir. Quando olhei para aquele lugar, a única palavra que passou pela minha mente foi “ferrou!”. Era o pior lugar em que já estivemos. Era, na verdade, um flat sujo e inacabado no meio de uma construção e mato. Falei pro Benício “Vamos subir e dar um jeito de chamar um Uber para ir embora”. Avisei ao dono do flat que ia levar as malas porque ia jantar com uns amigos (fictícios) que tinham um quarto livre, e se quiséssemos prolongar a noite ficaríamos por lá mesmo. Orientei o Ben para que ele confirmasse tudo o que eu falasse, porque sabe Deus o que poderia passar na cabeça daquele cidadão!

Foi uma busca insana para ver se o Uber ia naquele fim de mundo. Depois de muita apreensão – e tentando manter a calma para não passar pro Benício a dimensão da preocupação que eu estava sentindo – o Uber chegou! Eram 22h, e a motorista era uma mulher, que nos confidenciou que achou que não fosse sair viva daquele local. Graças às forças que regem o universo, chegamos no hotel sãos e salvos.

Aplicativos essenciais para a viagem

Dizem que as mulheres carregam a vida dentro de uma bolsa, mas a verdade, atualmente, é que todo mundo – mulheres e homens de todas as idades – carrega a vida é dentro de um smartphone. E nem quem viaja consegue se desligar totalmente desses aparelhos, porque, afinal de contas, a vida não para – e nem as contas deixam de chegar!

No post Equipamentos eletrônicos: o que levar?, comentei que estamos com dois aparelhos: um iPhone, que fica mais com o Ben (basicamente para jogos, fotos e distrações), e o Samsung Galaxy S7, o encarregado de levar todos os aplicativos e informações úteis.

Para falar sobre alguns desses aplicativos, dividi em categorias para compartilhar informações sobre os que mais uso e recomendo:

Finanças

Não tem como escapar! O período longe de casa é longo, mas, mesmo à distância, é preciso ter controle das contas. Além das transações convencionais, através dos aplicativos de Internet Banking é possível solicitar cartões de crédito e fazer transações de câmbio. Os dois bancos que utilizo são Itaú e Santander.

Utilitários

Dropbox – Se você não conhece o Dropbox, deveria, porque esse aplicativo é uma mão na roda! Ele é uma espécie de nuvem, e os arquivos que você coloca nele ficam disponíveis para serem acessados de qualquer dispositivo através do seu e-mail e senha. Dá para criar pastas compartilhadas também, o que significa que sempre que outro usuário alterar um arquivo existente ou adicionar um novo, você, de onde estiver, vai conseguir visualizar.

Microsoft Office – Nossos bons e velhos conhecidos Word, Excel, Outlook… O Word, por exemplo, me ajuda bastante na hora de escrever as informações a serem usadas nos posts aqui do blog.

CamScanner – Não é sempre que preciso usar, mas achei bem interessante. O CamScanner transforma qualquer documento em um arquivo em PDF, como se tivesse sido escaneado, e pesa bem menos do que fotografar cada página ou lado do documento. Além do mais, em vez de ter várias fotos, fica tudo condensado em um só arquivo.

Fotos e vídeos

Quik – Esse aplicativo foi uma feliz descoberta. Ele é o editor de vídeo da GoPro, mas não funciona apenas com as fotos e vídeos feitos por ela. O que achei bem interessante é que dá para selecionar as fotos e o próprio app cria vídeos com layouts diferentes e músicas. Já postei alguns no Facebook e no Instagram (aproveita e nos segue por lá também!).

Snapseed – Um editor de fotos bem legal que permite escrever nas fotos escolhendo fontes e cores, e colocar uns layouts diferenciados. Bem bacana para quem curte incrementar as imagens.

Viagens e Turismo

Maps.Me – É uma espécie de Google Maps com o diferencial de oferecer o recurso de usar offline. Porque não é sempre que tem WiFi disponível, né?

BlaBlaCar – Ainda não usamos, mas o BlaBlaCar é um aplicativo para pedir carona – prática bem comum no mundo inteiro (embora no Brasil a carona ainda seja vista como algo perigoso). Nesse app você tem a opção de detalhar para onde deseja ir e o sistema busca condutores fazendo o mesmo itinerário. Com os dados cruzados, os membros se conectam para combinar os detalhes e rachar os custos da viagem.

Couch Surfing – Ao pé da letra Couch Surfing significa “surf no sofá”. Pessoas no mundo inteiro oferecem um sofá (um colchão no chão, uma rede, uma cama bem confortável ou que tiver disponível em casa) para receber hóspedes. Embora seja bastante utilizado como uma forma de economizar na hospedagem, o bom mesmo do CS é poder vivenciar novas culturas e costumes estando diretamente inserido na casa de um morador local e ver de perto o estilo de vida da pessoa.

Ainda nessa categoria de viagens, uso o Booking.com para fazer reservas em hotéis ou alugar apartamentos por temporada. O Uber não se encaixa na categoria de viagens especificamente, mas deixei para falar dele aqui para chamar atenção para o post Perrengues em Cancún e deixar o alerta para que sempre – sempre! – pesquisem antes para buscar mais informações sobre o serviço no destino e evitar roubadas.

Além dos aplicativos citados, tenho o My Disney Experience, que é bastante útil para quem visita a Disney e deseja marcar fast pass e buscar outras informações sobre os parques, mas descartável para quem já foi e não tem apego ao app que remete à terra da magia.

Por último, mas não menos importante, Facebook, Instagram e WhatsApp são aqueles aplicativos que a gente não abre mão de jeito nenhum. São eles que nos conectam diariamente à família e amigos no Brasil, ajudando a matar um pouquinho a saudade de todo mundo que está longe.

E pensar que não muito tempo atrás, com meios de comunicação bem mais restritos, viajantes e familiares precisavam marcar hora para se falarem (porque em determinados horários a ligação era mais barata) e tudo precisava ser resolvido antes ou depois da viagem. Abençoada seja a tecnologia que facilita a nossa vida!

Como escolher o seguro de viagem internacional

O seguro de viagem é o tipo de coisa que a gente reza para nunca precisar usar, mas viajar sem ele seria, no mínimo, uma atitude irresponsável, principalmente em uma viagem tão longa e na companhia de uma criança.

Nos grupos de viagens que participo, de vez em quando vejo algumas pessoas reclamando do alto custo desse tipo de serviço e dos riscos que elas preferem tomar viajando sem cobertura. Ninguém melhor do que a própria pessoa para saber quanto pode gastar e de quais luxos pode despender. Acima do meu ponto de vista como mãe, meu conselho como viajante para qualquer pessoa é: não viaje sem seguro! Não é luxo, é uma necessidade. Além do mais, alguns países não permitem a entrada de visitantes estrangeiros sem um seguro contratado. (Os países que fazem parte do Tratado de Schengen, por exemplo, estabelecem a obrigatoriedade de contratação de seguro com valor mínimo de 30.000 euros).

A gente passa tanto tempo programando o roteiro, planejando o orçamento, escolhendo passeios, selecionando hotéis, acompanhando de perto cada detalhe. Imagina tudo isso ir por água abaixo por causa de um imprevisto! Pode acontecer uma coisa boba, como uma dor de cabeça chata devido ao jet lag (e que pode ser facilmente resolvida com algum remédio da farmacinha). Mas já pensou se acontece algo mais sério, como uma crise de vesícula ou um tornozelo quebrado? É melhor estar preparado para os imprevistos e contratar um seguro do que depender da sorte e gastar uma pequena fortuna com o tratamento.

Desde que tomei a decisão de fazer essa viagem e comecei a pesquisar os destinos, coloquei o seguro na planilha de despesas e fiz várias cotações com operadoras de turismo, com o Bradesco Seguros, com os sites que oferecem o serviço pela internet e analisei o seguro do cartão de crédito. Depois de muito analisar, escolhemos o World Nomads, que saiu mais barato do que os demais e ainda pudemos selecionar todos os países por onde vamos passar. Além do mais, fora os países que estavam na nossa programação, o seguro do World Nomads também oferece cobertura para os cruzeiros marítimos.

Viajar com seguro garante a tranquilidade para os imprevistos.

Uma das coisas que eu buscava, pelo menos para essa viagem específica, era que a gente não precisasse ligar para agendar um atendimento. Com o serviço do World Nomads que escolhemos, basta se dirigir ao local para receber a assistência e depois enviar a nota para ressarcimento. Como essa é a primeira vez usando o seguro e ainda não foi necessário acioná-lo (e espero nunca precisar!), não tenho como avaliar. Ainda de acordo com as opiniões de outros viajantes, o contratempo que a maioria dos que precisaram acionar o seguro teve foi para receber o reembolso das despesas.

Independentemente da seguradora, é importante avaliar de antemão as regras para entrada em cada país que você vai visitar e escolher a partir daí. Mesmo nos países que não exigem seguro de viagem, é melhor incluir essa despesa no orçamento do que ter uma grande dor de cabeça depois. 

Malas prontas!

Já arrumei mala para um fim de semana, já organizei a bagagem para ficar fora algumas semanas, já fiz viagens um pouco mais longas de mochila nas costas. Mas encarar uma jornada de nove meses, passando por vários países, na companhia de uma criança é a primeira vez. E aí, o que levar na mala?

A primeira coisa a ter em mente é que não podemos levar “a nossa casa nas costas”, e a maior parte das nossas roupas, acessórios, brinquedos e pertences pessoais vai ter que ficar guardadinha esperando o nosso retorno. Por outro lado, também temos que levar em consideração que é muito tempo fora e que, nesse período, vamos passar por todas as estações e condições climáticas. No México, por exemplo, que é a nossa primeira parada, um calor de 27°C em média nos aguarda. Menos de um mês depois, nos Estados Unidos, estamos nos preparando para mínimas de 0°C. Sem falar nas oscilações de temperatura que também enfrentaremos na Europa posteriormente. Tantas variações se traduzem para dentro de nossa mala como “de tudo um pouco”, desde roupas de banho para o verão às peças mais pesadas para o inverno.

Estamos levando uma mochila híbrida de 60 litros da Osprey – modelo Sojourn pesando 22kg, uma mochila de combate para carregar no dia a dia e uma mochila de brinquedos (essa é para o Benício “ajudar a carregar” a bagagem). Os brinquedos, além de distração, vão ajudá-lo a matar a saudade de casa com objetos significativos para ele. Confesso que essa seleção de brinquedos está sendo uma tarefa bem difícil! E o que também está pesando na mala são os quatro livros escolares para estudos do Ben durante a nossa jornada. Nesse período, o sistema de estudo dele será através do homeschooling (falarei sobre o assunto futuramente), por isso esse peso na bagagem é inevitável. Ah, e não podemos esquecer da farmacinha e dos equipamentos eletrônicos, que também ocupam bastante espaço, mas são essenciais.

Malas à parte, todo esse processo de organização está sendo muito positivo para nós dois. Apesar de arrumar e desarrumar a mala várias vezes, conseguimos praticar o desapego e separamos mais de 80% das nossas roupas para doação. Isso nos fez confirmar que precisamos de muito pouco para sermos felizes!

Agora que a bagagem está quase pronta (só faltam algumas coisinhas que vamos deixar para guardar no dia da viagem), o friozinho na barriga aumenta à medida em que a contagem regressiva vai se aproximando do fim. Falta pouco!

Escolhendo os destinos da viagem

Para onde ir? Por qual rota começar a nossa jornada? Quanto tempo passar em cada lugar? Será que o Ben vai se adaptar numa boa? Dúvidas, dúvidas e mais dúvidas! Se até os viajantes mais frequentes enfrentam algumas incertezas de vez em quando, imagina para uma mãe que está viajando sozinha com uma criança. Podemos (e devemos!) pensar na parte boa da viagem, mas é preciso também levar em consideração a nossa segurança e o bem-estar do pequeno, daí a necessidade de comprometimento e responsabilidade ao eleger pelo menos os primeiros destinos.

Foram meses de planejamento, ideias de roteiros, avaliações de clima para levar roupas leves em uma mochila de 60 litros para duas pessoas. Só de pesquisa já deu para fazer algumas viagens de volta ao mundo. Estudamos juntos cada destino para saber como é o clima, a cultura local e se o lugar tem atrações interessantes para a idade do Ben (principalmente parques de diversões, que ele adora!), mas chega um momento em que a gente precisa seguir a nossa intuição e parar de procurar por novas alternativas. É quando entra a atitude!

A nossa ideia inicial era conhecer todos os continentes nessa trajetória. Eu e o Benício nos entusiasmamos e começamos a pesquisar alguns países na Ásia e na Oceania – eu queria incluir a Tailândia no roteiro, o Ben queria conhecer a Austrália e a Nova Zelândia. O problema é que essa “parte do mundo” ficaria para o final da viagem, então imagina o cansaço, depois de meses viajando e com o corpo já debilitado pelas mudanças de clima e fuso, ainda ter que encarar um voo de 30 horas para chegar em casa! Não, obrigada. Optamos por deixar essa rota para o futuro.

Avaliando todos os itens descritos, decidimos por onde iniciaríamos esse período sabático: um lugar mais perto e com mais opções de voos, optamos pelos Estados Unidos. Pesquisamos as passagens para Miami com a intenção de esticar a nossa rota dentro das terras do Tio Sam para outros estados. E aí, numa daquelas reviravoltas de planejamento, descobrimos que entrar pelo México ficaria mais barato ainda. Dá para imaginar a nossa felicidade diante do “sacrifício” de ter que curtir Cancun, Playa del Carmen e redondezas antes de adentrar em solo norte-americano? Passagens compradas e início do roteiro definido: México, aí vamos nós. Arriba!

Depois de viajar pelos EUA, também estamos planejando ir ao Canadá, mas essa parte ainda está em aberto. Tudo vai depender da questão da liberação da entrada no país pelos portadores do visto americano, que parece iniciar em 1º de maio de 2017. Serão dois meses e meio de viagem, de verão a inverno no caminho, quando finalmente entraremos na Europa pela Islândia – outro destino que partiu do interesse do Benício (e que só muito tempo depois eu descobri que ele queria dizer Irlanda), –  faremos uma parada estratégica em Londres antes de dar uma pausa para descansar na Suíça, onde o meu marido mora e que servirá de base para mochilas mais leves e viagens mais curtas pelos países vizinhos.

Mas a Suíça não é o nosso destino final. Ainda tem muito chão – terra, mar e céu – pela frente. Acompanhem nossas aventuras!