Um dia de terror

Dias atrás eu estava refletindo sobre o início do meu sabático com o Benício, e foi exatamente no começo, no primeiro dia.

Quando a gente saiu de casa pra valer, a caminho de Cancún, eu prometi a ele: “filho, vamos começar essa viagem em grande estilo! Elegi um destino super bacana para que nossa jornada comece com gás total e muito otimismo!”. Sim, eu estava muito certa disso, e nem imaginava outra situação. Um “Plano B” jamais havia sido cogitado para qualquer eventualidade, ao menos na chegada. E infelizmente não foi bem assim que as coisas aconteceram.

Tinha tudo pra ser um começo de viagem incrível!!!

Nosso primeiro dia foi regado ao maior perrengue e desafio já vivenciado por nós dois juntos (o meu, tenho certeza que foi, e dele muito mais, por ser jovem e ainda sem tantos dramas reais), um verdadeiro filme de terror. Só não morremos (de medo e de algo pior) por tomarmos a rédea da situação e escolhermos agir a nosso favor.

E essa é ainda a imagem latente que ele tem dos quase 5 meses que viajamos: aquele bendito episódio numa casa abandonada onde tivemos que literalmente fugir para, acredito eu, sobreviver.
Graças a Deus tivemos um final feliz onde os mocinhos se deram bem, mas ainda não consegui mostrar ao Ben o quão importante aquilo foi, principalmente no início da jornada. Mudamos aos poucos nosso trajeto e com certeza evitamos algumas outras furadas, mas com a vibração de medo e ansiedade apos esse episódio, ainda passamos por situações embaraçosas.
Ainda preciso desconstruir e harmonizar a realidade de vida pra ele. Alguma sugestão e Conselho?

Essa é a Mumu, a mascote que viajou conosco.

Para entender melhor, vou relatar detalhadamente o que foi o nosso pior dia de vida (e que Deus nos encheu de sabedoria e força também), até esse momento:

Chegamos em Cancún, mortos de cansados, aproximadamente 20h. Tudo o que a gente queria era ir pra nossa hospedagem, dormir gostoso e acordar super renovados, prontos pra muitas aventuras e alegrias. E tudo que tivemos, a partir do dali, foi uma uma sucessão de terror (eu já havia falado um pouco sobre o Perrengue em Cancún aqui, mas agora relato ele com mais detalhes e sinceridade): já desembarcados, fomos em busca da mala. Levou quase uma hora para recebermos ela, mas relevamos por procedimentos de segurança. Saímos do saguão, com péssimo sinal de internet, e decidimos chamar um Uber no aeroporto para nos levar ao destino. Foram inúmeras chamadas e ninguém vinha. Não entendíamos nada, foi quando uma pessoa disse: “nessa área não entra Uber. Você tem que ir na saída do aeroporto, lado x, rua z”. Eu não fazia ideia de como chegar lá e tampouco sabia que Uber não podia acessar a área de desembarque pois os taxistas não os aceitavam e por muitas vezes, os apedrejavam ou perseguiam. Depois de mais uma hora, já as 22h, nos rendemos a um táxi. Negociamos com um cara meio estranho (único que tinha) que cobrou absurdo, e entramos num carro.

Quem diria que esse sorrisão seria congelado tão rápido, e trocado por tremor de medo?

Pra piorar, não seria esse a nos levar ao local desejado. Vieram uns caras sinistros e de dar medo (não julgamos a aparência, eles tinham todo o jeitão duvidoso). Jogaram nossa mochila no porta mala aberto e ficaram discutindo quem ia nos levar. Eu já tinha medo de que alguém saísse correndo com ela e roubasse… ao menos isso não aconteceu! UFA! Pro nosso azar, veio o cara com o pior semblante possível, falando que não tinha GPS e que eu teria que explicar a ele como chegar no local porque ele não conhecia. Eu não tinha internet, teria que pagar pela do Brasil, e ele falou que: “ou você me dá o endereço com o seu GPS ou vamos ficar aqui dentro desse taxi!”. O Benício estava cansada e nervoso – sentiu minha aflição – e bateu com a cabeça no banco e falou pra mim “Quero ir embora mãe!”. Então o motorista falou: “manda esse menino calar a boca. Se ele quebrar alguma coisa, ele vai se ver comigo!”. Aí liguei a internet do Brasil no celular e falei para ele seguir. Fui rezando! O endereço parecia bem mais longe do que mencionado no anúncio do Booking.com.

Essas camisetas viajariam o Mundo conosco!

Entrando no endereço, já comecei a ter calafrios e rezar mais ainda. Aquele lugar parecia um matadouro. Até o taxista disse que ali só ia bandido e era lugar de “baixa”. Era pouco antes da meia noite, tudo estava escuro, nós mortos de sono e de medo. Demorou pra achar o local e quando chegamos, o taxista quis sair correndo de medo. Nos deixou ali no escuro, mesmo eu pedindo pra ele ficar um pouco e esperar alguém abrir a porta. Ele disse: “Eu não vou esperar aqui”. Gritamos pra alguém abrir a porta da “casa”. Um local caindo aos pedaços, com obra inacabada, matagal, sem vizinhos e minha internet não pegava lá, para nossa alegria!

Estávamos com uma mala/mochila grande pros 5 meses (eu levei ela cheia demais), o que dificultaria uma fuga – foi o que pensei na hora. Um cara simpático veio com uma lanterna para nos recepcionar. Ao menos isso! Pegou gentilmente nossa mala e foi nos levando até “nosso quarto”. Eu esperava na casa construída no térreo, mas não: ele subiu os quase 50 degraus no meio da obra, sem parede alguma, até o nosso “quarto”. O único da obra. Pra ter uma noção não tinha vaso sanitário, só um buraco para fazer as necessidades. O chuveiro era uma mangueira. O quarto tinha barata. Abandonado. Já comecei ali a matutar um plano para escapar. O Benício só falava: “a gente não vai ficar aqui né, mãe?”. E eu só pedia calma, dizendo que eu ia achar uma solução, mas primeiro precisava que o dono da “residência” saísse de perto de nós. Por sorte pedi a ele um tempo pra um banho e perguntei pela senha da internet.

Uma das boas lembranças que restaram daquele tempo…

Para nossa felicidade, conseguimos conectar, mas eu não sabia nem como procurar táxi. Pensei em tentei um Uber de novo, já que ali não parecia ser território de táxi. Na primeira tentativa, deu certo: conseguimos um Uber, que chegaria em 9 minutos. Ou seja: esse era o tempo que eu tinha pra descer com aquela mala pesada, todos aqueles degraus, sem cair pro lado e me quebrar toda, no escuro. Combinei com o Benício de dizer, caso a gente encontrasse o dono da casa, de confirmar de que nos demos conta ali de que acabamos trocando as malas com um amigo que veio junto e íamos devolver no hotel dele devolver.

Eu só tinha a luz da lanterna do celular e o Ben do telefone dele. Pedi pra ele levar a luz na frente, cuidar muito enquanto descia para não desequilibrar, e nisso eu carregava a mochila e mala até embaixo. Qualquer descuido era queda na certa. Quando chegamos embaixo, o Uber chegou e, na mesma hora, o dono da casa bravo por ver que estávamos saindo. O coração disparou.

Eu havia enviado uma mensagem de texto a ele, bem na hora da descida, perguntando onde poderia deixar a chave caso a gente saísse e não voltasse mais, pelos motivos da troca de mala. Ele se colocou em frente ao portão de saída, e eu novamente perguntei onde deixar a chave pois nossos amigos tinham uma cama sobrando no quarto de hotel e talvez pelo horário, a gente não retornaria. Nisso, a motorista do Uber veio falando que estava esperando e tínhamos que ir. Ela ficou observando tudo. Quando entramos no carro, eu disse: “Acelera!”, e ela disse que passou o maior susto pra chegar até ali, que ela estava sendo seguida por uma moto e ia cancelar a corrida, mas só voltou atrás quando viu a foto do perfil do Uber, que era de uma mulher e criança, e achou que estávamos em perigo. Graças a Deus, eu havia colocado a foto um dia antes!

Essa era a foto do perfil do Uber, na ocasião.

A gente tinha, nesse meio tempo, pesquisado um hotel pra ir e ela disse que não ia poder nos deixar na frente dele porque os táxis não deixavam. Paramos a alguns metros e fomos andando de novo, mas agora sem tanto medo, apesar da adrenalina a mil… chegamos a salvo! O Benício até dormiu na recepção por alguns minutos de tanta demora para irmos ao quarto, mas foi uma alegria sem tamanho poder estar num lugar decente, tomar um banho e dormir sem medo.

Pode ser que nada fosse acontecer e aquele era somente um lugar esquisito e de horrores, pois tinham comentários legais de famílias e viajantes, mas eu definitivamente não queria pagar pra ver!

E o mais louco disso tudo, é que o Benício e eu falamos por inúmeras vezes: queria poder esquecer esse tempo no México (esse foi só um dos perrengues!). Queríamos apagar da memória alguns dos acontecimentos. Nosso pedido foi quase atendido: quando chegamos nos Estados Unidos, nosso segundo país, percebemos que perdemos o cartão de memória de fotos do México. Ou seja: memórias fotográficas devidamente apagadas, conforme desejamos.

As fotos que restaram para contar história, são apenas aquelas que compartilhamos em redes sociais e pelo whatsapp com a família!

E fica o aprendizado: não arriscar a vida por tão pouco (dinheiro), estar sempre preparado para tomar atitudes e decisões de urgência, e cuidar com o que desejamos, pois seremos atendidos de alguma forma! 😉

Hoje compreendo que tudo isso TEVE que acontecer, para nos preparar para o que ainda viria, e para tirar o conto de fadas de uma viagem perfeita da minha cabeça. Era preciso planejar e não apenas deixar a vida levar, pois eu e meu filho juntos, por aí, e eu poderia colocar em risco a mim mesma, mas jamais a ele!

O que é a vida?

O que é a vida senão uma sucessão de acontecimentos malucos, reflexivos e emocionantes?

Só olhe para baixo para saber onde está pisando. Orgulhe-se apenas de ser quem é, e erga a sua cabeça sempre!

Por muito tempo eu pensei que a minha vida era muito pacata, nada de novo ou desafiador ocorria, e foi a partir desse mantra, que tudo começou a mudar. Mas mudou aqui dentro de mim. A partir do momento em que eu parei de só conseguia enxergar com cabresto o caminho em que eu trilhava, a reviravolta foi imediata.

Compreendi, através de uma busca profunda pelas minhas verdades e avaliando com carinho cada etapa da minha história, que eu tive a oportunidade de viver experiências que nem havia me dado conta. Que naquela tola impressão de não ter vivido o suficiente para deixar boas lembranças, eu comecei a escrever uma linha do tempo detalhada de episódios memoráveis e outros nem tão impactantes assim, ao meu ponto de vista inicial. Eu falo bastante sobre isso no texto “A Escrita como Terapia” que você pode acessar aqui.

Abaixo dos seus pés, apenas folhas, o chão, o mar, a areia e nada mais…

Eu, que sempre tive uma dificuldade tremenda em perdoar, pedir desculpas e facilmente guardava rancores de mil anos atrás, me dei conta de tanta sacanagem que fiz comigo mesma apenas pelo fato de não estar conectada com meu coração e agir única e exclusivamente com meu orgulho e prepotência por muitas situações. Aliás, eu ainda tenho bloqueios para me expressar emocionalmente, e escrevi sobre minhas sabotagens no texto “Medo de falar em Público”.

E não é nada fácil admitir isso, mas é libertador e reconfortante. Fazer essa limpeza interna é como limpar a estrada cheia de neve para os carros passarem (essa é a realidade que vejo atualmente): permite que o transito de coisas boas esteja disponível a fluir. E mesmo no transito haverão acidentes e possíveis complicações, como na vida.

O mais bacana é compreender, aceitar, se perdoar sinceramente por cada etapa vivida, por mais sofrida que ela possa ter parecido, e agradecer. Essa é a nossa jornada, a história que apenas cada um de nós pode contar e viver. E deixar de lado o vitimismo para observar de fora, após já vivida aquela experiência, nos traz paz e prepara para novos caminhos.

Qual o caminho que Deus nos reserva? Não sabemos, mas a sensação de não sentir culpa, vergonha ou medo, e se entregar de corpo e alma, como tiver de ser, é um desafio que liberta. Fácil não é, nem um pouco. Cada um tem sua batalha, suas inseguranças e sonhos. Então não deixe de lutar, acreditar ou sonhar, mas esteja aberto para o que o Universo tem a te oferecer.

Que vivamos intensamente cada minuto de nossas vidas. Aqui na Terra, nessa vida, não somos eternos, mas novas vidas virão (eu acredito, mas sem discussões acerca do tema) e a aceitação do nosso destino nos transformará para sempre, e deixará tudo mais leve.

Eu te amo, Sinto Muito, Me perdoe, Sou grata! (Mantra do H´oponopono, que eu fortemente indico a você conhecer)

Um abraço cheio de esperança e fé!

Um bocado de fé não faz mal a ninguém!!!

Medo de falar em público

Era domingo à noite. Enquanto eu preparava o jantar do Benício e ele assistia vídeos de curiosidades no YouTube, eu ouvia de longe mas aproveitava para dar uma geral na geladeira. Eu sou a senhora potinhos. Tenho costume de guardar o que resta de comida das refeições, mesmo que nem sempre elas sejam reaproveitadas. E nesse momento arrumação, ouvi um dos conteúdos que o Benício assistia, que falava sobre o bulllying. E a parte específica era sobre, em sala de aula, quando um colega estivesse lendo um texto na frente da classe, que não rissem ou debochassem, pois isso poderia ser prejudicial para o desempenho e desenvolvimento da criança, sendo que nem todas se sentem confortáveis em ir a frente e ler ou falar sobre algum assunto.

E isso me fez lembrar tanto a minha infância! Lembrei-me do total desespero que eu sentia a cada situação onde a professora escolheria aleatoriamente alguém para uma leitura ou para compartilhar algum assunto. Eram momentos de aflição, terror, angústia.

Se eu tivesse que escolher, preferiria ser devorada por um dinossauro a ter que falar em sala de aula.

Juntava uma série de sabotagens sobre mim mesma: não existia autoconfiança e a minha autoestima era a mais decadente possível. Eu, por muitos anos, até poucos dias atrás, me achava incapaz, desinteressante e feia. E para mim esse conjunto de julgamentos pessoais, me colocavam no lugar mais abaixo da lista de pessoas legais e inteligentes, e tudo que eu não queria era mostrar minha ignorância em público, mesmo que entre amigos.

E por toda a minha existência, até os tempos quase atuais, esses sentimentos vão e vem, e eu criei uma barreira forte contra o contato olho a olho e me apeguei a escrita. Desde bilhetinhos, às conversas através de páginas de conversas e chats pelo computador, e-mails, redes sociais, cartas, mensagens via celular. Tudo que fosse possível para evitar o meu gaguejar ao vivo.

Era mais ou menos assim, com educação e chamando pro tete a tete virtual.

Não que eu fosse gaga, mas a minha ansiedade sempre foi tanta, que eu mal conseguia pronunciar as palavras corretamente. Eu comia sílabas o tempo inteiro, e em muitos momentos tampouco eu me compreendia. Falava a jato. Correndo, pronta para desaparecer de onde eu estivesse.

Lembro ainda de alguns episódios marcantes da minha trajetória, que foram a graduação na Universidade e a formatura do primeiro grau na escola. Isso sem contar nas inúmeras apresentações teatrais escolares que me tiravam o sono. Voltando às formaturas, em ambas situações, havia a necessidade de realizar um estudo sobre determinado assunto, e apresentar minhas considerações e o próprio trabalho em frente a uma banca “julgadora” e alguns alunos curiosos. Isso valeria nota e nortearia uma possível aprovação ou reprovação, daquela etapa da vida escolar. E comparando com hoje, nem mesmo no parto normal que fiz do Benício, eu senti tanta ansiedade, medo, pavor e todos os sentimentos mais desagradáveis, do que nessas ocasiões.

As duas foram praticamente iguais: eu estava lá, nada linda e plena no palco, totalmente nervosa, inquieta, e em poucos minutos, aos prantos. Tudo que eu queria falar, desaparecia da minha mente. Então eu sempre precisei ler, e lia como um trem bala. Voando! Em nenhuma das minhas duas grandes apresentações, eu consegui concluir meus pensamentos com maestria ou conforto emocional. Eu me entregava ao vitimismo e a rede de desespero que eu mesma criava. Mas isso só acontecia quando tinha a ver com estudos, me dedicar, aprender e ler. E no final eu ainda falava a mim mesma: “Viu, eu sabia que você iria falhar, como sempre! Você é horrível, você não sabe nada”. Se tinha alguém que fazia bullying, era única e exclusivamente eu comigo mesma. Eu era medalha de ouro em me colocar pra baixo. Felizmente, hoje eu consigo compreender tudo que eu mesma me proporcionei.

Essa postura eu assumia por diversas vezes, quando me sentia inútil e desprezível.

Enquanto fugia da conversa pessoal, que também foi um dos motivos pelos quais em sempre me gabava em ter poucos e bons amigos, era porque eu tinha era medo de falar, e com o medo, eu falava besteira. E por isso, não fazia amigos.

Falando em relacionamento amoroso, tenho histórias hilárias para contar. Sempre que eu gostava de um garoto, a minha reação imediata era: vou convidar ele, através de um bilhete, a entrar no chat de conversa “x” ou “y” pra gente se encontrar lá. Teve uma situação, que eu nunca esqueço também e dou risada até hoje. Eu tinha 13 anos, e era bem precoce no assunto gostar de alguém. Eu sempre via aquele menino (ou homem), aparentemente mais velho, passar na frente da escola na saída da aula. E eu apenas sorria. Jamais ousei em dar oi ou puxar assunto. E esse sorriso continuou por semanas ou meses, até que um dia eu decidi tomar uma atitude: o carro dele estava sujo, e eu deixei um bilhete no para brisas e uma flecha apontando para o bilhete, escrita com o dedo naquela sujeira. O bilhete dizia algo assim: “Oi, sou a menina que sempre sorri para você na saída da escola. Queria conhecer você. Me liga”. E deixei o telefone de casa, na maior cara de pau. Não preciso nem dizer que ele não me ligou, até porque eu era muito novinha e ele sabia pela cara de pirralha. Hoje em dia algumas meninas da idade que eu tinha, até se passam por mais velhas, mas não era o meu caso. Até que um dia, alguns após o bilhete, ele me parou para conversar. Eu queria me esconder, desaparecer, mas não foi possível. Tive que abrir a boca e falar. E ele foi super simpático, disse que tinha achado legal o meu bilhete e que poderíamos ser amigos. E ficou por isso. Eu morria de vergonha a cada vez que cruzava com ele, mas pelo menos, eu já sabia seu nome, e poderia escrever com vários coraçõezinhos no meu diário na época. (risos)

Tudo o que eu queria era poder, magicamente, desaparecer e apagar aquilo tudo da memória dele. E da minha!

E em vários episódios da minha vida, o contato não tão pessoal, foi o que marcou o início das minhas relações. O meu primeiro namorado, por exemplo, eu conheci num chat que na época se chamava mIRC. Eu gostava de um garoto que não estava nem aí pra mim, e ele era melhor amigo desse garoto. Eu pedia mil e uma dicas de como conquistar o menino, queria saber porque ele não dava bola pra mim, me lamentava e ele era aquele ombro amigo, até que ele combinou de nos encontrarmos pessoalmente pra “desvirtualizar” e nos apaixonamos. Ficamos alguns anos juntos, e tudo se deu pelo contato virtual inicialmente. Não que eu seja a favor, mas o meu pavor de falar frente a frente, me impedia de dar o primeiro passo sem as máscaras que a internet te proporciona. Lá você pode ser quem quiser, e nem sempre quem você é.

Com o meu marido, não foi tão diferente. Tá certo que eu o conheci durante o meu intercâmbio, enquanto ele estudava na mesma sala de aula que eu, mas a gente só veio a se conhecer melhor quando eu, já doida pra saber mais da vida dele, além das perguntas básicas e superficiais, entreguei um bilhete na sua mão na hora do intervalo, convidando-o para me adicionar no Messenger – outra plataforma virtual de conversação da época de 2005, conhecida como MSN – para continuar a conversa. Mas nesse mesmo bilhete eu dei um passo a frente: também o chamei para ir comigo, à festa de confraternização da escola. Esse para mim era um verdadeiro avanço na relação interpessoal. Eu o fiz com toda a minha vergonha do mundo, mas a atitude e a vontade de ter mais tempo com ele, falaram muito mais alto. E, hoje, agradeço muito a essa coragem de escrever. Eu não teria vivido uma história tão incrível, próspera e de muito amadurecimento com ele, se não fosse esse passo importante.

Bendita a internet quando usada como forma de agregar a vida, e não apagar a vida.

Quando penso nisso tudo, consigo enxergar que o problema sempre fui eu. Não era daquelas pessoas que queria me destacar, ser a melhor em algo, dar o meu máximo. Para mim, ser mais ou menos ou meia boca era suficiente, porque eu mesma não acreditava muito em mim. Hoje eu vejo pelo meu marido. O quanto ele vai até o seu limite do aprendizado, ele quer provar a ele mesmo que ele pode fazer melhor, ele não se cansa de estudar e conhecer infinitas possibilidades, conceitos, projetos, se cercar de conhecimento. Ele é daquelas pessoas que, quando compra algo, começa por ler o manual de instruções. No meu caso, a primeira coisa que eu jogava fora ou deixava de lado, era justamente o manual de instruções. Eu era (e ainda sou às vezes) daquelas que gostava que as coisas viessem prontas na minha mão. Se tivesse ainda, que aprender como usar, já perdia créditos comigo e provavelmente iria parar numa gaveta ou armário. Isso tudo por total desinteresse em aprender. E é difícil me dar conta disso, sabe! Aquele momento ontem, do Benício simplesmente assistir a um vídeo e eu receber aquela mensagem, foi um baita sinal para eu rever a estação – ou vibração – que vou conectar na minha consciência. Eu tenho certeza que foi um recado do Universo para mim, e que já passou da hora de mudar.

Teriam inúmeras outras situações que eu poderia comentar, mas o resumo da ópera, para a minha constatação é: você pode ser quem quiser ser, e pode se diminuir o quanto você mesma o fizer. E o auto empoderamento, é exatamente possível da mesma maneira, depende absolutamente do seu pensamento, do que acredita e do gás que dá para se conquistar o que deseja. Mais uma vez eu sei que nós somos eternamente responsáveis pelas carências, expectativas, medos e “mimimis” que cultivamos. Mas dá para olhar pra trás e transformar-se em uma nova potência, com uma nova realidade.

Presentes da vida real!

E você, qual sentimento tem vindo a tona essa semana? O que você percebe como sabotador na sua vida que têm excluído do fluxo do seu pensamento? Fala aqui, vou amar te “ouvir”.

Ah! E eu estou aprendendo a desvirtualizar. Tenho tentado, aos poucos, conhecer pessoas que só falo no mundo virtual. Aliás, eu agradeço imensamente ao mundo online que me possibilidade além de conhecer pessoas fantásticas, de encurtar distâncias quando a gente vive longe de quem ama. Um salve para a internet, quando usada de forma inteligente!

Li ontem em alguma página na internet: “Não saber o seu valor pode custar caro”.

Grande abraço da Rafa!

PS: Se tiver erros de digitação ou concordância, me perdoem. Eu prefiri não reler esse texto para não me arrepender de mostrar esse meu lado a vocês. Está cru e totalmente fiel ao meu sentimento!

Menos expectativa, mais ação

A parte mais difícil dos meus últimos dias tem sido deitar a cabeça no travesseiro e dormir. Não consigo me desligar, mas sei que não é insônia.

Minha mente parece um carrossel maluco cheio de pensamentos e ideias, mas fico estagnada sem saber por onde começar. Essa noite decidi pegar um caderno e caneta para escrever sobre o que estava matutando. Foi quando lembrei do início dos meus planos em viajar com meu filho pelo Mundo.

Benício e mamãe em uma parceria cheia de esperanças

Eu tinha uma expectativa absurda com esse período sabático. Me planejei de forma “administrativa” e acabei deixando a intuição de lado. E foi a partir dessa “falha” que o caminho muitas vezes foi tortuoso. Sim, eu fechei os olhos para meu sexto sentido e muitas vezes deixei o medo ser meu guia. Até mesmo à intuição do meu filho, meu fiel parceiro de viagem nessa aventura, eu não dei ouvidos: “Ele é só uma criança “, eu pensava, e hoje percebo que o Universo me mostrou muitos caminhos através dele, e eu esperei respostas da vida por outras maneiras. E as tive, não tão carinhosas como as que vieram do BEN.

Compreendi ali o quanto nos tornamos responsáveis pela expectativa que cultivamos.

Descobrindo um Mundo de aprendizados com ele

Em diversos momentos eu investi minhas decisões pautada em vivências de outros viajantes pelo Mundo, sem me dar conta de que só eu poderia escrever a história que eu e meu filho estávamos vivendo, que ninguém nunca esteve naquele dia, hora e local, além de nós, sendo nós!

E foi a partir daí que eu comecei a temer a ideia de escrever minhas experiências em um blog ou alguma rede social. Eu travei! Não queria ser o exemplo de acerto ou erro de alguém.

O primeiro comentário do meu blog (que tiveram apenas dois, até hoje) foi de uma seguidora que se sentiu decepcionada por eu ter prometido falar sobre meu planejamento e vivências durante um período viajando o Mundo sozinha com meu filho e, percebeu que eu tive muitas dificuldades e estava me questionava sobre o por quê de eu ter iniciado essa jornada. Me disse que decidiu, em razão da MINHA EXPERIÊNCIA, que o sonho dela deveria ficar adormecido, pois “não era fácil “. (Quem disse que seria, não é mesmo?)

Você é co-responsável pela sua vida. Cocrie a realidade que deseja!

Ao mesmo tempo em que aquilo me fez desmoronar e me trazer a tona um sentimento de culpa, larguei o vitimismo e me tornei mais forte com aquela situação. Eu não desisti. E persisti com muita consciência de que tudo faria sentido um dia. E fez! O que parecia uma fuga ou busca frenética pelo desconhecido, transformou nossas vidas para sempre! Se eu queria me sentir mais livre, não deveria estar me auto pressionando para dar respostas ou mostrar uma falsa realidade nas redes sociais para alimentar com hipocrisia uma  imagem distorcida do que estávamos vivendo. As máscaras já não me caiam mais bem. Eu as havia deixado no Brasil, quando partimos, em 4 de março de 2017.

Uma coisa eu posso dizer com toda a certeza do mundo: o Universo vai sempre conspirar a seu favor se você se abrir para a vida. Quando você se liberta de você mesmo, das suas próprias amarras, “pré-conceitos”, falsas limitações e medo, tudo flui.

Não, não será tudo rosas. Mas rosas têm espinhos e isso não as deixa menos belas ou mais fracas. Os espinhos tem função essencial em sua existência, assim como um caminho com lombadas, curvas e buracos, também fará na nossa, na sua.

Equilíbrio entre corpo e mente: o amadurecimento na jornada é notável!

A vida segue em frente. Sim, ENFRENTE!!!
Enfrente seus medos e dúvidas. Aliás, a dúvida é saudável até certo ponto. Que bom ter opções, mas lembre de se deixar guiar pelo coração! A razão é traiçoeira, mas é ao mesmo tempo necessária para equilibrar a vida.

Recorde -se de onde veio, quem você é, ou quem você deixou de ser quando cresceu. Cuidado com o que fará com o que fizeram com você. Perdoe. A si mesmo e ao que a vida lhe proporcionou. Um dia, como eu disse, tudo fará sentido.

Sonhe, idealize e principalmente, realize. Quantas vezes quiser e do tamanho que desejar! Queira o horizonte, mesmo que alguém já tinha ido lá – ou não. Se vai dar certo ou não, é outro assunto. E se não der, recomece novamente.

Erros e acertos são degraus de crescimento para cada história de vida e moldam quem você é.

Todos nós precisamos de espaço e um momento a sós.

Não se entregue ao comodismo, saia já dá sua zona de conforto e assuma as rédeas da sua própria realidade.

O mundo não precisa acreditar em você. Você se basta! Use isso para fazer o bem, a você e ao seu redor. Se é para inspirar alguém, que seja através da sua garra, atitude e força. Ou até da sua fraqueza. Não se esconda a partir de uma decepção, tristeza ou medo, e lembre-se que você pode chorar, e então aproveite para que essas lágrimas reguem suas raízes, para que assim você floresça ainda mais vigorosa (o)!

Mantenha o comando da sua vida, mas deixa ela te surpreender. O tempo está aí batendo a sua porta e tudo que você precisa fazer é convidá -lo para entrar e recebê -lo com coragem e amor.

Não são só as portas que se abrem… esteja atento aos sinais!!!

Grande abraço com todo o meu carinho e gratidão!!!

Perrengues em Cancún #perrenguesdeviagem

Todo mundo que viaja espera que tudo saia perfeito. Comigo e com o Benício não é diferente. Sempre viajamos com o pensamento de que tudo vai dar certo e tentamos manter a vibração em alta, mas nem sempre as coisas saem conforme o planejado. Nessas horas, é preciso ter um pouco de jogo de cintura para enfrentar os contratempos e lembrar que não é o universo se voltando contra nós, é apenas uma forma de dizer que por trás daquela situação temos algo de importante para aprender.

Como a ideia do blog é compartilhar experiências, nada mais justo do que dividir as boas e as não tão boas assim. A intenção não é desanimar ninguém, e sim alertar as pessoas sobre possíveis adversidades que possam surgir no meio do caminho, como aconteceu conosco no México, bem no início da nossa aventura.

Parecia um prenúncio. Apesar do voo tranquilo de Bogotá para Cancún, passamos por umas nuvens bem carregadas que causaram uma turbulência que nos deixou assustados. Já cansados das mudanças de avião e de aeroportos, e desejando cair em cima de uma cama, passamos um tempão esperando as bagagens – e nada de liberarem! Nos deparamos com carros de polícia e cães farejadores procurando por algo alucinadamente nas malas, sem nada encontrarem. Malas enfim liberadas, hora de pegar um Uber para ir à casa que alugamos por uma noite.

Eu não havia pensando na possibilidade de não poder pegar um Uber (mais tarde eu viria a saber que a guerra entre taxistas e motoristas de Uber é bem complicada em Cancún). Naquele momento, tudo o que a gente queria era sair do aeroporto e ir para casa, então, depois de muita negociação, acabamos fechando com um táxi. Veio um cara muito estranho nos levar, e não era a mesma pessoa com quem havíamos conversado. Ele não fazia ideia de onde era o local indicado e eu pedi que ele colocasse no GPS ou Waze para chegar lá. Ele disse que odiava GPS e não tinha, me mandou usar o meu. O cara dava medo! Acabei habilitando a minha internet do Brasil (foram os R$ 25,00 mais bem pagos!) e fomos.

A tranquilidade de estar no hotel depois de uma noite de perrengues.

O local era sombrio, assustador. Eu e o Ben só rezávamos! Mas pior mesmo foi chegar na casa que alugamos pelo Booking.com, que era super bem avaliada por famílias no site. Como era perto do aeroporto e chegaríamos às 20h, eu tinha pensado em um lugar só pra dormir. Quando olhei para aquele lugar, a única palavra que passou pela minha mente foi “ferrou!”. Era o pior lugar em que já estivemos. Era, na verdade, um flat sujo e inacabado no meio de uma construção e mato. Falei pro Benício “Vamos subir e dar um jeito de chamar um Uber para ir embora”. Avisei ao dono do flat que ia levar as malas porque ia jantar com uns amigos (fictícios) que tinham um quarto livre, e se quiséssemos prolongar a noite ficaríamos por lá mesmo. Orientei o Ben para que ele confirmasse tudo o que eu falasse, porque sabe Deus o que poderia passar na cabeça daquele cidadão!

Foi uma busca insana para ver se o Uber ia naquele fim de mundo. Depois de muita apreensão – e tentando manter a calma para não passar pro Benício a dimensão da preocupação que eu estava sentindo – o Uber chegou! Eram 22h, e a motorista era uma mulher, que nos confidenciou que achou que não fosse sair viva daquele local. Graças às forças que regem o universo, chegamos no hotel sãos e salvos.

Perguntas que não precisam de respostas

Tem sido difícil compreender que algumas perguntas não necessariamente precisam de uma resposta, e que muitas vezes, você pede um sinal do Universo, a Deus, a qualquer força superior que você acredita e ama, e novas perguntas surgem aos seus olhos. Pode ser que à primeira vista elas pareçam casuais, mas se você estiver atento de que os sinais estão em qualquer situação, irá perceber que elas têm muito a te dizer.

Tem sido difícil compreender que algumas perguntas não necessariamente precisam de uma resposta, e que muitas vezes, você pede um sinal do Universo, a Deus, a qualquer força superior que você acredita e ama, e novas perguntas surgem aos seus olhos. Pode ser que à primeira vista elas pareçam casuais, mas se você estiver atento de que os sinais estão em qualquer situação, irá perceber que elas têm muito a te dizer.

Seguindo as últimas 2 postagens sobre questionamentos que te possibilitam refletir, introduzo aqui mais dez perguntas que vão mexer com seus pensamentos e sentimentos:

  1. Você prefere ser um gênio preocupado ou uma pessoa simples e alegre?
  2. Por que você está onde está?
  3. Você é o tipo de amigo que quer como amigo?
  4. O que é pior, quando um bom amigo se afasta, ou perder o contato com um bom amigo que mora bem perto de você?
  5. Qual a coisa pela qual você é mais agradecido na vida?
  6. Você prefere perder todas suas velhas memórias ou nunca ser capaz de fazer novas amizades?
  7. Será que é possível saber a verdade sem desafiá-la primeiro?
  8. Alguma vez o seu maior medo se tornou realidade?
  9. Você se lembra daquela vez cinco anos atrás, quando você estava extremamente chateado? Será que aquilo realmente importa agora?
  10. Qual é a sua memória mais feliz infância? O que a torna tão especial?

Pense nisso. Responda se quiser. Chore se precisar. Mas permita-se digerir essas frases “inocentes” que podem dizer muito sobre você.

Compartilhe com seus amigos. Pode ser que você traga a tão desejada resposta para alguma situação ou momento dessa pessoa.

10 Perguntas para Libertar sua Mente

Durante algumas pesquisas pela internet, descobri uma lista de perguntas que tem feito com que eu reavaliasse muitas questões particulares. E, essas perguntas não tem, necessariamente, respostas certas ou erradas. São até, em muitos momentos, aquela resposta que estamos esperando ouvir para tomar uma decisão ou agir de forma mais consciente e de acordo com nossa essência.

Compartilho com vocês, para que sofram o mesmo impacto que tenho vivenciado, esses pequenos questionamentos.

Será uma série com 10 perguntas. Sugiro que pegue um caderno e anote-as, respondendo às que desejar.

1. Quantos anos você teria se você não soubesse quantos anos você tem?
2. O que é pior, falhar ou nunca tentar?
3. Se a vida é tão curta, por que fazemos tantas coisas que não gostamos e gostamos de tantas coisas que não fazemos?
4. Quando tudo já está dito e feito, será que você disse mais do que fez?
5. Qual é a coisa que você mais gostaria de fazer para mudar o mundo?
6. Se a felicidade fosse a moeda nacional, que tipo de trabalho o tornaria rico?
7. Você está fazendo o que você acredita, ou você se contenta com o que está fazendo?
8. Se a expectativa de vida humana média fosse de 40 anos, você viveria sua vida de forma diferente?
9. Até que ponto você realmente controlou o curso da sua vida?
10. Você está mais preocupado em fazer as coisas direito ou está fazendo
as coisas certas?
Se essas “singelas frases” mexeram com você e te fizeram refletir, acompanhe o blog que iremos compartilhar mais perguntas do “50 Questions That Will Free Your Mind”.
Alimente sua mente
Alimente sua mente

 

Via Marc and Angel Hack Life
Traduzido e adaptado por Josie Conti
Do original “50 Questions That Will Free Your Mind”.