Um dia de terror

Dias atrás eu estava refletindo sobre o início do meu sabático com o Benício, e foi exatamente no começo, no primeiro dia.

Quando a gente saiu de casa pra valer, a caminho de Cancún, eu prometi a ele: “filho, vamos começar essa viagem em grande estilo! Elegi um destino super bacana para que nossa jornada comece com gás total e muito otimismo!”. Sim, eu estava muito certa disso, e nem imaginava outra situação. Um “Plano B” jamais havia sido cogitado para qualquer eventualidade, ao menos na chegada. E infelizmente não foi bem assim que as coisas aconteceram.

Tinha tudo pra ser um começo de viagem incrível!!!

Nosso primeiro dia foi regado ao maior perrengue e desafio já vivenciado por nós dois juntos (o meu, tenho certeza que foi, e dele muito mais, por ser jovem e ainda sem tantos dramas reais), um verdadeiro filme de terror. Só não morremos (de medo e de algo pior) por tomarmos a rédea da situação e escolhermos agir a nosso favor.

E essa é ainda a imagem latente que ele tem dos quase 5 meses que viajamos: aquele bendito episódio numa casa abandonada onde tivemos que literalmente fugir para, acredito eu, sobreviver.
Graças a Deus tivemos um final feliz onde os mocinhos se deram bem, mas ainda não consegui mostrar ao Ben o quão importante aquilo foi, principalmente no início da jornada. Mudamos aos poucos nosso trajeto e com certeza evitamos algumas outras furadas, mas com a vibração de medo e ansiedade apos esse episódio, ainda passamos por situações embaraçosas.
Ainda preciso desconstruir e harmonizar a realidade de vida pra ele. Alguma sugestão e Conselho?

Essa é a Mumu, a mascote que viajou conosco.

Para entender melhor, vou relatar detalhadamente o que foi o nosso pior dia de vida (e que Deus nos encheu de sabedoria e força também), até esse momento:

Chegamos em Cancún, mortos de cansados, aproximadamente 20h. Tudo o que a gente queria era ir pra nossa hospedagem, dormir gostoso e acordar super renovados, prontos pra muitas aventuras e alegrias. E tudo que tivemos, a partir do dali, foi uma uma sucessão de terror (eu já havia falado um pouco sobre o Perrengue em Cancún aqui, mas agora relato ele com mais detalhes e sinceridade): já desembarcados, fomos em busca da mala. Levou quase uma hora para recebermos ela, mas relevamos por procedimentos de segurança. Saímos do saguão, com péssimo sinal de internet, e decidimos chamar um Uber no aeroporto para nos levar ao destino. Foram inúmeras chamadas e ninguém vinha. Não entendíamos nada, foi quando uma pessoa disse: “nessa área não entra Uber. Você tem que ir na saída do aeroporto, lado x, rua z”. Eu não fazia ideia de como chegar lá e tampouco sabia que Uber não podia acessar a área de desembarque pois os taxistas não os aceitavam e por muitas vezes, os apedrejavam ou perseguiam. Depois de mais uma hora, já as 22h, nos rendemos a um táxi. Negociamos com um cara meio estranho (único que tinha) que cobrou absurdo, e entramos num carro.

Quem diria que esse sorrisão seria congelado tão rápido, e trocado por tremor de medo?

Pra piorar, não seria esse a nos levar ao local desejado. Vieram uns caras sinistros e de dar medo (não julgamos a aparência, eles tinham todo o jeitão duvidoso). Jogaram nossa mochila no porta mala aberto e ficaram discutindo quem ia nos levar. Eu já tinha medo de que alguém saísse correndo com ela e roubasse… ao menos isso não aconteceu! UFA! Pro nosso azar, veio o cara com o pior semblante possível, falando que não tinha GPS e que eu teria que explicar a ele como chegar no local porque ele não conhecia. Eu não tinha internet, teria que pagar pela do Brasil, e ele falou que: “ou você me dá o endereço com o seu GPS ou vamos ficar aqui dentro desse taxi!”. O Benício estava cansada e nervoso – sentiu minha aflição – e bateu com a cabeça no banco e falou pra mim “Quero ir embora mãe!”. Então o motorista falou: “manda esse menino calar a boca. Se ele quebrar alguma coisa, ele vai se ver comigo!”. Aí liguei a internet do Brasil no celular e falei para ele seguir. Fui rezando! O endereço parecia bem mais longe do que mencionado no anúncio do Booking.com.

Essas camisetas viajariam o Mundo conosco!

Entrando no endereço, já comecei a ter calafrios e rezar mais ainda. Aquele lugar parecia um matadouro. Até o taxista disse que ali só ia bandido e era lugar de “baixa”. Era pouco antes da meia noite, tudo estava escuro, nós mortos de sono e de medo. Demorou pra achar o local e quando chegamos, o taxista quis sair correndo de medo. Nos deixou ali no escuro, mesmo eu pedindo pra ele ficar um pouco e esperar alguém abrir a porta. Ele disse: “Eu não vou esperar aqui”. Gritamos pra alguém abrir a porta da “casa”. Um local caindo aos pedaços, com obra inacabada, matagal, sem vizinhos e minha internet não pegava lá, para nossa alegria!

Estávamos com uma mala/mochila grande pros 5 meses (eu levei ela cheia demais), o que dificultaria uma fuga – foi o que pensei na hora. Um cara simpático veio com uma lanterna para nos recepcionar. Ao menos isso! Pegou gentilmente nossa mala e foi nos levando até “nosso quarto”. Eu esperava na casa construída no térreo, mas não: ele subiu os quase 50 degraus no meio da obra, sem parede alguma, até o nosso “quarto”. O único da obra. Pra ter uma noção não tinha vaso sanitário, só um buraco para fazer as necessidades. O chuveiro era uma mangueira. O quarto tinha barata. Abandonado. Já comecei ali a matutar um plano para escapar. O Benício só falava: “a gente não vai ficar aqui né, mãe?”. E eu só pedia calma, dizendo que eu ia achar uma solução, mas primeiro precisava que o dono da “residência” saísse de perto de nós. Por sorte pedi a ele um tempo pra um banho e perguntei pela senha da internet.

Uma das boas lembranças que restaram daquele tempo…

Para nossa felicidade, conseguimos conectar, mas eu não sabia nem como procurar táxi. Pensei em tentei um Uber de novo, já que ali não parecia ser território de táxi. Na primeira tentativa, deu certo: conseguimos um Uber, que chegaria em 9 minutos. Ou seja: esse era o tempo que eu tinha pra descer com aquela mala pesada, todos aqueles degraus, sem cair pro lado e me quebrar toda, no escuro. Combinei com o Benício de dizer, caso a gente encontrasse o dono da casa, de confirmar de que nos demos conta ali de que acabamos trocando as malas com um amigo que veio junto e íamos devolver no hotel dele devolver.

Eu só tinha a luz da lanterna do celular e o Ben do telefone dele. Pedi pra ele levar a luz na frente, cuidar muito enquanto descia para não desequilibrar, e nisso eu carregava a mochila e mala até embaixo. Qualquer descuido era queda na certa. Quando chegamos embaixo, o Uber chegou e, na mesma hora, o dono da casa bravo por ver que estávamos saindo. O coração disparou.

Eu havia enviado uma mensagem de texto a ele, bem na hora da descida, perguntando onde poderia deixar a chave caso a gente saísse e não voltasse mais, pelos motivos da troca de mala. Ele se colocou em frente ao portão de saída, e eu novamente perguntei onde deixar a chave pois nossos amigos tinham uma cama sobrando no quarto de hotel e talvez pelo horário, a gente não retornaria. Nisso, a motorista do Uber veio falando que estava esperando e tínhamos que ir. Ela ficou observando tudo. Quando entramos no carro, eu disse: “Acelera!”, e ela disse que passou o maior susto pra chegar até ali, que ela estava sendo seguida por uma moto e ia cancelar a corrida, mas só voltou atrás quando viu a foto do perfil do Uber, que era de uma mulher e criança, e achou que estávamos em perigo. Graças a Deus, eu havia colocado a foto um dia antes!

Essa era a foto do perfil do Uber, na ocasião.

A gente tinha, nesse meio tempo, pesquisado um hotel pra ir e ela disse que não ia poder nos deixar na frente dele porque os táxis não deixavam. Paramos a alguns metros e fomos andando de novo, mas agora sem tanto medo, apesar da adrenalina a mil… chegamos a salvo! O Benício até dormiu na recepção por alguns minutos de tanta demora para irmos ao quarto, mas foi uma alegria sem tamanho poder estar num lugar decente, tomar um banho e dormir sem medo.

Pode ser que nada fosse acontecer e aquele era somente um lugar esquisito e de horrores, pois tinham comentários legais de famílias e viajantes, mas eu definitivamente não queria pagar pra ver!

E o mais louco disso tudo, é que o Benício e eu falamos por inúmeras vezes: queria poder esquecer esse tempo no México (esse foi só um dos perrengues!). Queríamos apagar da memória alguns dos acontecimentos. Nosso pedido foi quase atendido: quando chegamos nos Estados Unidos, nosso segundo país, percebemos que perdemos o cartão de memória de fotos do México. Ou seja: memórias fotográficas devidamente apagadas, conforme desejamos.

As fotos que restaram para contar história, são apenas aquelas que compartilhamos em redes sociais e pelo whatsapp com a família!

E fica o aprendizado: não arriscar a vida por tão pouco (dinheiro), estar sempre preparado para tomar atitudes e decisões de urgência, e cuidar com o que desejamos, pois seremos atendidos de alguma forma! 😉

Hoje compreendo que tudo isso TEVE que acontecer, para nos preparar para o que ainda viria, e para tirar o conto de fadas de uma viagem perfeita da minha cabeça. Era preciso planejar e não apenas deixar a vida levar, pois eu e meu filho juntos, por aí, e eu poderia colocar em risco a mim mesma, mas jamais a ele!

O que é a vida?

O que é a vida senão uma sucessão de acontecimentos malucos, reflexivos e emocionantes?

Só olhe para baixo para saber onde está pisando. Orgulhe-se apenas de ser quem é, e erga a sua cabeça sempre!

Por muito tempo eu pensei que a minha vida era muito pacata, nada de novo ou desafiador ocorria, e foi a partir desse mantra, que tudo começou a mudar. Mas mudou aqui dentro de mim. A partir do momento em que eu parei de só conseguia enxergar com cabresto o caminho em que eu trilhava, a reviravolta foi imediata.

Compreendi, através de uma busca profunda pelas minhas verdades e avaliando com carinho cada etapa da minha história, que eu tive a oportunidade de viver experiências que nem havia me dado conta. Que naquela tola impressão de não ter vivido o suficiente para deixar boas lembranças, eu comecei a escrever uma linha do tempo detalhada de episódios memoráveis e outros nem tão impactantes assim, ao meu ponto de vista inicial. Eu falo bastante sobre isso no texto “A Escrita como Terapia” que você pode acessar aqui.

Abaixo dos seus pés, apenas folhas, o chão, o mar, a areia e nada mais…

Eu, que sempre tive uma dificuldade tremenda em perdoar, pedir desculpas e facilmente guardava rancores de mil anos atrás, me dei conta de tanta sacanagem que fiz comigo mesma apenas pelo fato de não estar conectada com meu coração e agir única e exclusivamente com meu orgulho e prepotência por muitas situações. Aliás, eu ainda tenho bloqueios para me expressar emocionalmente, e escrevi sobre minhas sabotagens no texto “Medo de falar em Público”.

E não é nada fácil admitir isso, mas é libertador e reconfortante. Fazer essa limpeza interna é como limpar a estrada cheia de neve para os carros passarem (essa é a realidade que vejo atualmente): permite que o transito de coisas boas esteja disponível a fluir. E mesmo no transito haverão acidentes e possíveis complicações, como na vida.

O mais bacana é compreender, aceitar, se perdoar sinceramente por cada etapa vivida, por mais sofrida que ela possa ter parecido, e agradecer. Essa é a nossa jornada, a história que apenas cada um de nós pode contar e viver. E deixar de lado o vitimismo para observar de fora, após já vivida aquela experiência, nos traz paz e prepara para novos caminhos.

Qual o caminho que Deus nos reserva? Não sabemos, mas a sensação de não sentir culpa, vergonha ou medo, e se entregar de corpo e alma, como tiver de ser, é um desafio que liberta. Fácil não é, nem um pouco. Cada um tem sua batalha, suas inseguranças e sonhos. Então não deixe de lutar, acreditar ou sonhar, mas esteja aberto para o que o Universo tem a te oferecer.

Que vivamos intensamente cada minuto de nossas vidas. Aqui na Terra, nessa vida, não somos eternos, mas novas vidas virão (eu acredito, mas sem discussões acerca do tema) e a aceitação do nosso destino nos transformará para sempre, e deixará tudo mais leve.

Eu te amo, Sinto Muito, Me perdoe, Sou grata! (Mantra do H´oponopono, que eu fortemente indico a você conhecer)

Um abraço cheio de esperança e fé!

Um bocado de fé não faz mal a ninguém!!!

A adaptação com filho em outro país

Uma das questões mais recorrentes que surgem no bate papo do dia a dia é sobre como está sendo a adaptação de vida em outro país, da minha parte, e da parte do Benício. Muitas mães que me acompanham, casadas ou solteiras, querem saber um pouco mais de como temos lidado com as diferenças culturais e todo o pacote que vem junto com uma nova vida.

Um dos belos lugares por onde passamos: Lago de Genebra, na Suíça.

Fico bem feliz em poder compartilhar as peripécias dessa mudança, mas quero lembrar que essa é apenas a minha versão e realidade sobre a adaptação. Para cada outro indivíduo diferente de mim, e até a mim mesma em uma outra época, tudo será e seria diferente.

Então meu propósito aqui é de conversar com vocês de forma sincera e aberta, e com toda a vibração positiva para que essas reflexões inspirem quem está a poucos ou longos passos de tomar uma atitude de recomeçar a vida em outra cidade, estado ou país.

Esse momento, lugar e sorriso, jamais se repetirão! Escreva sua própria história e realidade!

Eu e o Benício já visitamos a Suíça inúmeras vezes antes de iniciarmos uma nova vida aqui, e isso certamente nos deu oportunidade de vir para cá já tendo amigos e conhecidos, o que de cara já eliminou o maior “ponto negativo” da mudança de país, principalmente se tratando da Suíça, que o maior caso de infelicidade ou insatisfação para expatriados é a dificuldade de criar laços, fazer amizades e se sentir aceito (comprovado por pesquisas no país).

Os amigos do meu marido (suíço) são pessoas muito boas, altamente receptivas e que sempre nos trataram com muito carinho, do jeito deles. E já faz 12 anos que eu e meu marido nos conhecemos, portanto sempre que vínhamos para a Suíça passear, eu acabava fazendo algo com as esposas – aqui elas saem muito em meninas – e depois com filhos, combinávamos alguma forma de nos encontrarmos também.

Para facilitar ainda mais, meu marido tem sobrinhos com idade próxima a do Benício, ou seja, ele mata um pouco da saudade das primas do Brasil quando encontra os primos daqui. Resumindo: o que não faltam são pessoas queridas que tem bons sentimento por nós, e estão aqui “para o que der e vier”, quando necessário. Sem contar nos avós e tios postiços suíços que torcem e se oferecem a apoiar no que for preciso.

Desbravando cidades com o primo Gordon.

Os suíços que eu e o Ben conhecemos até então são sinceros e solícitos, mas muito na deles também. Possivelmente jamais pedirão sua ajuda. É cultural. E se pedirem, é porque confiam mesmo em você. E aqui, confiança é o coração de uma boa amizade. Aliás, em qualquer lugar, não é mesmo? O que ninguém faz aqui é invadir o espaço do outro. O respeito é como o sangue que pulsa nas veias.

Quando você faz uma amizade verdadeira, é para valer. Assim como no Brasil. Eu particularmente sempre fui de poucos, mas bons amigos. Adorava o fato de estar cercada apenas de pessoas especiais e com quem eu queria mesmo compartilhar minha vida, até porque eu falo demais sobre o que sinto e penso.

Viu como falo demais?

Escolha a sua vida!

Voltando ao tema “adaptação”.

Estamos efetivamente vivendo na Suíça desde final de Julho deste ano (2017), mas saímos de casa (Brasil) no início de março. Desapegamos de muita coisa que não fazia mais sentido pra gente, e até muitas outras que perceberíamos mais tarde que eram desnecessárias também. Éramos eu, Benício e uma baita mochila/mala de rodinhas contendo tudo que precisávamos (ou eu achava que precisaríamos) para alguns meses viajando rumo ao desconhecido, e uma mochila de costas. Digo desconhecido pois, apenas de rotas programadas, não sabíamos como seriam essas descobertas e aventuras, e deixamos brecha para novas possibilidades.

Tomando conta dos nossos pertences!

E com isso, tivemos que nos adaptar a muitas coisas: a estarmos 24 horas por dia juntos, a sermos melhores amigos, a controlar a saudade, a ter paciência (ô coisa difícil), a degustar novos alimentos, a confiar em nossa intuição, a não deixar se abater pelos problemas no caminho, a ter atitude para tomar novas e importantes decisões, a encarar más escolhas, a chorar quando preciso, a pedir ajuda, a sorrir sem motivos, e muito mais. Parece que só listei aqui a parte ruim né? Mas de uma coisa hoje eu tenho certeza: foi através das nossas experiências maquiadas como as piores, que tivemos os mais incríveis e reais aprendizados, e consequentemente, nosso amadurecimento. Os desafios nos abriram os olhos e caminhos, e por isso sou grata por tudo que o Universo nos faz enfrentar.

Nossas sombras estão por todos os lados, e refletem nossos mais obscuros anseios e condicionamentos.

Então, após inúmeras vivências confusas, felizes, assustadoras, inesperadas e desejadas, decidimos radicalizar e moldamos os planos, para ao invés de voltar ao Brasil após o período sabático, mudarmos para a Suíça.

Tudo parecia fazer sentido. Estaríamos novamente com a família unida (eu, filhote e marido), em convívio diário e com todas as suas diferenças culturais. Sim, seria um baita desafio, mas essa palavra tem sido instigante para mim.

Curtindo o carinho dos avó em uma das visitas aqui na Suíça, em Berna.

Convencemos (entre aspas) minha família no Brasil de que o plano daria certo. O pai biológico do Benício permitiu essa nova jornada e tivemos assim, apoio de quem mais precisávamos para seguir nossos caminhos. Com suporte de quem se ama, tudo flui magicamente melhor.

Sabe aquele ditado que diz que “a gente só dá valor quando perde”? Isso é bem relativo e ao mesmo tempo super importante. Com a distância física de algumas pessoas da família, nós também perdemos a mente robótica de julgamentos, estresse, imparcialidade e saímos do piloto automático. Estar com em contato com a família através de vídeos pelo celular, ligações ou alguns poucas visitas, elevou absurdamente o nível de amor e afeto compartilhado, e transformou significativamente as nossas relações pessoais. Há muito menos discórdias e discussões. Há mais desejos de passar o tempo que se tem, da melhor maneira possível. Aprendemos muito mais sobre compaixão e cumplicidade. A distância uniu cada um de nós num mesmo propósito de prosperidade, confiança e esperança. A zona de conforto deu vez para o conforto dos abraços quando estamos juntos com quem amamos e sentimos saudades.

A distância física ensina o que é o amor verdadeiro, sem pressão, posse ou obrigação. Ama-se com leveza e consentimento . Com sentimento!

Chegamos com toda estrutura já montada, afinal, meu marido já estava vivendo na Suíça enquanto eu e o Benício havíamos ficado no Brasil. Então no início não foi uma loucura de corrida atrás de apartamento, mobiliário e afins. Apenas tivemos que eleger um novo apartamento com denominação familiar como uma das exigências do pedido de visto ao consulado Suíço. Alguns detalhes apenas foram sendo avaliados e decididos juntamente em família. E tudo acontecia tão perfeitamente que dava medo. Me lembro quando planejamos há 1 ano e meio atrás a vinda para a Suíça, e eu me apeguei a uma região no mapa e disse a mim mesma e a todos: “Me vejo morando nessa quadra, e o Benício estudando nessa escola”. E você acha que isso aconteceu? Claro! Minha intenção e energia foram tão intensas e sinceras que o Universo conspirou a favor. Já estava escrito em algum lugar e minha intuição, sexto sentido ou feeling, já denunciavam.

Nosso meio de transporte mais emocionante.

O período em que chegamos na Suíça para viver, era de férias de verão (fim de Julho). Prontamente já havíamos matriculado o Benício para estudar assim que o ano letivo – que inicia em agosto aqui – iniciasse. Como trocaríamos de apartamento e de cidade, optamos por uma escola mais longe da residência inicial, porém há apenas 5 minutos da futura moradia. Seriam apenas 35 dias de transição e correria para chegar a escola. Mas tudo era tranquilo e estávamos com muita energia para esse recomeço.

Durante todo o processo de pedido de visto, visita a central de integração de imigrantes, idas ao mercado sem falar uma palavra em alemão (estamos no cantão de Zurique, que é a parte alemã do país), compra de ticket de ônibus e trem, abertura de conta bancária, e até os simples horários de meios de transportes cronometricamente estipulados, já dá pra perceber um dos grandes diferenciais culturais daqui: que as coisas funcionam. E sem muitas delongas. Você consegue fazer tudo sozinho, sem ter que falar a língua materna. Mas, claro, que isso graças a língua inglesa ser curricular no ensino do país e pré-requisito na maioria dos empregos, principalmente nos diretamente ligados ao turismo.

O caminhão que levou nossa mudança.

Ao mesmo tempo em que tudo funciona de forma organizada e controlada, quando algo sai da normalidade, é motivo de dor de cabeça na certa. Os suíços não foram educados para “apagar incêndio” como no Brasil. A pensar em planos B, C ou D. Ali é plano A ou nó na cabeça! Mas nada que a nossa insistência não auxilie. Eu prefiro também não ter que enlouquecer para fazer coisas simples do dia a dia.

Aliás, a parte mais difícil por enquanto na adaptação está sendo ter que agendar compromissos com amigos com um mês, semanas ou longos dias de antecedência. Eu sempre tive a mania de decidir em cima da hora se ia ou não a algum apontamento. Brincadeiras à parte, essa parte é fogo! (risos)

Ser e Estar presente é o melhor presente!

A cordialidade e respeito das pessoas que nem se conhecem é linda. Moramos em cidades pequenas de interior e todos na rua, quando se cruzam, educadamente se cumprimentam. Principalmente crianças e idosos. É lindo!

O início da escola foi o melhor que poderíamos imaginar. A escola acolheu o Benício com muito amor e respeito, com planos e desejos de que ele se sentisse integrado desde o início. Não teve privilégios, mas a atenção que eles dão a tudo e a todos. Em pouco mais de um mês frequentando a escola, já tem noção de alemão, arranha o espanhol  (para conversar com o amigo da sala que é filho de italiana com espanhol) e ja entende mais o inglês, que é a língua que a mamãe fala por ainda não falar a língua alemã, e que falamos por meses durante nosso sabático. Onde ele aprenderia assim rápido tantas línguas diferentes? Levariam meses ou anos em um curso de idiomas no Brasil.

Pura alegria no primeiro dia de aula na Suíça.

Sobre a escola, que até mesmo inseriu na grade de educadores uma professora filha de mãe brasileira e que fala português, por exemplo hoje, para complementar essa minha afeição pela forma com que tratam meu filho, tivemos em casa a visita de sua professora. Após 4 dias faltando a escola por causa de febre, me ofereci a ir a escola pegar as tarefas. O que recebi depois foi um ato de amor: “querida, não se preocupe! Eu levo as atividades dele esta tarde”. E ela veio! Tocou a campainha, subiu 3 lances de escada até chegar em nossa casa, conversou com o Benício apenas em alemão, ele entendeu praticamente tudo, conheceu seu quarto, sentou junto a ele na mesa de estudos e fez um breve resumo de tudo que ensinou aos colegas de classe, entregando posteriormente as atividades para a próxima semana.

Fazendo as atividades após a visita da Professora.

Tudo tem sido intenso e especial. Claro que, como falei no início, essa é a minha realidade. Me sinto privilegiada em ter minha família apoiando de todas as formas e torcendo de longe, termos amigos queridos ao redor, um lar tranquilo, e acima de tudo, um filho que tem curiosidade em aprender, não se entrega tão fácil pela barreira da língua, vibra a cada nova amizade, se entrega e tem autoconfiança. Obviamente tem seus momentos de incertezas, saudosismo e vários outros sentimentos. Pensa que nunca vai falar a língua, que era mais feliz no Brasil, mas são pensamentos sadios e normais que o fazem, em determinado ponto, deixar o vitimismo de lado e se tornar, aos poucos, protagonista da própria história.

Um menino de ouro, sendo lapidado como todas as crianças por aqui e por aí. A gente, adulto, que às vezes estraga, por estarmos cheios de crenças e condicionamentos.

Eu ainda não estou trabalhando e não comecei com firmeza meu curso de alemão. Nesses 3 meses que estamos aqui, já recebemos visita de parte da família do Brasil por  duas vezes, fomos ao Brasil uma vez, nos mudamos de casa outra vez. Falta parar esse vai e vem, dar um chega pra lá na procrastinação e começar a me integrar aqui. Ah, e o inverno pesado ainda não chegou… talvez eu reescreva esse texto em alguns meses (ou seriam semanas?)

Ficamos em casa de amigos durante a transição de apartamento: entrega de chaves do antigo e recebimento do novo.

Tenho projetos de empreender aqui, com mil e uma ideias mirabolantes. Estou em fase de tempestade de ideias e planejamento delas. Também estou em processo de correção de um livro com histórias baseadas em fatos reais e cheias de surpresas e aventuras, que em breve devo decidir o que fazer com esse meu carinhoso livro, que surgiu de um resgate de mim mesma quando dei um profundo mergulho nas minhas histórias e experiências, rumo ao autoconhecimento. Sinto-me orgulhosa e grata por cada uma das trajetórias que me guiaram até o momento presente. Será um prazer compartilhar com vocês!!!

Abra-se para as oportunidades da vida.

Você só vai saber como será a SUA ADAPTAÇÃO em qualquer situação na vida, quando vive-la! Que as suas buscas por pessoas que decidiram resignificar e realinhar sua história a uma nova terra, sejam de pura inspiração, e jamais de mutilação de sonhos!

Seja co-criador do caminho que genuinamente almeja. Já se imagine vivendo a vida que deseja! Me conte nos comentários qual a vida que gostaria de estar apreciando nesse momento, mas o medo e a insegurança te paralisam de realizar? Segura na minha mão e vem que a gente se ajuda.

Aliás, tem muita referência bacaníssima na internet e que servirá como um empurrãozinho pra você, mas lembre-se que muito mais do que seguir alguém ou o que falam (tipo eu), é se deixar guiar pelo coração! O resto vem com a sintonia do brilho dos olhos e batimentos cardíacos em ritmo de festa. Falei muito sobre isso no post anterior. Menos expectativa, mais ação. E de tudo que eu poderia falar para vocês sobre recomeçar em outro país ou viajar com filhos, sugiro que leiam essas reflexões pessoais.

Um brinde às infinitas possibilidades!

Forte abraço,

Mamãe do Ben

Saia da sua zona de conforto

O que impulsiona as pessoas a viajar? O que nos leva a sair de nossas zonas de conforto e dar o primeiro passo rumo ao desconhecido?

Big Ben e Little Ben.

Acredito que para cada pessoa a resposta será diferente, mas o sentido o mesmo: se reencontrar. Muitas talvez nem saibam disso quando saem em busca “de algo”, mas em algum momento essa sensação de renascimento surgirá. E é aí que a verdadeira VIAGEM começa. Aquela que se faz de dentro pra fora.

A partir daí, mudam-se perspectivas, prioridades e pré conceitos. A forma com quem você começa a compreender o Mundo ao seu redor envolve mais consciência e compaixão, desapego e realização.

Aquilo que você pensava precisar lá atrás, já não importa mais. Você incrivelmente tende a se tornar mais prático, menos detalhista e mais whatever – sem se importar tanto com o que os outros vão pensar ou falar sobre suas atitudes.

Benício aguardando o jato de água quente e vapor do Géiser em Haukadalur, na Islândia.

E esse, para mim, é o real significado de liberdade: libertar-se da chatice de tanto se importar. É deixar suas ideias transitarem livremente pelo seu cérebro, independente delas serem ideias tolas ou geniais. Permitir-se ser quem você é, não quem as pessoas acham que você deveria ser.

A bagagem duplicou quando partimos dos EUA, pois já estávamos a caminho da Suíça (Q.G.)

É tomar decisões e ter atitude, mas ao mesmo tempo, ter total responsabilidade pelo caminho que optar. E, se houver falha no trajeto, ter a humildade de refletir sobre e recomeçar.

Uma viagem pode nos transformar!!!

Menos expectativa, mais ação

A parte mais difícil dos meus últimos dias tem sido deitar a cabeça no travesseiro e dormir. Não consigo me desligar, mas sei que não é insônia.

Minha mente parece um carrossel maluco cheio de pensamentos e ideias, mas fico estagnada sem saber por onde começar. Essa noite decidi pegar um caderno e caneta para escrever sobre o que estava matutando. Foi quando lembrei do início dos meus planos em viajar com meu filho pelo Mundo.

Benício e mamãe em uma parceria cheia de esperanças

Eu tinha uma expectativa absurda com esse período sabático. Me planejei de forma “administrativa” e acabei deixando a intuição de lado. E foi a partir dessa “falha” que o caminho muitas vezes foi tortuoso. Sim, eu fechei os olhos para meu sexto sentido e muitas vezes deixei o medo ser meu guia. Até mesmo à intuição do meu filho, meu fiel parceiro de viagem nessa aventura, eu não dei ouvidos: “Ele é só uma criança “, eu pensava, e hoje percebo que o Universo me mostrou muitos caminhos através dele, e eu esperei respostas da vida por outras maneiras. E as tive, não tão carinhosas como as que vieram do BEN.

Compreendi ali o quanto nos tornamos responsáveis pela expectativa que cultivamos.

Descobrindo um Mundo de aprendizados com ele

Em diversos momentos eu investi minhas decisões pautada em vivências de outros viajantes pelo Mundo, sem me dar conta de que só eu poderia escrever a história que eu e meu filho estávamos vivendo, que ninguém nunca esteve naquele dia, hora e local, além de nós, sendo nós!

E foi a partir daí que eu comecei a temer a ideia de escrever minhas experiências em um blog ou alguma rede social. Eu travei! Não queria ser o exemplo de acerto ou erro de alguém.

O primeiro comentário do meu blog (que tiveram apenas dois, até hoje) foi de uma seguidora que se sentiu decepcionada por eu ter prometido falar sobre meu planejamento e vivências durante um período viajando o Mundo sozinha com meu filho e, percebeu que eu tive muitas dificuldades e estava me questionava sobre o por quê de eu ter iniciado essa jornada. Me disse que decidiu, em razão da MINHA EXPERIÊNCIA, que o sonho dela deveria ficar adormecido, pois “não era fácil “. (Quem disse que seria, não é mesmo?)

Você é co-responsável pela sua vida. Cocrie a realidade que deseja!

Ao mesmo tempo em que aquilo me fez desmoronar e me trazer a tona um sentimento de culpa, larguei o vitimismo e me tornei mais forte com aquela situação. Eu não desisti. E persisti com muita consciência de que tudo faria sentido um dia. E fez! O que parecia uma fuga ou busca frenética pelo desconhecido, transformou nossas vidas para sempre! Se eu queria me sentir mais livre, não deveria estar me auto pressionando para dar respostas ou mostrar uma falsa realidade nas redes sociais para alimentar com hipocrisia uma  imagem distorcida do que estávamos vivendo. As máscaras já não me caiam mais bem. Eu as havia deixado no Brasil, quando partimos, em 4 de março de 2017.

Uma coisa eu posso dizer com toda a certeza do mundo: o Universo vai sempre conspirar a seu favor se você se abrir para a vida. Quando você se liberta de você mesmo, das suas próprias amarras, “pré-conceitos”, falsas limitações e medo, tudo flui.

Não, não será tudo rosas. Mas rosas têm espinhos e isso não as deixa menos belas ou mais fracas. Os espinhos tem função essencial em sua existência, assim como um caminho com lombadas, curvas e buracos, também fará na nossa, na sua.

Equilíbrio entre corpo e mente: o amadurecimento na jornada é notável!

A vida segue em frente. Sim, ENFRENTE!!!
Enfrente seus medos e dúvidas. Aliás, a dúvida é saudável até certo ponto. Que bom ter opções, mas lembre de se deixar guiar pelo coração! A razão é traiçoeira, mas é ao mesmo tempo necessária para equilibrar a vida.

Recorde -se de onde veio, quem você é, ou quem você deixou de ser quando cresceu. Cuidado com o que fará com o que fizeram com você. Perdoe. A si mesmo e ao que a vida lhe proporcionou. Um dia, como eu disse, tudo fará sentido.

Sonhe, idealize e principalmente, realize. Quantas vezes quiser e do tamanho que desejar! Queira o horizonte, mesmo que alguém já tinha ido lá – ou não. Se vai dar certo ou não, é outro assunto. E se não der, recomece novamente.

Erros e acertos são degraus de crescimento para cada história de vida e moldam quem você é.

Todos nós precisamos de espaço e um momento a sós.

Não se entregue ao comodismo, saia já dá sua zona de conforto e assuma as rédeas da sua própria realidade.

O mundo não precisa acreditar em você. Você se basta! Use isso para fazer o bem, a você e ao seu redor. Se é para inspirar alguém, que seja através da sua garra, atitude e força. Ou até da sua fraqueza. Não se esconda a partir de uma decepção, tristeza ou medo, e lembre-se que você pode chorar, e então aproveite para que essas lágrimas reguem suas raízes, para que assim você floresça ainda mais vigorosa (o)!

Mantenha o comando da sua vida, mas deixa ela te surpreender. O tempo está aí batendo a sua porta e tudo que você precisa fazer é convidá -lo para entrar e recebê -lo com coragem e amor.

Não são só as portas que se abrem… esteja atento aos sinais!!!

Grande abraço com todo o meu carinho e gratidão!!!

Novas experiências, novas sinapses

No Skydeck da Willis Tower, em Chicago. Experiência de alto nível – literalmente!

Uma das coisas que considero extremamente positiva numa viagem é a oportunidade de observar, aprender e vivenciar coisas novas a todo momento. Do ponto de vista puramente turístico, sem a necessidade ou a consciência de transformar a viagem em uma jornada de autoconhecimento, essas novas vivências por si só já são altamente benéficas (quem nunca falou ou ouviu alguém dizer que respirar novos ares revigora o espírito?). Só em estar em um ambiente diferente, vendo outras pessoas, experimentando novos sabores e fazendo coisas que normalmente não fazemos, cria uma atmosfera de positividade, dá aquela sensação gostosa de liberdade. Quando nos permitimos viver esses momentos com consciência e nos abrimos para criar novas sinapses, as experiências se tornam ainda mais intensas.

Mas o que são sinapses?

Nós percebemos a nossa realidade através de valores e crenças que absorvemos ao longo da vida. Temos cerca de 60 a 70 mil pensamentos por dia, mas o nosso cérebro se acomoda aos padrões já aprendidos, uma mente pré-condicionada a pensar e a se comportar de determinada maneira. Em meio a tantos pensamentos, acabamos nos prendendo às mesmas concepções e aos mesmos comportamentos de sempre por puro comodismo do cérebro. Ilustrando de forma simples, é como se os nossos neurônios fossem trabalhadores que executam a mesma tarefa todo santo dia, uma coisa que de tão repetitiva se torna automática. Quando mudamos o nosso padrão de pensamento ou vivenciamos novas experiências, os neurônios despertam e dizem “opa, isso aí é novidade!”, e criam novas conexões com outros neurônios. É esse vínculo que chamamos de sinapses – ou conexões sinápticas.

Quando aprendemos algo novo ou vivenciamos coisas diferentes, estamos realizando novas sinapses, e cada conexão ajuda a ampliar nosso campo de visão e dar novos estímulos ao cérebro. É essencial, no entanto, que a gente continue a exercitar esses estímulos para expandir os pensamentos, que nos levam a novas escolhas, novas experiências e mudanças no comportamento.

Novas sinapses na viagem

Não é preciso viajar para criar novas sinapses, mas só o fato de estarmos em um lugar diferente, absorvendo informações inéditas ao nosso cérebro, já é um grande estímulo. As experiências que o universo nos oferece são ilimitadas, e eu e o Benício temos buscado aproveitá-las ao máximo durante essa jornada.

Um dos novos conhecimentos para os quais o Ben se abriu foi o de manusear uma máquina de costura durante a nossa estadia em Newton (em Massachusetts, nos EUA, pertinho de Boston). De início ele ficou um pouco receoso, dentro daquela crença limitante de que costurar é “coisa de menina”, mas depois a empolgação tomou conta e ele produziu sua própria Póke Ball e uma almofada com a inicial do nome. A experiência foi tão positiva que no mesmo dia, antes de dormir, ele perguntou se poderíamos ter uma máquina de costura em casa para o caso de alguma roupa ou almofada rasgar.

Ainda temos bastante chão pela frente durante essa viagem, e essa perspectiva de novos aprendizados é um dos combustíveis que nos move e nos ajuda a seguir adiante.

Balanço da viagem: 1 mês

Se fosse preciso colocar uma vela para cada emoção vivenciada no nosso primeiro mês de viagem, talvez nem desse para ver direito o bolo. Hoje eu e o Ben comemoramos o primeiro “animesário” – há exatamente um mês deixávamos nossa boa vida, família, amigos, trabalho e rotina no Brasil para iniciar uma jornada de volta ao centro das nossas vidas, um resgate à minha essência adormecida.

Acho que nem eu tinha noção do que me esperava nesse período sabático. Alguma coisa me chamava para isso, mesmo sem eu saber o propósito real dessa experiência. Eu não tinha exatamente um ‘sonho’ de viajar, mas quando estava grávida eu imaginei que em algum momento da minha vida faria essa viagem quando o Benício estivesse maior.

Acredito que tudo o que acontece na vida são respostas que o universo dá aos nossos questionamentos. Sempre estive aberta a receber essas respostas, mas só agora consigo enxergá-las com mais clareza por estar conseguindo fazer as perguntas certas. E o que isso tem a ver com o propósito da viagem? Acho que essa foi a forma do universo me mostrar que eu precisava me redescobrir como mãe.

Apesar de estar quase sempre com o Benício, sinto que falhei na educação dele por deixá-lo um pouco solto. Venho de uma base muito estruturada, meus pais sempre batalharam muito para proporcionar uma boa vida à nossa família. Talvez pela facilidade que eu tive – e abro um adendo para dizer que não culpo os meus pais e, tampouco, estou reclamando – acho que acabei passando esse estilo de vida mais ‘folgado’ para o Ben (do tipo, se ele bagunçava o quarto, tinha uma funcionária em casa para arrumar). Nessa viagem eu percebo como a educação dele deveria ter sido diferente.

O Benício é uma criança boa e inteligente, mas vejo que alguns aspectos da educação dele foram negligenciados por mim. Eu costumava passar o dia no trabalho, enquanto, pela manhã, ele ficava em casa e à tarde ia para a escola. No fim do dia ambos já estávamos tão cansados para brincar e conversar, que aquela interação entre mãe filho era praticamente inexistente. Agora, que não temos outras pessoas da família ao redor e nem funcionários para fazer as coisas por nós, só podemos contar um com o outro. “Precisamos ser melhores amigos, parceiros de verdade”, foi o que falei para ele logo no início dessa jornada. São muitas mudanças e ele está tendo que se virar como gente grande.

De boa em NYC. Celebrando o primeiro mês de viagem na Big Apple.

Dizem que até os sete anos é o momento para educar, formar os valores de uma criança, então acredito que essa jornada tenha vindo em um momento importante para nós – o meu crescimento como mãe e o senso de responsabilidade dele. Estamos juntos 24 horas por dia, e eu imaginei que fosse ser complicado e cansativo, mas eu agora percebo que tudo o que ele quer e precisa é de compreensão em relação aos sentimentos dele. Não são apenas novos lugares que estamos conhecendo, são pessoas, climas, sabores, costumes, perrengues… Tudo isso gera um mix tão grande de emoções, que eu agora me dou conta de que essa viagem é mais uma grande oportunidade de reflexão do que de turismo. 

Me redescobrir como mãe, fazer o Ben entender as responsabilidades e consequências das atitudes dele, estreitar os vínculos entre mãe e filho, compartilhar a vida real para mostrar que nem tudo são flores nessa jornada – talvez o propósito da nossa viagem seja cada uma dessas coisas. O que posso dizer, com absoluta certeza, é que cada passo dado é um novo aprendizado, e todo o amor que sinto pelo meu filho só aumenta a cada dia. Que venham os próximos meses das Viagens do Ben!

Passaporte de menor com autorização

O Benício me acompanha nas viagens – nacionais e internacionais – desde que era bebê. Nas nossas andanças pelo mundo sempre levávamos o passaporte normal, sem a autorização já impressa nele. Para cada viagem era preciso solicitar a permissão do pai do Ben reconhecida em cartório, e todo esse processo às vezes era bem inconveniente, mas não havia outro jeito.

Quando decidi fazer essa viagem, pesquisei na internet se não existiam formas de ter a autorização no próprio passaporte, e descobri que desde 2014 os passaportes das crianças já podem ser emitidos com a autorização dos genitores especificada no próprio documento. Apesar de não ser uma mudança tão nova assim, muita gente ainda desconhece essa possibilidade. Por duas vezes, inclusive, ao apresentar a nossa documentação nos aeroportos, os próprios funcionários ficaram surpresos com a viabilidade de viajar sem precisar de um documento de autorização avulso.

Nessa pesquisa, vi que existem duas modalidades de autorização no próprio passaporte:

    • Autorização de viagem internacional com um dos genitores com autorização na página de identificação do passaporte. Essa modalidade autoriza que o menor viaje com apenas um dos genitores. Nesse caso, não há necessidade de apresentar a autorização no controle migratório na saída do país, caso a criança esteja com um dos pais.
  • Autorização de viagem internacional com um dos genitores ou desacompanhado com autorização na página de identificação do passaporte. Essa modalidade, assim como a anterior, permite que o menor viaje na companhia de apenas um dos pais, mas também autoriza a criança a viajar desacompanhada. Essa opção eu nem cheguei a cogitar porque, mesmo sendo uma pessoa super positiva, pensei na possibilidade de sequestro. Imagina o meu filho já ter a autorização para viajar com um estranho? Não, obrigada.

Além desses dois tipos de autorização, que já vêm impressos no passaporte, também é possível fazer o procedimento antigo e viajar com a autorização avulsa, caso a criança tenha um documento vigente emitido antes da liberação desse procedimento.

O processo é relativamente simples. Antes de emitir o passaporte, o responsável deve preencher o formulário disponibilizado no próprio site da Polícia Federal – Documentação para Menores de 18 Anos – e dar sequência ao processo normal de emissão do documento. É importante lembrar que o modelo deve ser autorizado pelos dois genitores (em casos de ausência ou de óbito de um dos pais, existem outros documentos que devem ser apresentados).

Talvez para algumas pessoas o mais complicado seja convencer um dos genitores a acompanhar a criança até a Polícia Federal para passar pelo procedimento de autorização. Para as mães que viajam sozinhas com crianças, esse procedimento é uma mão na roda e poupa bastante tempo e estresse desnecessário – afirmo isso por experiência própria!

Malas prontas!

Já arrumei mala para um fim de semana, já organizei a bagagem para ficar fora algumas semanas, já fiz viagens um pouco mais longas de mochila nas costas. Mas encarar uma jornada de nove meses, passando por vários países, na companhia de uma criança é a primeira vez. E aí, o que levar na mala?

A primeira coisa a ter em mente é que não podemos levar “a nossa casa nas costas”, e a maior parte das nossas roupas, acessórios, brinquedos e pertences pessoais vai ter que ficar guardadinha esperando o nosso retorno. Por outro lado, também temos que levar em consideração que é muito tempo fora e que, nesse período, vamos passar por todas as estações e condições climáticas. No México, por exemplo, que é a nossa primeira parada, um calor de 27°C em média nos aguarda. Menos de um mês depois, nos Estados Unidos, estamos nos preparando para mínimas de 0°C. Sem falar nas oscilações de temperatura que também enfrentaremos na Europa posteriormente. Tantas variações se traduzem para dentro de nossa mala como “de tudo um pouco”, desde roupas de banho para o verão às peças mais pesadas para o inverno.

Estamos levando uma mochila híbrida de 60 litros da Osprey – modelo Sojourn pesando 22kg, uma mochila de combate para carregar no dia a dia e uma mochila de brinquedos (essa é para o Benício “ajudar a carregar” a bagagem). Os brinquedos, além de distração, vão ajudá-lo a matar a saudade de casa com objetos significativos para ele. Confesso que essa seleção de brinquedos está sendo uma tarefa bem difícil! E o que também está pesando na mala são os quatro livros escolares para estudos do Ben durante a nossa jornada. Nesse período, o sistema de estudo dele será através do homeschooling (falarei sobre o assunto futuramente), por isso esse peso na bagagem é inevitável. Ah, e não podemos esquecer da farmacinha e dos equipamentos eletrônicos, que também ocupam bastante espaço, mas são essenciais.

Malas à parte, todo esse processo de organização está sendo muito positivo para nós dois. Apesar de arrumar e desarrumar a mala várias vezes, conseguimos praticar o desapego e separamos mais de 80% das nossas roupas para doação. Isso nos fez confirmar que precisamos de muito pouco para sermos felizes!

Agora que a bagagem está quase pronta (só faltam algumas coisinhas que vamos deixar para guardar no dia da viagem), o friozinho na barriga aumenta à medida em que a contagem regressiva vai se aproximando do fim. Falta pouco!

Farmacinha de viagem

Viajar sozinha ainda pode ser um tabu para muita gente, talvez algo impensável para as mulheres que ainda se prendem às crenças limitantes de que não são capazes de se virar sem uma companhia ou que vibram na crença de que algo de ruim pode acontecer. Se para viajar sozinhas colocam tantos empecilhos, como poderiam cogitar a possibilidade de viajar apenas na companhia de um filho pequeno? A primeira mudança é acreditar que você pode, sim!

Eu nunca vibrei nessa energia de não poder fazer algo por ser mulher, por estar grávida ou por ser mãe solo. Pelo contrário, sempre criei expectativas de poder fazer tudo o que fazia antes de ser mãe, só que agora na companhia do meu Ben. Além de viajar quando estava grávida, fiz a primeira viagem com o meu pequeno para outro país quando ele tinha apenas 1 ano e 3 meses.

Na ocasião, o Benício já havia tomado as principais vacinas, mas eu ainda era super neurótica com as coisas dele e levei uma mala gigante, com várias comidinhas e todos os remédios possíveis e imagináveis. Quando a gente vai evoluindo, percebe que as coisas são bem mais fáceis e simples, mas como mãe zelosa, nunca deixo de levar uma farmacinha.

Estamos levando os poucos itens que julgamos essenciais para esse período. Felizmente, o Ben raramente adoece – acredito que por eu ter amamentado por tanto tempo – e o máximo que ele tem no frio é uma bronquiolite. Por precaução, sempre levo o Aerolin (junto com o espaçador), o Alivium (para febre e dores em decorrência da gripe), e alguns outros que vão mais como uma medida cautelosa do que por real necessidade.

Recebemos de alguns viajantes outras dicas de medicamentos a levar, como antialérgico e antibiótico (embora o Benício nunca tenha precisado), além da dica de imunizar o corpo tomando bastante vitamina C algumas semanas antes da viagem.

Vale salientar que não é recomendado comprar remédios aleatoriamente. Os medicamentos que estamos levando e que citamos aqui no post sãos os que costumamos usar sempre e/ou que foram recomendados pelo nosso médico. Como passaremos muito tempo fora, não será possível comprar alguns desses em outros países, portanto achamos prudente levá-los.