Meu presente hoje

Faz 12 meses que eu me vi desolada, arrasada por ter perdido meu cartão de fotos do início das Viagens do Ben e minhas, que deram início a esse canal de comunicação aqui. Procurei por tudo, cada centímetro de mala e posses. Estava certa de que ficariam apenas as lembranças daquele período. E eu tinha consciência de que, após meus mais sinceros e profundos desejos de apagar da memória alguns capítulos vividos e capturados nas fotos e vídeos daquele primeiro mês, eu mesma fui responsável pelo estranho sumiço.

O começo de tudo, após a pior noite de nossas vidas: Cancun, México.

Hoje estávamos almoçando, em nosso restaurante preferido. Pela manhã, quando achei que o Benício faria uma surpresa para mim, quando me deixou dormindo e disse que sairia de casa, sem me dizer pra onde ia, eu estava eufórica. Criei uma história emocionante de filho trazendo flores e quem sabe, um delicioso café da manhã pra mim. Nada disso aconteceu. Ele tinha saído pra brincar na floresta. E eu, estava magoada comigo mesma, pela expectativa que criei.

Fomos almoçar, e minha comida típida do local, que sempre é divina, estava ruim. Erraram os ingredientes, e justamente apimentaram a mesma, justo o que eu menos aprecio. Na hora me lembrei do México, aquele lugar por onde comecei uma jornada cheia de aventuras, perrengues e alegrias com o Benício, e que realmente “ardeu” nosso paladar emocional e gustativo.

Medo resumido em uma foto: Cancun, México.

O local fica perto de casa, eu e meu marido fomos andando e o Benício de bicicleta. Ficou umas 2 horas fora, e quando voltou, eu senti que ele viria com o joelho ralado – talvez por isso ser algo frequente. De alguma forma, eu senti que faria um curativo nele. Algo bobo, mas já sabia o que pegar e onde. Eu havia deixado band-aid e spray para ferimentos numa gaveta, e fui direto lá buscar. Mas algo me fez pegar numa sacola antiga, um band-aid da época do sabático. Tinham mais de 30 lá, porque sou daquelas mães neuróticas que leva uma farmácia por onde anda. Vi diversos formatos de esparadrapo, mas um parecia um ímã para minhas mãos. O peguei. Ia jogar fora, pois a embalagem estava toda suja e ele era pequena. Foi quando mostrei ao Benício: “Olha filho, uma moeda dentro da embalagem do band-aid. Como isso foi parar ali?”. Rimos pelo fato de algo entrar e eu rasguei o pacote para abrir, pois ele estava intacto, apesar de sujo. Eis que, não era ali uma moeda, e sim, um cartão de memória de fotos para celular.

Eu paralisei. Não pude acreditar no que estava vendo. Seria aquele o cartão de memórias das fotos que “perdi” há 1 ano? Inseri diretamente no celular, para averiguar. Para mim, as fotos que apareciam eram apenas do período posterior à perda, ou seja, eu realmente havia perdido as fotos (não as memórias) daquele mês, de março de 2017.

Como eu desejei poder mostrar, ao menos revendo nossas fotos, que aquele tempo foi muito melhor do que as dificuldades que passamos! Agora será possível!!!
Ele precisa ver essa carinha de novo. Porque digo isso? Para qualquer pessoa que pergunta algo sobre México, cada placa ou restaurante com menção a esse país, o Benício sente repúdio e enjôo. A pior impressão ficou!

Resolvi não arriscar e fui baixar as fotos (nem lembrava se já tinha feito isso) no computador. Levou mais de 2 horas a transferência e cópia. Quando finalizou, abri as pastas para ver se estavam todas de acordo. E, para minha surpresa, misteriosamente TODAS as fotos e vídeos que eu tinha dado como perdidas, estavam lá!!!

Uma surpresa, um presente para esse dia das mães. Tardou e não falhou em nada!!!

Pequenos paraísos em meio a um furacão que vivenciamos.

Justo hoje, que eu decidi parar de procrastinar e recomeçar meus projetos inacabados. Justo hoje, que eu achei que seria um dia comum, sem grandes comemorações. Hoje, simplesmente quando eu consegui rir dos perrengues que o México vivenciou conosco, e que lembrei com graça de toda aquela comida apimentada que a gente ingeriu.

São Longuinho, Deus, Universo ou Anjos, meu agradecimento sincero e emocionado!!!

Verdadeiramente estou aqui segurando as lágrimas de tanta alegria e gratidão! Faço questão de compartilhar alguns momentos aqui.

Obrigada por ler esse relato de um dia que parecia ser comum, e que me comoveu! Ah, pra quem não entendeu nada, convido a ler alguns textos anteriores sobre nosso sabático, iniciando pelo apogeu do medo: Um dia de Terror.

O poder do dinheiro

Me ajudem, deu uma travada no tico e teco aqui, e não é de hoje.

Faz muito tempo que eu tento compreender o poder do dinheiro. Como pode uma folha fina e frágil, muitas vezes suja e cheia de história para contar, de todas as mãos por onde passou, determinar a “nobreza” ou “pobreza” de um ser humano?

Pote de ouro no fim do túnel???

O dinheiro é simplesmente um pedaço de papel. Quem deu valor a ele? E por que ele tem (tanto) valor? O que faz uma folha com um número impresso, rostos e cores distintas, ser moeda de troca para qualquer coisa?

Penso que no passado, fazia muito mais sentido quando você trocava bens por bens. O câmbio era de algo real por algo real, geralmente itens de consumo por outro item que viria a ser usado. E estamos aqui hoje, surtando e pirando na batatinha para encontrar nosso propósito ou como empreender para conquistar um papel – de preferência, muitos deles – que nada mais é do que uma cédula simplesmente, que por si só não produz nada, não oferece nada.

Como pode o dinheiro PAGAR uma refeição, a aquisição de uma casa (sem contar a concepção e construção dela), proporcionar viagens, mais ou menos luxuosas – isso depende do número de folhinhas mágicas você tenha – e tudo mais na vida!!! Sou só eu que acho o dinheiro uma grande ilusão? Tudo que é produzido tem o suor humano, as humilhações, sonhos, conquistas, planejamento, matéria-prima, matéria humana (mais uma vez), e uma série de atuações e atividades sem fim. Como a gente se deixa pagar por folhas de papel nominadas dinheiro? Sem esquecer que, a gente usa a mesma coisa – folhas de papel – para se limpar após necessidades fisiológicas. PAPEL, lixo a ser reciclado.

Isso visual sim é de graça, mas chegar aqui não foi…

E esse questionamento que me persegue ficou muito mais latente após assistir a série LA CASA DE PAPEL, na Netflix (que por sinal, super recomendo conhecer). É loucura você constatar que algumas pessoas se matam de trabalhar para ao fim do mês que vai servir para acerto de contas com uma série de empresas por prestações de serviços, para suprir tantas necessidades. Um papel, que é confeccionado por uma grande “gráfica” autorizada, uma casa da moeda, um banco central, seja lá o nome, mas que não temos controle algum da demanda, da necessidade, do destino final. Mas o que mais batuca na minha cabeça é sim, a loucura da nossa vida por míseros pedaços de folha, que qualquer gráfica ou impressora poderiam fazer, mas que só ganham valor quando são estampadas com selos invioláveis e que comprovam sua veracidade. Mas que valor é esse?

Quero, de verdade, auxílio para compreender o poder do dinheiro. O que você me diz sobre tudo isso? Parece loucura ou faz algum sentido pra você?

PS: Não estou me queixando da falta ou excesso de dinheiro, sou grata a todas as oportunidades que tenho vivenciado, mas não entendo a relação direta do dinheiro com o consumo.

Mantendo a sanidade mesmo na loucura do dia a dia (e da mente)!