O presente da Vida

A noite de ontem (04.12.2017) tinha tudo para ser memorável e especial.

O Benício fez seu primeiro jantar sozinho – macarrão com manteiga e peito de peru, aprendeu a lidar com o fogão, como não se queimar, e as medidas que se usa para preparar o alimento, além de exercitar a paciência na espera da água ferver, para daí colocar o macarrão para cozinhar. Éramos alegria pura, cada um ajudando um pouco e ensinando passo a passo, desde pegar os ingredientes, organizar o entorno do fogão, colocar a mesa, guardar o que não vai mais usar.

Após se deliciar com sua comida favorita, eis que ele vem correndo me dizer: “mamãe, você comprou alguma coisa na loja “X”?”. Eu não entendi o motivo da pergunta, até porque eu havia comprado, para dar de Natal. E eu disse: “Como assim, por que você está perguntando isso?” E ele respondeu: “Eu encontrei uma embalagem no lixo, com um selo transparente da marca”. Que mancada a minha! Eu havia tirado do pacotinho, que eu não tinha percebido selo algum, pois era metálico transparente, e colocado a camiseta (que era o presente, que ele tanto queria) para lavar e secar – ainda estava na secadora, para após isso embrulhar e guardar para a noite de Natal.

Nem aproximando a foto eu vejo o selo, que estava nesse saquinho de 20x30cm, em cima de uma caixa que eu ia levar pro lixo, no chão.

Ele estava eufórico, e como eu não vejo sentido em esperar datas comemorativas para fazer algo que eu gosto muito, que é dar meu amor mesmo que em forma de presentes – muita gente fala mal do ato de presentear com coisas, mas eu acho que não há grandes problemas quando você não ensina o valor das coisas, e sim do ato em si, quando você faz algo por amor e não por obrigação – eu falei: senta aí que eu vou dar hoje seu presente! Então ele pediu: “você pode embrulhar e esconder pra mim?”. Ele sempre amou a sensação de surpresa, de ter que procurar algo, mesmo que a gente tenha brincado de que não era Páscoa. E então ele complementou: “Eu vou esconder também o presente de Natal de vocês, da mamãe e do papai!”. E a gente nem sabia que ele tinha um presente para nós! Naquele momento, quem ficou surpreso, fomos nós! E ele pediu que nós procurássemos primeiro, e foi dando dicas de “está quente, está frio”, enquanto andávamos em busca de algo.

Quando encontrei, sendo que fui a primeira designada a procurar, foi uma grande emoção: ele havia confeccionado seu próprio papel de embrulho, totalmente personalizado para mim. Aquilo ali já encheu meu coração de alegria e gratidão. Ao abrir a embalagem, com todo cuidado do Mundo para não rasgar (e ele disse que não colou muito para que eu pudesse guarda-la), eis que aparece um outro cartão, lindo, escrito a mão, com desenho do Papai Noel puxando o trenó no envelope e, dentro, com o desenho do dia do nascimento dele, onde ele disse que representa eu deitada na maca, e o médico retirando o bebê (ele) de dentro de mim. Que coisa mais incrível! Tem presente melhor do que esse?

E como se não bastasse, havia ali uma caneta, que segundo ele, era para eu usar para escrever minhas histórias e estudos de alemão. Que percepção a dele! E para completar, alguns chocolates que ele ama, pra ver se eu começo a gostar. Enchi ele de beijos e abraços, e fiquei tentada a saber onde quando ele comprou tudo aquilo, e ele disse: “Lembra aquele dia que fomos ao mercado e eu pedi pra sair um pouco sozinho? Eu peguei meu dinheiro do cofrinho e fui comprar pra vocês esses presentes. Eu fiz sozinho. Gostou mamãe?”. Eu havia amado, muito mais do que gostado!!!

Surpreendentemente fofo e tocante!

E assim seguiu a noite. O presente do meu marido e a embalagem também deram vontade de chorar de alegria. Ele teve muita sensibilidade em montar esses presentes, e estava há semanas guardando em uma gaveta que me proibiu de chegar perto! Ele, que é super ansioso, e não consegue esperar nem um minuto por algo que queira, havia conseguido esperar quase 1 mês, e esperaria mais, se não fosse pelo episódio do meu descuido.

Chegara a sua vez. Ele tinha que procurar então, o que eu gostaria de dar a ele. E para disfarçar, coloquei em uma sacola de mercado, pois não havia tido tempo de providenciar um papel de presente – poderia ter feito como ele, não é mesmo?

Ele procurou e procurou, e quando encontrou, ficou elétrico de felicidade. Era simplesmente uma camiseta, mas de um personagem de jogo que ele é apaixonado – o mesmo que tira nosso sono aqui, porque ele quer jogar a todo instante. Mas eu pensei que seria algo que ele ficaria feliz em vestir. E por isso quis entregar já lavada, pronta para vestir, pois ele o fez imediatamente.

A noite seguia animada, mas ele estava ligado no 220V. Estendemos demais a brincadeira e estava na hora de se arrumar para dormir. E aí começou a saga: “Benício, vai escovar os dentes e vestir o pijama”. E multiplica isso por 15 vezes!!! Sim, ele não estava escutando o que eu falava, e o horário limite para dormir (para acordar cedo e disposto no dia seguinte). Eu fui ao quarto de visitas para estudar, e meu marido estava na sala fazendo o mesmo, enquanto aguardávamos ele fazer o básico de todas as noites, para então dormir.

Foi quando o meu marido disse: “Você está sentindo um cheiro de queimado?”. E eu estava tão concentrada nos estudos que nem percebi, mas quando ele disse, senti o cheiro também. Aí falei: levanta e vai ver o que é. Quando fomos ver em todas as tomadas e cozinha, o Benício grita: “O cheiro está aqui no meu quarto”. Achamos estranho e fomos lá ver. O cheiro vinha da luminária de chão dele, de papel, mas não entendia o motivo. Já havia fumaça e doía o pulmão para respirar. Então ele disse: “Eu joguei minha camiseta lá atrás do abajur porque estava bravo com você”. E então entendemos o que acontecera, mandei ele sair imediatamente de lá, abrimos todas as portas e janelas num frio de -1 grau, desliguei o abajur da tomada e vimos, dentro dele, a camiseta que eu tinha acabado de dar o Benício, em chamas!  Meu marido colocou tudo para fora (bendita varanda) e conseguiu apagar, ficando os danos apenas emocionais e nesses dois itens.

A lâmpada da parte inferior totalmente queimada!!!

Se a gente for pensar, em coisa de poucos minutos (ou segundos), poderíamos ter vivido um terror ou uma tragédia ali mesmo, pois o abajur era de papel e o teto logo acima de onde a luminária estava encostada, era de madeira, e sendo um prédio antigo, não haveria muita chance de apagar o fogo, sem extintor ou mangueira. Estávamos assustados, perplexos por uma atitude impensada que poderia facilmente ter nos custado a vida.

Na hora arrumei a cama dele na sala, onde o cheiro de fumaça era mais fraco, e mandei-o dormir. Não dei atenção, fiquei sem reação, e com medo de uma ação impensada, preferi assim. Fui ao quarto voltar a estudar, e não consegui. Eu só conseguia pensar que Deus havia nos permitido viver e rever o que estava havendo nesse lar. O quanto a gente precisa aprender a controlar nossa raiva e angústias, pois não sabemos onde o fogo vai queimar: dentro de nós ou no mundo externo. Sabia que aquilo era o reflexo, uma mensagem do Universo, de alguma coisa que não estava indo bem. Peguei minha coberta e travesseiro, e fui deitar com meu filho.

Chorei baixinho, e o vi engolir o choro. Ele não estava entendendo nada, para ele aquilo tudo era uma brincadeira, porque ele não viu as cinzas da fumaça, segundo ele. A noite foi tensa e intensa. Agradeci muito a Deus e pedi a ele forças para me tornar melhor e conseguir educa-lo da forma que for mais amorosa e necessária. Mas ainda agora, isso tudo não sai da minha cabeça, e eu precisava escrever isso tudo como forma de desabafo. Faço isso aqui, com lágrimas nos olhos, mas consciente da minha responsabilidade nisso também.

Um abraço forte, e que fique na memória, apenas o aprendizado e a beleza dos presentes que ele (e Ele) nos deu!

PS: Hoje cedo, ele pediu para ir a escola com a camiseta. Eu falei que não seria possível, pois ela estava no lixo, toda queimada. Ele riu e não acreditou, e foi procurar pelos lixeiros da casa. Não encontrou, pois havíamos deixado também na varanda, para não ter o cheiro impregnado novamente no apartamento. E ele viu o estrago. Não podia acreditar!
Foi até seu cofrinho, perguntou quanto eu havia gastado para comprá-la, e que iria me pagar. Eu falei que o valor monetário não fazia diferença alguma, e que a vida vai dar sempre um jeitinho de nos mostrar quando precisamos parar e rever nossas atitudes e caminhar. Que levemos disso tudo, o aprendizado maior: de semear a paz em família e por onde andarmos, pois a raiva e o ódio alimentam o pior dentro de nós, e podemos ter que reaprender de novo e de novo, de forma mais ou menos dolorida.

O estado da camiseta!
Imagina, dentro de nós, como não fica quando a gente se incendeia de sentimentos ruins e destrutivos!!!

E por ironia do destino, hoje eis que me surge uma mensagem:

“E eu te desejo paz e serenidade para aceitar o dia de hoje como o cenário onde as bençãos que você precisa experimentar se desenrolem. Que você encontre a tranquilidade necessária para permitir que a vida seja, independentemente das expectativas que você tenha construído para o agora. Existe uma sabedoria superior em cada folha que cai de árvore, em cada botão de flor que desabrocha – eu te desejo aceitação. Brigar com o que é não faz seu agora ser melhor, apenas revela a fragilidade oculta por detrás de seu Ego. Relaxe e confie. Existe muito amor para você neste Universo.”

A decisão de fazer um Sabático

Decidimos realizar esse período sabático em 2017, pois o Benício vai sair da escola (1º ano) final de 2016, e teria que trocar de escola. Pensei em aproveitar essa transição para desengavetar meu sonho, até porque ele ainda é “pequeno” e pode “ganhar” um ano com essas aventuras, ou seja, não vai chegar a perder conteúdos e matéria que sejam um bicho de sete cabeças!

A ideia inicial era comprar material e fazer um homeschooling para a 2ª série, mas como a vida está em constante mudança e adaptação, estamos planejando fixar residência em algum país – possivelmente a Suíça – para ele estar presente na escola.

Já havia estudado sobre as possibilidades de ele retornar e prestar uma prova de avaliação que permite reclassificação de classe no Brasil, caso os estudos fossem entre eu, ele e o Mundo, então de todas as formas, seria possível. É possível!

Quando falei para o Benício da ideia do período sabático, eu queria saber qual sua visão sobre isso – e até entendimento – pois ele será o meu grande pequeno parceiro nessa jornada. E ele adorou!

Conversamos bastante e agora já faz planos comigo, escolhe os destinos que deseja ir, pergunta se cidade X é perto da cidade Y, comprou um mapa mundi ilustrado super bacana e fica mencionando roteiros possível.

Ele disse que quer muito ir para o Egito “comprar um camelo” – animalzinho de estimação peculiar esse. Pergunta como é lá, quer ver fotos na internet. Já está viajando na ideia e fala para todo mundo que vai viajar pelo Mundo.

De vez em quando vem a mãe de algum amiguinho contando as conversas engraçadas que o seu filho falou sobre as histórias do Benício. E ele fala com tanto orgulho, que dá mais alegria em saber que estamos no momento certo!

Viagens do Ben na Legoland de Orlando, EUA.
Viagens do Ben na Legoland de Orlando, EUA.

Em busca de propósito!

Olá pessoal!

Sempre amei viajar: já me aventurei de mochilão por 5 meses na Europa, fiz intercâmbio no Canadá e fiz uma road trip na Califórnia, entre outras idas e vindas. Antes de descobrir que estava grávida, eu estava decidida a largar tudo e ir morar fora. Pois bem: tive que adiar os planos por uma nobre e deliciosa causa – viver a maior aventura das nossas vidas: a maternidade.

Engraçado que, ao escolher um nome para meu filho, eu só pensava em uma tradução pro apelido, de forma que fosse fácil de pronunciar “all around the World”. Não demorou muito para eu chamá-lo de Ben. Mas tinha receio de que no Brasil o nome seria meio estranho, então complementei e batizei-o de Benício. Meu Ben!

Enquanto o tempo passava e ele crescia na minha barriga, eu só pensava em uma coisa: quando ele fosse grande, eu iria levá-lo para experimentar a vida em outros endereços, resgatar meus desejos mais genuínos de explorar novas culturas e países. O sonho apenas ficaria adormecido.

Aos quase 7 meses de gestação, Benício viajou (na barriga) para a Suíça
Aos 6 meses de gestação, Benício viajou (na barriga) para a Suíça.

Durante a gestação do Ben, eu tive a ideia de pedir aos meus amigos nos 4 cantos do Mundo, a fazer uma fotografia em um lugar especial, segurando uma folha de papel com o nome do Benício escrito, ou escrever de alguma forma criativa. Eu me imaginava visitando todos esses lugares com ele, quando grandinho. Recebi fotos de vários destinos. Ou seja, a paixão por viajar, em nome do Benício, já passou por locais maravilhosos.

O projeto Viagens do Ben passou por Berlim
O projeto Viagens do Ben passou por Berlim

Agora, sete anos depois, está chegando a hora de realizar esse sonho, de resgatar minha essência e viver tudo que eu sempre quis, junto a ele, que é uma criança curiosa e com sede de desbravar o desconhecido!

Então, é hora de tirar o sonho do status “stand by” e colocar no papel bem detalhadamente, para transformá-lo em uma agradável aventura para 2017 em diante.

Compartilharemos aqui o planejamento, dúvidas, pesquisas, ideias, projetos derivados dessa jornada, mudanças de planos (ou adaptações para planos B, C e D) e experiências vividas!

Serão dois pontos de vista: Mamãe falando para mulheres, solteiras ou não, que queiram percorrer o Mundo (perto ou longe!) com os pequenos, e a visão do Benício, sobre suas vivências, expectativas e ponto de vista.

Iremos reproduzir as fotos que recebemos com nome, estando o Benício no local, e de alguma forma homenageando quem fez aquela imagem, anos atrás! Seja com histórias, nome, recordação… será emocionante!

Vamos juntos curtir as Viagens do Ben, around the World?

Você é o nosso convidado especial!