Medo de falar em público

Era domingo à noite. Enquanto eu preparava o jantar do Benício e ele assistia vídeos de curiosidades no YouTube, eu ouvia de longe mas aproveitava para dar uma geral na geladeira. Eu sou a senhora potinhos. Tenho costume de guardar o que resta de comida das refeições, mesmo que nem sempre elas sejam reaproveitadas. E nesse momento arrumação, ouvi um dos conteúdos que o Benício assistia, que falava sobre o bulllying. E a parte específica era sobre, em sala de aula, quando um colega estivesse lendo um texto na frente da classe, que não rissem ou debochassem, pois isso poderia ser prejudicial para o desempenho e desenvolvimento da criança, sendo que nem todas se sentem confortáveis em ir a frente e ler ou falar sobre algum assunto.

E isso me fez lembrar tanto a minha infância! Lembrei-me do total desespero que eu sentia a cada situação onde a professora escolheria aleatoriamente alguém para uma leitura ou para compartilhar algum assunto. Eram momentos de aflição, terror, angústia.

Se eu tivesse que escolher, preferiria ser devorada por um dinossauro a ter que falar em sala de aula.

Juntava uma série de sabotagens sobre mim mesma: não existia autoconfiança e a minha autoestima era a mais decadente possível. Eu, por muitos anos, até poucos dias atrás, me achava incapaz, desinteressante e feia. E para mim esse conjunto de julgamentos pessoais, me colocavam no lugar mais abaixo da lista de pessoas legais e inteligentes, e tudo que eu não queria era mostrar minha ignorância em público, mesmo que entre amigos.

E por toda a minha existência, até os tempos quase atuais, esses sentimentos vão e vem, e eu criei uma barreira forte contra o contato olho a olho e me apeguei a escrita. Desde bilhetinhos, às conversas através de páginas de conversas e chats pelo computador, e-mails, redes sociais, cartas, mensagens via celular. Tudo que fosse possível para evitar o meu gaguejar ao vivo.

Era mais ou menos assim, com educação e chamando pro tete a tete virtual.

Não que eu fosse gaga, mas a minha ansiedade sempre foi tanta, que eu mal conseguia pronunciar as palavras corretamente. Eu comia sílabas o tempo inteiro, e em muitos momentos tampouco eu me compreendia. Falava a jato. Correndo, pronta para desaparecer de onde eu estivesse.

Lembro ainda de alguns episódios marcantes da minha trajetória, que foram a graduação na Universidade e a formatura do primeiro grau na escola. Isso sem contar nas inúmeras apresentações teatrais escolares que me tiravam o sono. Voltando às formaturas, em ambas situações, havia a necessidade de realizar um estudo sobre determinado assunto, e apresentar minhas considerações e o próprio trabalho em frente a uma banca “julgadora” e alguns alunos curiosos. Isso valeria nota e nortearia uma possível aprovação ou reprovação, daquela etapa da vida escolar. E comparando com hoje, nem mesmo no parto normal que fiz do Benício, eu senti tanta ansiedade, medo, pavor e todos os sentimentos mais desagradáveis, do que nessas ocasiões.

As duas foram praticamente iguais: eu estava lá, nada linda e plena no palco, totalmente nervosa, inquieta, e em poucos minutos, aos prantos. Tudo que eu queria falar, desaparecia da minha mente. Então eu sempre precisei ler, e lia como um trem bala. Voando! Em nenhuma das minhas duas grandes apresentações, eu consegui concluir meus pensamentos com maestria ou conforto emocional. Eu me entregava ao vitimismo e a rede de desespero que eu mesma criava. Mas isso só acontecia quando tinha a ver com estudos, me dedicar, aprender e ler. E no final eu ainda falava a mim mesma: “Viu, eu sabia que você iria falhar, como sempre! Você é horrível, você não sabe nada”. Se tinha alguém que fazia bullying, era única e exclusivamente eu comigo mesma. Eu era medalha de ouro em me colocar pra baixo. Felizmente, hoje eu consigo compreender tudo que eu mesma me proporcionei.

Essa postura eu assumia por diversas vezes, quando me sentia inútil e desprezível.

Enquanto fugia da conversa pessoal, que também foi um dos motivos pelos quais em sempre me gabava em ter poucos e bons amigos, era porque eu tinha era medo de falar, e com o medo, eu falava besteira. E por isso, não fazia amigos.

Falando em relacionamento amoroso, tenho histórias hilárias para contar. Sempre que eu gostava de um garoto, a minha reação imediata era: vou convidar ele, através de um bilhete, a entrar no chat de conversa “x” ou “y” pra gente se encontrar lá. Teve uma situação, que eu nunca esqueço também e dou risada até hoje. Eu tinha 13 anos, e era bem precoce no assunto gostar de alguém. Eu sempre via aquele menino (ou homem), aparentemente mais velho, passar na frente da escola na saída da aula. E eu apenas sorria. Jamais ousei em dar oi ou puxar assunto. E esse sorriso continuou por semanas ou meses, até que um dia eu decidi tomar uma atitude: o carro dele estava sujo, e eu deixei um bilhete no para brisas e uma flecha apontando para o bilhete, escrita com o dedo naquela sujeira. O bilhete dizia algo assim: “Oi, sou a menina que sempre sorri para você na saída da escola. Queria conhecer você. Me liga”. E deixei o telefone de casa, na maior cara de pau. Não preciso nem dizer que ele não me ligou, até porque eu era muito novinha e ele sabia pela cara de pirralha. Hoje em dia algumas meninas da idade que eu tinha, até se passam por mais velhas, mas não era o meu caso. Até que um dia, alguns após o bilhete, ele me parou para conversar. Eu queria me esconder, desaparecer, mas não foi possível. Tive que abrir a boca e falar. E ele foi super simpático, disse que tinha achado legal o meu bilhete e que poderíamos ser amigos. E ficou por isso. Eu morria de vergonha a cada vez que cruzava com ele, mas pelo menos, eu já sabia seu nome, e poderia escrever com vários coraçõezinhos no meu diário na época. (risos)

Tudo o que eu queria era poder, magicamente, desaparecer e apagar aquilo tudo da memória dele. E da minha!

E em vários episódios da minha vida, o contato não tão pessoal, foi o que marcou o início das minhas relações. O meu primeiro namorado, por exemplo, eu conheci num chat que na época se chamava mIRC. Eu gostava de um garoto que não estava nem aí pra mim, e ele era melhor amigo desse garoto. Eu pedia mil e uma dicas de como conquistar o menino, queria saber porque ele não dava bola pra mim, me lamentava e ele era aquele ombro amigo, até que ele combinou de nos encontrarmos pessoalmente pra “desvirtualizar” e nos apaixonamos. Ficamos alguns anos juntos, e tudo se deu pelo contato virtual inicialmente. Não que eu seja a favor, mas o meu pavor de falar frente a frente, me impedia de dar o primeiro passo sem as máscaras que a internet te proporciona. Lá você pode ser quem quiser, e nem sempre quem você é.

Com o meu marido, não foi tão diferente. Tá certo que eu o conheci durante o meu intercâmbio, enquanto ele estudava na mesma sala de aula que eu, mas a gente só veio a se conhecer melhor quando eu, já doida pra saber mais da vida dele, além das perguntas básicas e superficiais, entreguei um bilhete na sua mão na hora do intervalo, convidando-o para me adicionar no Messenger – outra plataforma virtual de conversação da época de 2005, conhecida como MSN – para continuar a conversa. Mas nesse mesmo bilhete eu dei um passo a frente: também o chamei para ir comigo, à festa de confraternização da escola. Esse para mim era um verdadeiro avanço na relação interpessoal. Eu o fiz com toda a minha vergonha do mundo, mas a atitude e a vontade de ter mais tempo com ele, falaram muito mais alto. E, hoje, agradeço muito a essa coragem de escrever. Eu não teria vivido uma história tão incrível, próspera e de muito amadurecimento com ele, se não fosse esse passo importante.

Bendita a internet quando usada como forma de agregar a vida, e não apagar a vida.

Quando penso nisso tudo, consigo enxergar que o problema sempre fui eu. Não era daquelas pessoas que queria me destacar, ser a melhor em algo, dar o meu máximo. Para mim, ser mais ou menos ou meia boca era suficiente, porque eu mesma não acreditava muito em mim. Hoje eu vejo pelo meu marido. O quanto ele vai até o seu limite do aprendizado, ele quer provar a ele mesmo que ele pode fazer melhor, ele não se cansa de estudar e conhecer infinitas possibilidades, conceitos, projetos, se cercar de conhecimento. Ele é daquelas pessoas que, quando compra algo, começa por ler o manual de instruções. No meu caso, a primeira coisa que eu jogava fora ou deixava de lado, era justamente o manual de instruções. Eu era (e ainda sou às vezes) daquelas que gostava que as coisas viessem prontas na minha mão. Se tivesse ainda, que aprender como usar, já perdia créditos comigo e provavelmente iria parar numa gaveta ou armário. Isso tudo por total desinteresse em aprender. E é difícil me dar conta disso, sabe! Aquele momento ontem, do Benício simplesmente assistir a um vídeo e eu receber aquela mensagem, foi um baita sinal para eu rever a estação – ou vibração – que vou conectar na minha consciência. Eu tenho certeza que foi um recado do Universo para mim, e que já passou da hora de mudar.

Teriam inúmeras outras situações que eu poderia comentar, mas o resumo da ópera, para a minha constatação é: você pode ser quem quiser ser, e pode se diminuir o quanto você mesma o fizer. E o auto empoderamento, é exatamente possível da mesma maneira, depende absolutamente do seu pensamento, do que acredita e do gás que dá para se conquistar o que deseja. Mais uma vez eu sei que nós somos eternamente responsáveis pelas carências, expectativas, medos e “mimimis” que cultivamos. Mas dá para olhar pra trás e transformar-se em uma nova potência, com uma nova realidade.

Presentes da vida real!

E você, qual sentimento tem vindo a tona essa semana? O que você percebe como sabotador na sua vida que têm excluído do fluxo do seu pensamento? Fala aqui, vou amar te “ouvir”.

Ah! E eu estou aprendendo a desvirtualizar. Tenho tentado, aos poucos, conhecer pessoas que só falo no mundo virtual. Aliás, eu agradeço imensamente ao mundo online que me possibilidade além de conhecer pessoas fantásticas, de encurtar distâncias quando a gente vive longe de quem ama. Um salve para a internet, quando usada de forma inteligente!

Li ontem em alguma página na internet: “Não saber o seu valor pode custar caro”.

Grande abraço da Rafa!

PS: Se tiver erros de digitação ou concordância, me perdoem. Eu prefiri não reler esse texto para não me arrepender de mostrar esse meu lado a vocês. Está cru e totalmente fiel ao meu sentimento!

A escrita como terapia

Há quase dois anos, me vi perdida no caos da minha mente, e sabotando todas as oportunidades e pessoas que me cercavam. Eu parecia viver em meio a uma guerra, sempre preparada para o ataque e para destruir meu inimigo. Por muito tempo, a cegueira me impediu de enxergar quem era meu verdadeiro arqui rival, e eu direcionei essa responsabilidade ao mundo externo. Jamais a mim mesma. E isso me custou uma série de consequências. Perdi minha sanidade mental, minha saúde física, me distanciei de pessoas especiais e criei barreiras emocionais com quem quisesse chegar perto. Ai de quem ultrapasse minhas barreiras… sofria a fúria da minha rigidez.

Não encontrei fotos minhas da época, então vai essa que achei do Benício, possivelmente tendo que me suportar 😀

Por ironia do destino, quando nem eu mesma estava me suportando, fui tomar um café com uma amiga, a Alana. Entre lamúrias, vitimismo e uma chuva de reclamações, ela me disse: você precisa recalcular a sua rota. Eu tenho o curso perfeito para você. Faça e depois conversamos. Ela era minha amiga, estava no comando da 2ª edição do seu Programa Recalculando a Rota, já havia rodado o mundo em busca de respostas e encontrou a si mesma quando se permitiu estar presente e aberta a uma nova realidade, onde estava desperta para o que o universo queria lhe mostrar e oferecer.

Ainda um pouco incrédula, abri a guarda e me inscrevi em seu curso. Entre condicionamentos de pensar que “santo de casa não faz milagres” (por ser uma amiga) e a crença de que curso online algum me faria mudar, resisti às tentações do meu ego e passei por cima do meu orgulho.

Foto de Daniel Luneli, da paradisíaca Praia Brava de Itajaí (SC), onde morávamos antes da mudança pra Suíça.

O curso começou. Já no primeiro momento, parecia que alguém havia girado uma chave no meu campo emocional. Onde eu anteriormente via nebulosidade, havia amorosidade. Onde eu respirava pesado, eu me sentia livre e leve. E a forma com que o curso acontecia, e as pessoas que eu conhecia ali naquele meio virtual, enchiam meu coração de paz, de amor. Eu mesma não conseguia mais reconhecer aqueles estados em que eu me encontrava, mas de uma coisa eu tinha certeza, era mais daquilo que eu queria. Estava com sede de mim mesma. De voltar a ser a Rafaela que eu sempre fui.

Estar presente transforma a vida. Escrever é estar compreender o presente que é viver.

E no decorrer desse processo de autoconhecimento, eu comecei a escrever. Sentia que o ato de colocar no papel alguns do episódios mais intensos, bonitos e conflitantes da minha vida, poderiam trazer mais consciência e entendimento. Eu precisava rever minhas experiências e vivencias com carinho, sem mais sentir aqueles medos e sensações que tive, e sim compreendendo que minha evolução só se deu dessa forma, com a conquista do meu discernimento em fazer escolhas, em seguir adiante e enfrentar qualquer desvio de rota. Os trajetos tortuosos estavam me levando ao caminho onde eu deveria chegar, e eu apenas conseguia enxergar essa preciosidade, colocando minhas emoções no papel. E como minha mente ainda estava agitada, parar para refletir, rever e reescrever minha história, era como uma meditação, uma verdadeira terapia. Dias atrás ouvi alguém comentando sobre aquela famosa posição que se vê em todas as fotos de meditação, onde os dedos se juntam como se fizéssemos a forma da sombra do coelho na parede. E é exatamente assim que seguramos o lápis e a caneta, ou seja, escrever é também uma forma de silenciarmos a mente e nos entregarmos à meditação, ou ao processo criativo. Isso é fantástico! E faz uma diferença absurda na vida!

Com tanta reflexão, cada passagem de episódios da minha vida se tornava revelador. Descobria ali atitudes e transformações riquíssimas que eu jamais havia percebido. Não me limitei às situações que eu julgava como ruins no passado. Eu quis dar uma nova forma de viver aqueles momentos, com leveza e gratidão. A arte de escrever liberta. E você não precisa ser artista para isso. Você precisa ser humano e ter vivido suas próprias experiências.

Benício desbravando com a amiga Ana Júlia. Uma amizade sem fronteiras.

Pode ser que você sofra novamente quando reescrever alguns intensos acontecimentos. Mas confia, a reflexão virá, e junto vem uma oportunidade incrível de perdoar, agradecer, ser solidário e pedir perdão por tudo aquilo que já viveu. Limpar essa má impressão e compreender o quão belo foi poder passar por isso e estar aí, firme e forte, preparado para o que tiver que ser, é uma grande revelação do nosso potencial, uma forma de resignificar o nosso eu interior. Se descobrir por inteiro, em qualquer sentimento.

Para mim, a escrita é uma bela forma terapêutica de que chegar mais próximo da cura emocional, rever os sentidos e os sentimentos. Sem contar que é um resgate da nossa mais tenra essência. A escrita faz parte de todo o desenvolvimento humano. Toda criança que vê um lápis e papel, tem como instinto rabiscar esse papel, mesmo quando não balbucia palavras e nem tampouco sabe o que está fazendo. Mas está intrínseco em nosso DNA.

Eu e ele, na aula de costura, apenas sendo normais!

Tem momentos em que tudo que você precisa é desabafar. Falar com alguém sobre algum pensamento que transita em sua mente. E por que não se abrir com você mesma? Escreva, converse consigo mesma. É uma forma de expressão sem julgamentos. Leia, não se importe com a gramática, e sim com a libertação emocional que esse simples ato irá te proporcionar.
Para mais poder nessa terapia de escrever, eu indico que conheça o Ho`oponopono, uma forma de resignificar recordações dolorosas que possam alimentar desiquilíbrios emocionais, e te trazer de volta para a consciência e gratidão, para uma melhor aceitação.

E chegará um momento em que, ao descrever sua jornada de vida e essa montanha russa de emoções, você descubra uma bela e inspiradora história, que foi e poderia ter escrita única e exclusivamente por você. Celebre. E se sentir vontade, compartilhe com quem te for adequado.

A liberdade está traduzida em milhares de formas, uma delas é de desnudar em palavras para vestir os sentimentos mais genuínos e fortalecedores!

Eu cheguei nesse momento e tenho em mãos uma bela recordação, um livro quase finalizado das passagens mais marcantes da minha existência nessa dimensão, e que em breve pretendo reverberar para as pessoas que me querem bem, e para quem mais desejar.

Falei tudo isso para te dizer: comece já a escrever. Permita-se 5, 10 minutos do seu dia. Esse tempo é só seu. E se quiser compartilhar comigo qualquer percepção sobre esse chamado, estou aqui.

Não sou especialista nem estudiosa desses temas, mas tenho muita vontade em auxiliar no desenvolvimento de lindos trabalhos com histórias reais e de amadurecimento pessoais!

Meu carinho a todos vocês!!!

 

 

A adaptação com filho em outro país

Uma das questões mais recorrentes que surgem no bate papo do dia a dia é sobre como está sendo a adaptação de vida em outro país, da minha parte, e da parte do Benício. Muitas mães que me acompanham, casadas ou solteiras, querem saber um pouco mais de como temos lidado com as diferenças culturais e todo o pacote que vem junto com uma nova vida.

Um dos belos lugares por onde passamos: Lago de Genebra, na Suíça.

Fico bem feliz em poder compartilhar as peripécias dessa mudança, mas quero lembrar que essa é apenas a minha versão e realidade sobre a adaptação. Para cada outro indivíduo diferente de mim, e até a mim mesma em uma outra época, tudo será e seria diferente.

Então meu propósito aqui é de conversar com vocês de forma sincera e aberta, e com toda a vibração positiva para que essas reflexões inspirem quem está a poucos ou longos passos de tomar uma atitude de recomeçar a vida em outra cidade, estado ou país.

Esse momento, lugar e sorriso, jamais se repetirão! Escreva sua própria história e realidade!

Eu e o Benício já visitamos a Suíça inúmeras vezes antes de iniciarmos uma nova vida aqui, e isso certamente nos deu oportunidade de vir para cá já tendo amigos e conhecidos, o que de cara já eliminou o maior “ponto negativo” da mudança de país, principalmente se tratando da Suíça, que o maior caso de infelicidade ou insatisfação para expatriados é a dificuldade de criar laços, fazer amizades e se sentir aceito (comprovado por pesquisas no país).

Os amigos do meu marido (suíço) são pessoas muito boas, altamente receptivas e que sempre nos trataram com muito carinho, do jeito deles. E já faz 12 anos que eu e meu marido nos conhecemos, portanto sempre que vínhamos para a Suíça passear, eu acabava fazendo algo com as esposas – aqui elas saem muito em meninas – e depois com filhos, combinávamos alguma forma de nos encontrarmos também.

Para facilitar ainda mais, meu marido tem sobrinhos com idade próxima a do Benício, ou seja, ele mata um pouco da saudade das primas do Brasil quando encontra os primos daqui. Resumindo: o que não faltam são pessoas queridas que tem bons sentimento por nós, e estão aqui “para o que der e vier”, quando necessário. Sem contar nos avós e tios postiços suíços que torcem e se oferecem a apoiar no que for preciso.

Desbravando cidades com o primo Gordon.

Os suíços que eu e o Ben conhecemos até então são sinceros e solícitos, mas muito na deles também. Possivelmente jamais pedirão sua ajuda. É cultural. E se pedirem, é porque confiam mesmo em você. E aqui, confiança é o coração de uma boa amizade. Aliás, em qualquer lugar, não é mesmo? O que ninguém faz aqui é invadir o espaço do outro. O respeito é como o sangue que pulsa nas veias.

Quando você faz uma amizade verdadeira, é para valer. Assim como no Brasil. Eu particularmente sempre fui de poucos, mas bons amigos. Adorava o fato de estar cercada apenas de pessoas especiais e com quem eu queria mesmo compartilhar minha vida, até porque eu falo demais sobre o que sinto e penso.

Viu como falo demais?

Escolha a sua vida!

Voltando ao tema “adaptação”.

Estamos efetivamente vivendo na Suíça desde final de Julho deste ano (2017), mas saímos de casa (Brasil) no início de março. Desapegamos de muita coisa que não fazia mais sentido pra gente, e até muitas outras que perceberíamos mais tarde que eram desnecessárias também. Éramos eu, Benício e uma baita mochila/mala de rodinhas contendo tudo que precisávamos (ou eu achava que precisaríamos) para alguns meses viajando rumo ao desconhecido, e uma mochila de costas. Digo desconhecido pois, apenas de rotas programadas, não sabíamos como seriam essas descobertas e aventuras, e deixamos brecha para novas possibilidades.

Tomando conta dos nossos pertences!

E com isso, tivemos que nos adaptar a muitas coisas: a estarmos 24 horas por dia juntos, a sermos melhores amigos, a controlar a saudade, a ter paciência (ô coisa difícil), a degustar novos alimentos, a confiar em nossa intuição, a não deixar se abater pelos problemas no caminho, a ter atitude para tomar novas e importantes decisões, a encarar más escolhas, a chorar quando preciso, a pedir ajuda, a sorrir sem motivos, e muito mais. Parece que só listei aqui a parte ruim né? Mas de uma coisa hoje eu tenho certeza: foi através das nossas experiências maquiadas como as piores, que tivemos os mais incríveis e reais aprendizados, e consequentemente, nosso amadurecimento. Os desafios nos abriram os olhos e caminhos, e por isso sou grata por tudo que o Universo nos faz enfrentar.

Nossas sombras estão por todos os lados, e refletem nossos mais obscuros anseios e condicionamentos.

Então, após inúmeras vivências confusas, felizes, assustadoras, inesperadas e desejadas, decidimos radicalizar e moldamos os planos, para ao invés de voltar ao Brasil após o período sabático, mudarmos para a Suíça.

Tudo parecia fazer sentido. Estaríamos novamente com a família unida (eu, filhote e marido), em convívio diário e com todas as suas diferenças culturais. Sim, seria um baita desafio, mas essa palavra tem sido instigante para mim.

Curtindo o carinho dos avó em uma das visitas aqui na Suíça, em Berna.

Convencemos (entre aspas) minha família no Brasil de que o plano daria certo. O pai biológico do Benício permitiu essa nova jornada e tivemos assim, apoio de quem mais precisávamos para seguir nossos caminhos. Com suporte de quem se ama, tudo flui magicamente melhor.

Sabe aquele ditado que diz que “a gente só dá valor quando perde”? Isso é bem relativo e ao mesmo tempo super importante. Com a distância física de algumas pessoas da família, nós também perdemos a mente robótica de julgamentos, estresse, imparcialidade e saímos do piloto automático. Estar com em contato com a família através de vídeos pelo celular, ligações ou alguns poucas visitas, elevou absurdamente o nível de amor e afeto compartilhado, e transformou significativamente as nossas relações pessoais. Há muito menos discórdias e discussões. Há mais desejos de passar o tempo que se tem, da melhor maneira possível. Aprendemos muito mais sobre compaixão e cumplicidade. A distância uniu cada um de nós num mesmo propósito de prosperidade, confiança e esperança. A zona de conforto deu vez para o conforto dos abraços quando estamos juntos com quem amamos e sentimos saudades.

A distância física ensina o que é o amor verdadeiro, sem pressão, posse ou obrigação. Ama-se com leveza e consentimento . Com sentimento!

Chegamos com toda estrutura já montada, afinal, meu marido já estava vivendo na Suíça enquanto eu e o Benício havíamos ficado no Brasil. Então no início não foi uma loucura de corrida atrás de apartamento, mobiliário e afins. Apenas tivemos que eleger um novo apartamento com denominação familiar como uma das exigências do pedido de visto ao consulado Suíço. Alguns detalhes apenas foram sendo avaliados e decididos juntamente em família. E tudo acontecia tão perfeitamente que dava medo. Me lembro quando planejamos há 1 ano e meio atrás a vinda para a Suíça, e eu me apeguei a uma região no mapa e disse a mim mesma e a todos: “Me vejo morando nessa quadra, e o Benício estudando nessa escola”. E você acha que isso aconteceu? Claro! Minha intenção e energia foram tão intensas e sinceras que o Universo conspirou a favor. Já estava escrito em algum lugar e minha intuição, sexto sentido ou feeling, já denunciavam.

Nosso meio de transporte mais emocionante.

O período em que chegamos na Suíça para viver, era de férias de verão (fim de Julho). Prontamente já havíamos matriculado o Benício para estudar assim que o ano letivo – que inicia em agosto aqui – iniciasse. Como trocaríamos de apartamento e de cidade, optamos por uma escola mais longe da residência inicial, porém há apenas 5 minutos da futura moradia. Seriam apenas 35 dias de transição e correria para chegar a escola. Mas tudo era tranquilo e estávamos com muita energia para esse recomeço.

Durante todo o processo de pedido de visto, visita a central de integração de imigrantes, idas ao mercado sem falar uma palavra em alemão (estamos no cantão de Zurique, que é a parte alemã do país), compra de ticket de ônibus e trem, abertura de conta bancária, e até os simples horários de meios de transportes cronometricamente estipulados, já dá pra perceber um dos grandes diferenciais culturais daqui: que as coisas funcionam. E sem muitas delongas. Você consegue fazer tudo sozinho, sem ter que falar a língua materna. Mas, claro, que isso graças a língua inglesa ser curricular no ensino do país e pré-requisito na maioria dos empregos, principalmente nos diretamente ligados ao turismo.

O caminhão que levou nossa mudança.

Ao mesmo tempo em que tudo funciona de forma organizada e controlada, quando algo sai da normalidade, é motivo de dor de cabeça na certa. Os suíços não foram educados para “apagar incêndio” como no Brasil. A pensar em planos B, C ou D. Ali é plano A ou nó na cabeça! Mas nada que a nossa insistência não auxilie. Eu prefiro também não ter que enlouquecer para fazer coisas simples do dia a dia.

Aliás, a parte mais difícil por enquanto na adaptação está sendo ter que agendar compromissos com amigos com um mês, semanas ou longos dias de antecedência. Eu sempre tive a mania de decidir em cima da hora se ia ou não a algum apontamento. Brincadeiras à parte, essa parte é fogo! (risos)

Ser e Estar presente é o melhor presente!

A cordialidade e respeito das pessoas que nem se conhecem é linda. Moramos em cidades pequenas de interior e todos na rua, quando se cruzam, educadamente se cumprimentam. Principalmente crianças e idosos. É lindo!

O início da escola foi o melhor que poderíamos imaginar. A escola acolheu o Benício com muito amor e respeito, com planos e desejos de que ele se sentisse integrado desde o início. Não teve privilégios, mas a atenção que eles dão a tudo e a todos. Em pouco mais de um mês frequentando a escola, já tem noção de alemão, arranha o espanhol  (para conversar com o amigo da sala que é filho de italiana com espanhol) e ja entende mais o inglês, que é a língua que a mamãe fala por ainda não falar a língua alemã, e que falamos por meses durante nosso sabático. Onde ele aprenderia assim rápido tantas línguas diferentes? Levariam meses ou anos em um curso de idiomas no Brasil.

Pura alegria no primeiro dia de aula na Suíça.

Sobre a escola, que até mesmo inseriu na grade de educadores uma professora filha de mãe brasileira e que fala português, por exemplo hoje, para complementar essa minha afeição pela forma com que tratam meu filho, tivemos em casa a visita de sua professora. Após 4 dias faltando a escola por causa de febre, me ofereci a ir a escola pegar as tarefas. O que recebi depois foi um ato de amor: “querida, não se preocupe! Eu levo as atividades dele esta tarde”. E ela veio! Tocou a campainha, subiu 3 lances de escada até chegar em nossa casa, conversou com o Benício apenas em alemão, ele entendeu praticamente tudo, conheceu seu quarto, sentou junto a ele na mesa de estudos e fez um breve resumo de tudo que ensinou aos colegas de classe, entregando posteriormente as atividades para a próxima semana.

Fazendo as atividades após a visita da Professora.

Tudo tem sido intenso e especial. Claro que, como falei no início, essa é a minha realidade. Me sinto privilegiada em ter minha família apoiando de todas as formas e torcendo de longe, termos amigos queridos ao redor, um lar tranquilo, e acima de tudo, um filho que tem curiosidade em aprender, não se entrega tão fácil pela barreira da língua, vibra a cada nova amizade, se entrega e tem autoconfiança. Obviamente tem seus momentos de incertezas, saudosismo e vários outros sentimentos. Pensa que nunca vai falar a língua, que era mais feliz no Brasil, mas são pensamentos sadios e normais que o fazem, em determinado ponto, deixar o vitimismo de lado e se tornar, aos poucos, protagonista da própria história.

Um menino de ouro, sendo lapidado como todas as crianças por aqui e por aí. A gente, adulto, que às vezes estraga, por estarmos cheios de crenças e condicionamentos.

Eu ainda não estou trabalhando e não comecei com firmeza meu curso de alemão. Nesses 3 meses que estamos aqui, já recebemos visita de parte da família do Brasil por  duas vezes, fomos ao Brasil uma vez, nos mudamos de casa outra vez. Falta parar esse vai e vem, dar um chega pra lá na procrastinação e começar a me integrar aqui. Ah, e o inverno pesado ainda não chegou… talvez eu reescreva esse texto em alguns meses (ou seriam semanas?)

Ficamos em casa de amigos durante a transição de apartamento: entrega de chaves do antigo e recebimento do novo.

Tenho projetos de empreender aqui, com mil e uma ideias mirabolantes. Estou em fase de tempestade de ideias e planejamento delas. Também estou em processo de correção de um livro com histórias baseadas em fatos reais e cheias de surpresas e aventuras, que em breve devo decidir o que fazer com esse meu carinhoso livro, que surgiu de um resgate de mim mesma quando dei um profundo mergulho nas minhas histórias e experiências, rumo ao autoconhecimento. Sinto-me orgulhosa e grata por cada uma das trajetórias que me guiaram até o momento presente. Será um prazer compartilhar com vocês!!!

Abra-se para as oportunidades da vida.

Você só vai saber como será a SUA ADAPTAÇÃO em qualquer situação na vida, quando vive-la! Que as suas buscas por pessoas que decidiram resignificar e realinhar sua história a uma nova terra, sejam de pura inspiração, e jamais de mutilação de sonhos!

Seja co-criador do caminho que genuinamente almeja. Já se imagine vivendo a vida que deseja! Me conte nos comentários qual a vida que gostaria de estar apreciando nesse momento, mas o medo e a insegurança te paralisam de realizar? Segura na minha mão e vem que a gente se ajuda.

Aliás, tem muita referência bacaníssima na internet e que servirá como um empurrãozinho pra você, mas lembre-se que muito mais do que seguir alguém ou o que falam (tipo eu), é se deixar guiar pelo coração! O resto vem com a sintonia do brilho dos olhos e batimentos cardíacos em ritmo de festa. Falei muito sobre isso no post anterior. Menos expectativa, mais ação. E de tudo que eu poderia falar para vocês sobre recomeçar em outro país ou viajar com filhos, sugiro que leiam essas reflexões pessoais.

Um brinde às infinitas possibilidades!

Forte abraço,

Mamãe do Ben

Perguntas que não precisam de respostas

Tem sido difícil compreender que algumas perguntas não necessariamente precisam de uma resposta, e que muitas vezes, você pede um sinal do Universo, a Deus, a qualquer força superior que você acredita e ama, e novas perguntas surgem aos seus olhos. Pode ser que à primeira vista elas pareçam casuais, mas se você estiver atento de que os sinais estão em qualquer situação, irá perceber que elas têm muito a te dizer.

Tem sido difícil compreender que algumas perguntas não necessariamente precisam de uma resposta, e que muitas vezes, você pede um sinal do Universo, a Deus, a qualquer força superior que você acredita e ama, e novas perguntas surgem aos seus olhos. Pode ser que à primeira vista elas pareçam casuais, mas se você estiver atento de que os sinais estão em qualquer situação, irá perceber que elas têm muito a te dizer.

Seguindo as últimas 2 postagens sobre questionamentos que te possibilitam refletir, introduzo aqui mais dez perguntas que vão mexer com seus pensamentos e sentimentos:

  1. Você prefere ser um gênio preocupado ou uma pessoa simples e alegre?
  2. Por que você está onde está?
  3. Você é o tipo de amigo que quer como amigo?
  4. O que é pior, quando um bom amigo se afasta, ou perder o contato com um bom amigo que mora bem perto de você?
  5. Qual a coisa pela qual você é mais agradecido na vida?
  6. Você prefere perder todas suas velhas memórias ou nunca ser capaz de fazer novas amizades?
  7. Será que é possível saber a verdade sem desafiá-la primeiro?
  8. Alguma vez o seu maior medo se tornou realidade?
  9. Você se lembra daquela vez cinco anos atrás, quando você estava extremamente chateado? Será que aquilo realmente importa agora?
  10. Qual é a sua memória mais feliz infância? O que a torna tão especial?

Pense nisso. Responda se quiser. Chore se precisar. Mas permita-se digerir essas frases “inocentes” que podem dizer muito sobre você.

Compartilhe com seus amigos. Pode ser que você traga a tão desejada resposta para alguma situação ou momento dessa pessoa.

Novas perguntas para mindset

Às vezes o que a gente mais precisa é um sinal do Universo para reavaliar a vida. E esse toque pode surgir delicadamente, quase que imperceptível, por isso é essencial estar atento ao que acontece ao seu redor.

As respostas que buscamos poderão estar nas entrelinhas, e não escancaradas, a olho nu. Seguindo o post anterior, e para instigar você a mais revelações internas, destaco mais 10 das 50 frases do “50 Questions That Will Free Your Mind”, de Marc and Angel Hack Life.

  1. Você está almoçando com três pessoas que respeita e admira. Todos começam a criticar um amigo íntimo seu não sabendo que é seu amigo. A crítica é de mau gosto e injustificada. O que você faz?
  2. Se você pudesse oferecer a um recém-nascido só um conselho, qual seria
  3. Será que você quebraria a lei para salvar uma pessoa amada?
  4. Você já viu insanidade onde depois viu criatividade?
  5. Pense em algo que você sabe e que você faria diferente da maioria das pessoas?
  6. Como podem as coisas que fazem você feliz não fazerem todos felizes?
  7. Qual a coisa que você não fez e que você realmente quer fazer? O que está prendendo você?
  8. Você está se apegando a algo que precisa deixar de ir?
  9. Se você tivesse que se mudar para um estado ou país além do que você vive no momento, para onde você iria e por quê?
  10. Você aperta o botão do elevador mais de uma vez? Você realmente acredita que isso fará o elevador chegar mais rápido?

    Ufa!!! Quantas vezes aqui você pensou em algo e quis poder responder de outra maneira? Você pode! Essas perguntas são feitas para você refletir e rever sua consciência, julgamentos, autocontrole… para se conhecer!

Convido você para, em breve, ter um novo momento de intimidade com sua verdade e a se aproximar cada vez mais da sua essência.

10 Perguntas para Libertar sua Mente

Durante algumas pesquisas pela internet, descobri uma lista de perguntas que tem feito com que eu reavaliasse muitas questões particulares. E, essas perguntas não tem, necessariamente, respostas certas ou erradas. São até, em muitos momentos, aquela resposta que estamos esperando ouvir para tomar uma decisão ou agir de forma mais consciente e de acordo com nossa essência.

Compartilho com vocês, para que sofram o mesmo impacto que tenho vivenciado, esses pequenos questionamentos.

Será uma série com 10 perguntas. Sugiro que pegue um caderno e anote-as, respondendo às que desejar.

1. Quantos anos você teria se você não soubesse quantos anos você tem?
2. O que é pior, falhar ou nunca tentar?
3. Se a vida é tão curta, por que fazemos tantas coisas que não gostamos e gostamos de tantas coisas que não fazemos?
4. Quando tudo já está dito e feito, será que você disse mais do que fez?
5. Qual é a coisa que você mais gostaria de fazer para mudar o mundo?
6. Se a felicidade fosse a moeda nacional, que tipo de trabalho o tornaria rico?
7. Você está fazendo o que você acredita, ou você se contenta com o que está fazendo?
8. Se a expectativa de vida humana média fosse de 40 anos, você viveria sua vida de forma diferente?
9. Até que ponto você realmente controlou o curso da sua vida?
10. Você está mais preocupado em fazer as coisas direito ou está fazendo
as coisas certas?
Se essas “singelas frases” mexeram com você e te fizeram refletir, acompanhe o blog que iremos compartilhar mais perguntas do “50 Questions That Will Free Your Mind”.
Alimente sua mente
Alimente sua mente

 

Via Marc and Angel Hack Life
Traduzido e adaptado por Josie Conti
Do original “50 Questions That Will Free Your Mind”.