O presente da Vida

A noite de ontem (04.12.2017) tinha tudo para ser memorável e especial.

O Benício fez seu primeiro jantar sozinho – macarrão com manteiga e peito de peru, aprendeu a lidar com o fogão, como não se queimar, e as medidas que se usa para preparar o alimento, além de exercitar a paciência na espera da água ferver, para daí colocar o macarrão para cozinhar. Éramos alegria pura, cada um ajudando um pouco e ensinando passo a passo, desde pegar os ingredientes, organizar o entorno do fogão, colocar a mesa, guardar o que não vai mais usar.

Após se deliciar com sua comida favorita, eis que ele vem correndo me dizer: “mamãe, você comprou alguma coisa na loja “X”?”. Eu não entendi o motivo da pergunta, até porque eu havia comprado, para dar de Natal. E eu disse: “Como assim, por que você está perguntando isso?” E ele respondeu: “Eu encontrei uma embalagem no lixo, com um selo transparente da marca”. Que mancada a minha! Eu havia tirado do pacotinho, que eu não tinha percebido selo algum, pois era metálico transparente, e colocado a camiseta (que era o presente, que ele tanto queria) para lavar e secar – ainda estava na secadora, para após isso embrulhar e guardar para a noite de Natal.

Nem aproximando a foto eu vejo o selo, que estava nesse saquinho de 20x30cm, em cima de uma caixa que eu ia levar pro lixo, no chão.

Ele estava eufórico, e como eu não vejo sentido em esperar datas comemorativas para fazer algo que eu gosto muito, que é dar meu amor mesmo que em forma de presentes – muita gente fala mal do ato de presentear com coisas, mas eu acho que não há grandes problemas quando você não ensina o valor das coisas, e sim do ato em si, quando você faz algo por amor e não por obrigação – eu falei: senta aí que eu vou dar hoje seu presente! Então ele pediu: “você pode embrulhar e esconder pra mim?”. Ele sempre amou a sensação de surpresa, de ter que procurar algo, mesmo que a gente tenha brincado de que não era Páscoa. E então ele complementou: “Eu vou esconder também o presente de Natal de vocês, da mamãe e do papai!”. E a gente nem sabia que ele tinha um presente para nós! Naquele momento, quem ficou surpreso, fomos nós! E ele pediu que nós procurássemos primeiro, e foi dando dicas de “está quente, está frio”, enquanto andávamos em busca de algo.

Quando encontrei, sendo que fui a primeira designada a procurar, foi uma grande emoção: ele havia confeccionado seu próprio papel de embrulho, totalmente personalizado para mim. Aquilo ali já encheu meu coração de alegria e gratidão. Ao abrir a embalagem, com todo cuidado do Mundo para não rasgar (e ele disse que não colou muito para que eu pudesse guarda-la), eis que aparece um outro cartão, lindo, escrito a mão, com desenho do Papai Noel puxando o trenó no envelope e, dentro, com o desenho do dia do nascimento dele, onde ele disse que representa eu deitada na maca, e o médico retirando o bebê (ele) de dentro de mim. Que coisa mais incrível! Tem presente melhor do que esse?

E como se não bastasse, havia ali uma caneta, que segundo ele, era para eu usar para escrever minhas histórias e estudos de alemão. Que percepção a dele! E para completar, alguns chocolates que ele ama, pra ver se eu começo a gostar. Enchi ele de beijos e abraços, e fiquei tentada a saber onde quando ele comprou tudo aquilo, e ele disse: “Lembra aquele dia que fomos ao mercado e eu pedi pra sair um pouco sozinho? Eu peguei meu dinheiro do cofrinho e fui comprar pra vocês esses presentes. Eu fiz sozinho. Gostou mamãe?”. Eu havia amado, muito mais do que gostado!!!

Surpreendentemente fofo e tocante!

E assim seguiu a noite. O presente do meu marido e a embalagem também deram vontade de chorar de alegria. Ele teve muita sensibilidade em montar esses presentes, e estava há semanas guardando em uma gaveta que me proibiu de chegar perto! Ele, que é super ansioso, e não consegue esperar nem um minuto por algo que queira, havia conseguido esperar quase 1 mês, e esperaria mais, se não fosse pelo episódio do meu descuido.

Chegara a sua vez. Ele tinha que procurar então, o que eu gostaria de dar a ele. E para disfarçar, coloquei em uma sacola de mercado, pois não havia tido tempo de providenciar um papel de presente – poderia ter feito como ele, não é mesmo?

Ele procurou e procurou, e quando encontrou, ficou elétrico de felicidade. Era simplesmente uma camiseta, mas de um personagem de jogo que ele é apaixonado – o mesmo que tira nosso sono aqui, porque ele quer jogar a todo instante. Mas eu pensei que seria algo que ele ficaria feliz em vestir. E por isso quis entregar já lavada, pronta para vestir, pois ele o fez imediatamente.

A noite seguia animada, mas ele estava ligado no 220V. Estendemos demais a brincadeira e estava na hora de se arrumar para dormir. E aí começou a saga: “Benício, vai escovar os dentes e vestir o pijama”. E multiplica isso por 15 vezes!!! Sim, ele não estava escutando o que eu falava, e o horário limite para dormir (para acordar cedo e disposto no dia seguinte). Eu fui ao quarto de visitas para estudar, e meu marido estava na sala fazendo o mesmo, enquanto aguardávamos ele fazer o básico de todas as noites, para então dormir.

Foi quando o meu marido disse: “Você está sentindo um cheiro de queimado?”. E eu estava tão concentrada nos estudos que nem percebi, mas quando ele disse, senti o cheiro também. Aí falei: levanta e vai ver o que é. Quando fomos ver em todas as tomadas e cozinha, o Benício grita: “O cheiro está aqui no meu quarto”. Achamos estranho e fomos lá ver. O cheiro vinha da luminária de chão dele, de papel, mas não entendia o motivo. Já havia fumaça e doía o pulmão para respirar. Então ele disse: “Eu joguei minha camiseta lá atrás do abajur porque estava bravo com você”. E então entendemos o que acontecera, mandei ele sair imediatamente de lá, abrimos todas as portas e janelas num frio de -1 grau, desliguei o abajur da tomada e vimos, dentro dele, a camiseta que eu tinha acabado de dar o Benício, em chamas!  Meu marido colocou tudo para fora (bendita varanda) e conseguiu apagar, ficando os danos apenas emocionais e nesses dois itens.

A lâmpada da parte inferior totalmente queimada!!!

Se a gente for pensar, em coisa de poucos minutos (ou segundos), poderíamos ter vivido um terror ou uma tragédia ali mesmo, pois o abajur era de papel e o teto logo acima de onde a luminária estava encostada, era de madeira, e sendo um prédio antigo, não haveria muita chance de apagar o fogo, sem extintor ou mangueira. Estávamos assustados, perplexos por uma atitude impensada que poderia facilmente ter nos custado a vida.

Na hora arrumei a cama dele na sala, onde o cheiro de fumaça era mais fraco, e mandei-o dormir. Não dei atenção, fiquei sem reação, e com medo de uma ação impensada, preferi assim. Fui ao quarto voltar a estudar, e não consegui. Eu só conseguia pensar que Deus havia nos permitido viver e rever o que estava havendo nesse lar. O quanto a gente precisa aprender a controlar nossa raiva e angústias, pois não sabemos onde o fogo vai queimar: dentro de nós ou no mundo externo. Sabia que aquilo era o reflexo, uma mensagem do Universo, de alguma coisa que não estava indo bem. Peguei minha coberta e travesseiro, e fui deitar com meu filho.

Chorei baixinho, e o vi engolir o choro. Ele não estava entendendo nada, para ele aquilo tudo era uma brincadeira, porque ele não viu as cinzas da fumaça, segundo ele. A noite foi tensa e intensa. Agradeci muito a Deus e pedi a ele forças para me tornar melhor e conseguir educa-lo da forma que for mais amorosa e necessária. Mas ainda agora, isso tudo não sai da minha cabeça, e eu precisava escrever isso tudo como forma de desabafo. Faço isso aqui, com lágrimas nos olhos, mas consciente da minha responsabilidade nisso também.

Um abraço forte, e que fique na memória, apenas o aprendizado e a beleza dos presentes que ele (e Ele) nos deu!

PS: Hoje cedo, ele pediu para ir a escola com a camiseta. Eu falei que não seria possível, pois ela estava no lixo, toda queimada. Ele riu e não acreditou, e foi procurar pelos lixeiros da casa. Não encontrou, pois havíamos deixado também na varanda, para não ter o cheiro impregnado novamente no apartamento. E ele viu o estrago. Não podia acreditar!
Foi até seu cofrinho, perguntou quanto eu havia gastado para comprá-la, e que iria me pagar. Eu falei que o valor monetário não fazia diferença alguma, e que a vida vai dar sempre um jeitinho de nos mostrar quando precisamos parar e rever nossas atitudes e caminhar. Que levemos disso tudo, o aprendizado maior: de semear a paz em família e por onde andarmos, pois a raiva e o ódio alimentam o pior dentro de nós, e podemos ter que reaprender de novo e de novo, de forma mais ou menos dolorida.

O estado da camiseta!
Imagina, dentro de nós, como não fica quando a gente se incendeia de sentimentos ruins e destrutivos!!!

E por ironia do destino, hoje eis que me surge uma mensagem:

“E eu te desejo paz e serenidade para aceitar o dia de hoje como o cenário onde as bençãos que você precisa experimentar se desenrolem. Que você encontre a tranquilidade necessária para permitir que a vida seja, independentemente das expectativas que você tenha construído para o agora. Existe uma sabedoria superior em cada folha que cai de árvore, em cada botão de flor que desabrocha – eu te desejo aceitação. Brigar com o que é não faz seu agora ser melhor, apenas revela a fragilidade oculta por detrás de seu Ego. Relaxe e confie. Existe muito amor para você neste Universo.”

A adaptação com filho em outro país

Uma das questões mais recorrentes que surgem no bate papo do dia a dia é sobre como está sendo a adaptação de vida em outro país, da minha parte, e da parte do Benício. Muitas mães que me acompanham, casadas ou solteiras, querem saber um pouco mais de como temos lidado com as diferenças culturais e todo o pacote que vem junto com uma nova vida.

Um dos belos lugares por onde passamos: Lago de Genebra, na Suíça.

Fico bem feliz em poder compartilhar as peripécias dessa mudança, mas quero lembrar que essa é apenas a minha versão e realidade sobre a adaptação. Para cada outro indivíduo diferente de mim, e até a mim mesma em uma outra época, tudo será e seria diferente.

Então meu propósito aqui é de conversar com vocês de forma sincera e aberta, e com toda a vibração positiva para que essas reflexões inspirem quem está a poucos ou longos passos de tomar uma atitude de recomeçar a vida em outra cidade, estado ou país.

Esse momento, lugar e sorriso, jamais se repetirão! Escreva sua própria história e realidade!

Eu e o Benício já visitamos a Suíça inúmeras vezes antes de iniciarmos uma nova vida aqui, e isso certamente nos deu oportunidade de vir para cá já tendo amigos e conhecidos, o que de cara já eliminou o maior “ponto negativo” da mudança de país, principalmente se tratando da Suíça, que o maior caso de infelicidade ou insatisfação para expatriados é a dificuldade de criar laços, fazer amizades e se sentir aceito (comprovado por pesquisas no país).

Os amigos do meu marido (suíço) são pessoas muito boas, altamente receptivas e que sempre nos trataram com muito carinho, do jeito deles. E já faz 12 anos que eu e meu marido nos conhecemos, portanto sempre que vínhamos para a Suíça passear, eu acabava fazendo algo com as esposas – aqui elas saem muito em meninas – e depois com filhos, combinávamos alguma forma de nos encontrarmos também.

Para facilitar ainda mais, meu marido tem sobrinhos com idade próxima a do Benício, ou seja, ele mata um pouco da saudade das primas do Brasil quando encontra os primos daqui. Resumindo: o que não faltam são pessoas queridas que tem bons sentimento por nós, e estão aqui “para o que der e vier”, quando necessário. Sem contar nos avós e tios postiços suíços que torcem e se oferecem a apoiar no que for preciso.

Desbravando cidades com o primo Gordon.

Os suíços que eu e o Ben conhecemos até então são sinceros e solícitos, mas muito na deles também. Possivelmente jamais pedirão sua ajuda. É cultural. E se pedirem, é porque confiam mesmo em você. E aqui, confiança é o coração de uma boa amizade. Aliás, em qualquer lugar, não é mesmo? O que ninguém faz aqui é invadir o espaço do outro. O respeito é como o sangue que pulsa nas veias.

Quando você faz uma amizade verdadeira, é para valer. Assim como no Brasil. Eu particularmente sempre fui de poucos, mas bons amigos. Adorava o fato de estar cercada apenas de pessoas especiais e com quem eu queria mesmo compartilhar minha vida, até porque eu falo demais sobre o que sinto e penso.

Viu como falo demais?

Escolha a sua vida!

Voltando ao tema “adaptação”.

Estamos efetivamente vivendo na Suíça desde final de Julho deste ano (2017), mas saímos de casa (Brasil) no início de março. Desapegamos de muita coisa que não fazia mais sentido pra gente, e até muitas outras que perceberíamos mais tarde que eram desnecessárias também. Éramos eu, Benício e uma baita mochila/mala de rodinhas contendo tudo que precisávamos (ou eu achava que precisaríamos) para alguns meses viajando rumo ao desconhecido, e uma mochila de costas. Digo desconhecido pois, apenas de rotas programadas, não sabíamos como seriam essas descobertas e aventuras, e deixamos brecha para novas possibilidades.

Tomando conta dos nossos pertences!

E com isso, tivemos que nos adaptar a muitas coisas: a estarmos 24 horas por dia juntos, a sermos melhores amigos, a controlar a saudade, a ter paciência (ô coisa difícil), a degustar novos alimentos, a confiar em nossa intuição, a não deixar se abater pelos problemas no caminho, a ter atitude para tomar novas e importantes decisões, a encarar más escolhas, a chorar quando preciso, a pedir ajuda, a sorrir sem motivos, e muito mais. Parece que só listei aqui a parte ruim né? Mas de uma coisa hoje eu tenho certeza: foi através das nossas experiências maquiadas como as piores, que tivemos os mais incríveis e reais aprendizados, e consequentemente, nosso amadurecimento. Os desafios nos abriram os olhos e caminhos, e por isso sou grata por tudo que o Universo nos faz enfrentar.

Nossas sombras estão por todos os lados, e refletem nossos mais obscuros anseios e condicionamentos.

Então, após inúmeras vivências confusas, felizes, assustadoras, inesperadas e desejadas, decidimos radicalizar e moldamos os planos, para ao invés de voltar ao Brasil após o período sabático, mudarmos para a Suíça.

Tudo parecia fazer sentido. Estaríamos novamente com a família unida (eu, filhote e marido), em convívio diário e com todas as suas diferenças culturais. Sim, seria um baita desafio, mas essa palavra tem sido instigante para mim.

Curtindo o carinho dos avó em uma das visitas aqui na Suíça, em Berna.

Convencemos (entre aspas) minha família no Brasil de que o plano daria certo. O pai biológico do Benício permitiu essa nova jornada e tivemos assim, apoio de quem mais precisávamos para seguir nossos caminhos. Com suporte de quem se ama, tudo flui magicamente melhor.

Sabe aquele ditado que diz que “a gente só dá valor quando perde”? Isso é bem relativo e ao mesmo tempo super importante. Com a distância física de algumas pessoas da família, nós também perdemos a mente robótica de julgamentos, estresse, imparcialidade e saímos do piloto automático. Estar com em contato com a família através de vídeos pelo celular, ligações ou alguns poucas visitas, elevou absurdamente o nível de amor e afeto compartilhado, e transformou significativamente as nossas relações pessoais. Há muito menos discórdias e discussões. Há mais desejos de passar o tempo que se tem, da melhor maneira possível. Aprendemos muito mais sobre compaixão e cumplicidade. A distância uniu cada um de nós num mesmo propósito de prosperidade, confiança e esperança. A zona de conforto deu vez para o conforto dos abraços quando estamos juntos com quem amamos e sentimos saudades.

A distância física ensina o que é o amor verdadeiro, sem pressão, posse ou obrigação. Ama-se com leveza e consentimento . Com sentimento!

Chegamos com toda estrutura já montada, afinal, meu marido já estava vivendo na Suíça enquanto eu e o Benício havíamos ficado no Brasil. Então no início não foi uma loucura de corrida atrás de apartamento, mobiliário e afins. Apenas tivemos que eleger um novo apartamento com denominação familiar como uma das exigências do pedido de visto ao consulado Suíço. Alguns detalhes apenas foram sendo avaliados e decididos juntamente em família. E tudo acontecia tão perfeitamente que dava medo. Me lembro quando planejamos há 1 ano e meio atrás a vinda para a Suíça, e eu me apeguei a uma região no mapa e disse a mim mesma e a todos: “Me vejo morando nessa quadra, e o Benício estudando nessa escola”. E você acha que isso aconteceu? Claro! Minha intenção e energia foram tão intensas e sinceras que o Universo conspirou a favor. Já estava escrito em algum lugar e minha intuição, sexto sentido ou feeling, já denunciavam.

Nosso meio de transporte mais emocionante.

O período em que chegamos na Suíça para viver, era de férias de verão (fim de Julho). Prontamente já havíamos matriculado o Benício para estudar assim que o ano letivo – que inicia em agosto aqui – iniciasse. Como trocaríamos de apartamento e de cidade, optamos por uma escola mais longe da residência inicial, porém há apenas 5 minutos da futura moradia. Seriam apenas 35 dias de transição e correria para chegar a escola. Mas tudo era tranquilo e estávamos com muita energia para esse recomeço.

Durante todo o processo de pedido de visto, visita a central de integração de imigrantes, idas ao mercado sem falar uma palavra em alemão (estamos no cantão de Zurique, que é a parte alemã do país), compra de ticket de ônibus e trem, abertura de conta bancária, e até os simples horários de meios de transportes cronometricamente estipulados, já dá pra perceber um dos grandes diferenciais culturais daqui: que as coisas funcionam. E sem muitas delongas. Você consegue fazer tudo sozinho, sem ter que falar a língua materna. Mas, claro, que isso graças a língua inglesa ser curricular no ensino do país e pré-requisito na maioria dos empregos, principalmente nos diretamente ligados ao turismo.

O caminhão que levou nossa mudança.

Ao mesmo tempo em que tudo funciona de forma organizada e controlada, quando algo sai da normalidade, é motivo de dor de cabeça na certa. Os suíços não foram educados para “apagar incêndio” como no Brasil. A pensar em planos B, C ou D. Ali é plano A ou nó na cabeça! Mas nada que a nossa insistência não auxilie. Eu prefiro também não ter que enlouquecer para fazer coisas simples do dia a dia.

Aliás, a parte mais difícil por enquanto na adaptação está sendo ter que agendar compromissos com amigos com um mês, semanas ou longos dias de antecedência. Eu sempre tive a mania de decidir em cima da hora se ia ou não a algum apontamento. Brincadeiras à parte, essa parte é fogo! (risos)

Ser e Estar presente é o melhor presente!

A cordialidade e respeito das pessoas que nem se conhecem é linda. Moramos em cidades pequenas de interior e todos na rua, quando se cruzam, educadamente se cumprimentam. Principalmente crianças e idosos. É lindo!

O início da escola foi o melhor que poderíamos imaginar. A escola acolheu o Benício com muito amor e respeito, com planos e desejos de que ele se sentisse integrado desde o início. Não teve privilégios, mas a atenção que eles dão a tudo e a todos. Em pouco mais de um mês frequentando a escola, já tem noção de alemão, arranha o espanhol  (para conversar com o amigo da sala que é filho de italiana com espanhol) e ja entende mais o inglês, que é a língua que a mamãe fala por ainda não falar a língua alemã, e que falamos por meses durante nosso sabático. Onde ele aprenderia assim rápido tantas línguas diferentes? Levariam meses ou anos em um curso de idiomas no Brasil.

Pura alegria no primeiro dia de aula na Suíça.

Sobre a escola, que até mesmo inseriu na grade de educadores uma professora filha de mãe brasileira e que fala português, por exemplo hoje, para complementar essa minha afeição pela forma com que tratam meu filho, tivemos em casa a visita de sua professora. Após 4 dias faltando a escola por causa de febre, me ofereci a ir a escola pegar as tarefas. O que recebi depois foi um ato de amor: “querida, não se preocupe! Eu levo as atividades dele esta tarde”. E ela veio! Tocou a campainha, subiu 3 lances de escada até chegar em nossa casa, conversou com o Benício apenas em alemão, ele entendeu praticamente tudo, conheceu seu quarto, sentou junto a ele na mesa de estudos e fez um breve resumo de tudo que ensinou aos colegas de classe, entregando posteriormente as atividades para a próxima semana.

Fazendo as atividades após a visita da Professora.

Tudo tem sido intenso e especial. Claro que, como falei no início, essa é a minha realidade. Me sinto privilegiada em ter minha família apoiando de todas as formas e torcendo de longe, termos amigos queridos ao redor, um lar tranquilo, e acima de tudo, um filho que tem curiosidade em aprender, não se entrega tão fácil pela barreira da língua, vibra a cada nova amizade, se entrega e tem autoconfiança. Obviamente tem seus momentos de incertezas, saudosismo e vários outros sentimentos. Pensa que nunca vai falar a língua, que era mais feliz no Brasil, mas são pensamentos sadios e normais que o fazem, em determinado ponto, deixar o vitimismo de lado e se tornar, aos poucos, protagonista da própria história.

Um menino de ouro, sendo lapidado como todas as crianças por aqui e por aí. A gente, adulto, que às vezes estraga, por estarmos cheios de crenças e condicionamentos.

Eu ainda não estou trabalhando e não comecei com firmeza meu curso de alemão. Nesses 3 meses que estamos aqui, já recebemos visita de parte da família do Brasil por  duas vezes, fomos ao Brasil uma vez, nos mudamos de casa outra vez. Falta parar esse vai e vem, dar um chega pra lá na procrastinação e começar a me integrar aqui. Ah, e o inverno pesado ainda não chegou… talvez eu reescreva esse texto em alguns meses (ou seriam semanas?)

Ficamos em casa de amigos durante a transição de apartamento: entrega de chaves do antigo e recebimento do novo.

Tenho projetos de empreender aqui, com mil e uma ideias mirabolantes. Estou em fase de tempestade de ideias e planejamento delas. Também estou em processo de correção de um livro com histórias baseadas em fatos reais e cheias de surpresas e aventuras, que em breve devo decidir o que fazer com esse meu carinhoso livro, que surgiu de um resgate de mim mesma quando dei um profundo mergulho nas minhas histórias e experiências, rumo ao autoconhecimento. Sinto-me orgulhosa e grata por cada uma das trajetórias que me guiaram até o momento presente. Será um prazer compartilhar com vocês!!!

Abra-se para as oportunidades da vida.

Você só vai saber como será a SUA ADAPTAÇÃO em qualquer situação na vida, quando vive-la! Que as suas buscas por pessoas que decidiram resignificar e realinhar sua história a uma nova terra, sejam de pura inspiração, e jamais de mutilação de sonhos!

Seja co-criador do caminho que genuinamente almeja. Já se imagine vivendo a vida que deseja! Me conte nos comentários qual a vida que gostaria de estar apreciando nesse momento, mas o medo e a insegurança te paralisam de realizar? Segura na minha mão e vem que a gente se ajuda.

Aliás, tem muita referência bacaníssima na internet e que servirá como um empurrãozinho pra você, mas lembre-se que muito mais do que seguir alguém ou o que falam (tipo eu), é se deixar guiar pelo coração! O resto vem com a sintonia do brilho dos olhos e batimentos cardíacos em ritmo de festa. Falei muito sobre isso no post anterior. Menos expectativa, mais ação. E de tudo que eu poderia falar para vocês sobre recomeçar em outro país ou viajar com filhos, sugiro que leiam essas reflexões pessoais.

Um brinde às infinitas possibilidades!

Forte abraço,

Mamãe do Ben

A decisão de fazer um Sabático

Decidimos realizar esse período sabático em 2017, pois o Benício vai sair da escola (1º ano) final de 2016, e teria que trocar de escola. Pensei em aproveitar essa transição para desengavetar meu sonho, até porque ele ainda é “pequeno” e pode “ganhar” um ano com essas aventuras, ou seja, não vai chegar a perder conteúdos e matéria que sejam um bicho de sete cabeças!

A ideia inicial era comprar material e fazer um homeschooling para a 2ª série, mas como a vida está em constante mudança e adaptação, estamos planejando fixar residência em algum país – possivelmente a Suíça – para ele estar presente na escola.

Já havia estudado sobre as possibilidades de ele retornar e prestar uma prova de avaliação que permite reclassificação de classe no Brasil, caso os estudos fossem entre eu, ele e o Mundo, então de todas as formas, seria possível. É possível!

Quando falei para o Benício da ideia do período sabático, eu queria saber qual sua visão sobre isso – e até entendimento – pois ele será o meu grande pequeno parceiro nessa jornada. E ele adorou!

Conversamos bastante e agora já faz planos comigo, escolhe os destinos que deseja ir, pergunta se cidade X é perto da cidade Y, comprou um mapa mundi ilustrado super bacana e fica mencionando roteiros possível.

Ele disse que quer muito ir para o Egito “comprar um camelo” – animalzinho de estimação peculiar esse. Pergunta como é lá, quer ver fotos na internet. Já está viajando na ideia e fala para todo mundo que vai viajar pelo Mundo.

De vez em quando vem a mãe de algum amiguinho contando as conversas engraçadas que o seu filho falou sobre as histórias do Benício. E ele fala com tanto orgulho, que dá mais alegria em saber que estamos no momento certo!

Viagens do Ben na Legoland de Orlando, EUA.
Viagens do Ben na Legoland de Orlando, EUA.

Em busca de propósito!

Olá pessoal!

Sempre amei viajar: já me aventurei de mochilão por 5 meses na Europa, fiz intercâmbio no Canadá e fiz uma road trip na Califórnia, entre outras idas e vindas. Antes de descobrir que estava grávida, eu estava decidida a largar tudo e ir morar fora. Pois bem: tive que adiar os planos por uma nobre e deliciosa causa – viver a maior aventura das nossas vidas: a maternidade.

Engraçado que, ao escolher um nome para meu filho, eu só pensava em uma tradução pro apelido, de forma que fosse fácil de pronunciar “all around the World”. Não demorou muito para eu chamá-lo de Ben. Mas tinha receio de que no Brasil o nome seria meio estranho, então complementei e batizei-o de Benício. Meu Ben!

Enquanto o tempo passava e ele crescia na minha barriga, eu só pensava em uma coisa: quando ele fosse grande, eu iria levá-lo para experimentar a vida em outros endereços, resgatar meus desejos mais genuínos de explorar novas culturas e países. O sonho apenas ficaria adormecido.

Aos quase 7 meses de gestação, Benício viajou (na barriga) para a Suíça
Aos 6 meses de gestação, Benício viajou (na barriga) para a Suíça.

Durante a gestação do Ben, eu tive a ideia de pedir aos meus amigos nos 4 cantos do Mundo, a fazer uma fotografia em um lugar especial, segurando uma folha de papel com o nome do Benício escrito, ou escrever de alguma forma criativa. Eu me imaginava visitando todos esses lugares com ele, quando grandinho. Recebi fotos de vários destinos. Ou seja, a paixão por viajar, em nome do Benício, já passou por locais maravilhosos.

O projeto Viagens do Ben passou por Berlim
O projeto Viagens do Ben passou por Berlim

Agora, sete anos depois, está chegando a hora de realizar esse sonho, de resgatar minha essência e viver tudo que eu sempre quis, junto a ele, que é uma criança curiosa e com sede de desbravar o desconhecido!

Então, é hora de tirar o sonho do status “stand by” e colocar no papel bem detalhadamente, para transformá-lo em uma agradável aventura para 2017 em diante.

Compartilharemos aqui o planejamento, dúvidas, pesquisas, ideias, projetos derivados dessa jornada, mudanças de planos (ou adaptações para planos B, C e D) e experiências vividas!

Serão dois pontos de vista: Mamãe falando para mulheres, solteiras ou não, que queiram percorrer o Mundo (perto ou longe!) com os pequenos, e a visão do Benício, sobre suas vivências, expectativas e ponto de vista.

Iremos reproduzir as fotos que recebemos com nome, estando o Benício no local, e de alguma forma homenageando quem fez aquela imagem, anos atrás! Seja com histórias, nome, recordação… será emocionante!

Vamos juntos curtir as Viagens do Ben, around the World?

Você é o nosso convidado especial!