Balanço da viagem: 1 mês

Se fosse preciso colocar uma vela para cada emoção vivenciada no nosso primeiro mês de viagem, talvez nem desse para ver direito o bolo. Hoje eu e o Ben comemoramos o primeiro “animesário” – há exatamente um mês deixávamos nossa boa vida, família, amigos, trabalho e rotina no Brasil para iniciar uma jornada de volta ao centro das nossas vidas, um resgate à minha essência adormecida.

Acho que nem eu tinha noção do que me esperava nesse período sabático. Alguma coisa me chamava para isso, mesmo sem eu saber o propósito real dessa experiência. Eu não tinha exatamente um ‘sonho’ de viajar, mas quando estava grávida eu imaginei que em algum momento da minha vida faria essa viagem quando o Benício estivesse maior.

Acredito que tudo o que acontece na vida são respostas que o universo dá aos nossos questionamentos. Sempre estive aberta a receber essas respostas, mas só agora consigo enxergá-las com mais clareza por estar conseguindo fazer as perguntas certas. E o que isso tem a ver com o propósito da viagem? Acho que essa foi a forma do universo me mostrar que eu precisava me redescobrir como mãe.

Apesar de estar quase sempre com o Benício, sinto que falhei na educação dele por deixá-lo um pouco solto. Venho de uma base muito estruturada, meus pais sempre batalharam muito para proporcionar uma boa vida à nossa família. Talvez pela facilidade que eu tive – e abro um adendo para dizer que não culpo os meus pais e, tampouco, estou reclamando – acho que acabei passando esse estilo de vida mais ‘folgado’ para o Ben (do tipo, se ele bagunçava o quarto, tinha uma funcionária em casa para arrumar). Nessa viagem eu percebo como a educação dele deveria ter sido diferente.

O Benício é uma criança boa e inteligente, mas vejo que alguns aspectos da educação dele foram negligenciados por mim. Eu costumava passar o dia no trabalho, enquanto, pela manhã, ele ficava em casa e à tarde ia para a escola. No fim do dia ambos já estávamos tão cansados para brincar e conversar, que aquela interação entre mãe filho era praticamente inexistente. Agora, que não temos outras pessoas da família ao redor e nem funcionários para fazer as coisas por nós, só podemos contar um com o outro. “Precisamos ser melhores amigos, parceiros de verdade”, foi o que falei para ele logo no início dessa jornada. São muitas mudanças e ele está tendo que se virar como gente grande.

De boa em NYC. Celebrando o primeiro mês de viagem na Big Apple.

Dizem que até os sete anos é o momento para educar, formar os valores de uma criança, então acredito que essa jornada tenha vindo em um momento importante para nós – o meu crescimento como mãe e o senso de responsabilidade dele. Estamos juntos 24 horas por dia, e eu imaginei que fosse ser complicado e cansativo, mas eu agora percebo que tudo o que ele quer e precisa é de compreensão em relação aos sentimentos dele. Não são apenas novos lugares que estamos conhecendo, são pessoas, climas, sabores, costumes, perrengues… Tudo isso gera um mix tão grande de emoções, que eu agora me dou conta de que essa viagem é mais uma grande oportunidade de reflexão do que de turismo. 

Me redescobrir como mãe, fazer o Ben entender as responsabilidades e consequências das atitudes dele, estreitar os vínculos entre mãe e filho, compartilhar a vida real para mostrar que nem tudo são flores nessa jornada – talvez o propósito da nossa viagem seja cada uma dessas coisas. O que posso dizer, com absoluta certeza, é que cada passo dado é um novo aprendizado, e todo o amor que sinto pelo meu filho só aumenta a cada dia. Que venham os próximos meses das Viagens do Ben!

Autor: Mãe do Ben

Descobriu que é hora de levantar vôo, e agora carrega seu maior Ben nos braços, dando asas à felicidade rumo a viagens inesquecíveis mundo afora.

4 pensamentos em “Balanço da viagem: 1 mês”

  1. Oi Família do Ben.
    Minha amiga compartilhou o seu link no Facebook e des daquele dia passei a acompanhar seu planejamento e comecei a nutrir o mesmo sonho em desbravar o mundo com o meu filho. Confesso que esperava uma aventura completamente diferente do que vc vem vivenciando, vou deixar o meu ponto de vista quem sabe voce pode refletir nesses pontos.
    Até agora a sua viagem está sendo muito turistica, pouco tempo em um lugar com passeios iguais a um turista. Estou sentindo falta do que voce disse no seu planejamento, conhecer o mundo, as culturas, pessoas e aprender com a vida. Em Cancun senti falta das piramedes, da cultura local, cancun é lindo, mas não é a realidade do dia a dia dos mexicanos, Orlando é outra cidade a parte de ilusão e puro divertimento, isso acontece quando queremos alguns dias em um mundo de fantasia.
    Mamãe do Ben, quem sabe se vc focar mais tempo em uma cidade e fazer com que o Ben possa conhecer pessoas novas, lugares daquele lugar, comida típica, ouvir as histórias dos moradores.
    Se não vc vai conhecer 1.000 mil lugares e vai acabar não conhecendo absolutamente nada. Desculpe a minha sinceridade, mas até agora os pontos que vc visitou são apenas turísticos que nada dizem sobre aquela cidade, são lindos, fantásticos, ideias para se fazer com a família em dias de férias. Se vc deseja agregar na vida do seu filho, faça opções que um morador local faria, se misture entre eles, traga na bagagem experiencias de vida, lugares que que um Turista não passaria por lá, aprenda a história do local vivenciando essa história. Cancun é muito mais do que uma ilha feita para turistas, NY é muito mais do que um restaurante do Mario Bross que daqui alguns anos nem existirá, voce tem uma oportunidade única, então utilize . Bilhões de desculpas em me intrometer, mas essa é uma oportunidade única e deveria refletir se está utilizando da melhor maneira. Deixe de ser Turista e faça parte dessa história. Beijos

    1. Oi Tereza! Bom dia!!! Primeiramente agradeço por nos acompanhar e deixar sua carinhosa contribuição. Como comento com meu filho, percebi que fiz decisões “equivocadas” no primeiro mês de jornada. E por isso estou revendo algumas rotas e decisões para maior aprendizado. Em nenhum momento pensei em ser turista ou não, mas sim em adaptar uma possível viagem com meu filho que me fizesse crescer. Nos fizesse crescer juntos e unidos. E você pode ter certeza que independente de onde estejamos ou estivemos, sou muito grata por cada aprendizado, cada perrengue, cada desvio de rota e “erros” que hoje eu agradeço. Eles me fizeram e fazem evoluir como ser humano e mãe. Por isso estou há 1 semana no mesmo destino e vou ficar por mais alguns dias. Estamos hospedados na casa de uma família e vivendo sua realidade americana. Tem sido um desafio. São valores e costumes diferentes e não tem sido nada fácil pro Ben bem pra mim, mas estamos nessa juntos e confiantes. Unidos!!! E isso não tem lugar ou definição que mudaria: turistas ou não, temos curtido e vivenciado experiencias memoraveis e engrandecedoras. Talvez não seja o melhor exemplo para quem quer começar a viver uma aventura com filhos. Como falei numa postagem, descobri que o propósito da nossa viagem vai muito além do estar no mundo, é  voltar pra casa, para minha essência e me tornar a mãe que meu filho necessita: dar amor e valor a ela!!! Hoje somos cúmplices de uma vida e invencíveis!!! Agradeço muito sua mensagem e peço perdão se não atendo às suas expectativas. Confesso que minha intenção também era outra mas estou feliz com o caminhar que o Universo nos reserva.  Um forte abraço . Desejo poder acompanhar sua história quando tiver a ousadia e coragem de tira-los do coração e papel e torná -los realidade. Só vivendo para entender o que essa atitude de querer conquistar/descobrir algo (que as vezes nem sabemos o que é) pode fazer e transformar a nós mesmos!!!

  2. Mãe do Ben, estou adorando ler suas historias.
    Mal posso esperar pra viver esse tipo de aventura com a minha Alice.

    Bjao e postem mais fotos.

    1. Oii Sabrina! Me alegro em saber que você não vai abandonar os sonhos por causa de medo ou outros sentimentos que não nos empoderam. É organizar a “casa” e colocar o planejamento em ação. Conte comigo!!!

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